sábado, 5 de maio de 2012

POR UMA ESPIRITUALIDADE DA CONEXÃO

CONECTADOS À VIDA – Jo. 15,1-8




“Eu sou a videira e vós os ramos” (Jo. 15,5)

Se há algo que caracteriza nosso tempo é a nova consciência de ser rede-comunhão-interconexão-unidade. Todos já sabemos que tudo está interconectado: a globalidade é interação. Lentamente vai-se tomando consciência de que formamos parte de um todo. Há em nós uma necessidade básica de viver conectados com os outros, de entrar em relação com o mundo.

Este tempo pede de nós “uma espiritualidade da conexão”, da busca da experiência da Unidade, de estender pontes entre culturas, raças, sexos, crenças religiosas, ideologias, de romper fronteiras, de estreitar laços, de criar espaços acolhedores... Precisamos sair de nossos pequenos círculos para criar vínculos com tantas pessoas, grupos, organizações sociais e movimentos que buscam outra globalização, a globalização da solidariedade, da interconexão responsável, da comunhão universal.

“Conectar computadores é um trabalho. Conectar pessoas é uma arte” (Eckart Wintzen)

O desafio que se apresenta diante de nossos olhos é o de sermos fiéis à realidade para poder descobrir nela a novidade de Deus, uma experiência “mística” que nos faça tocar o mais profundo de tudo, e como conseqüência, denunciar o que obstrui e mata este dom novo de Deus.

Também através dos “chips”, “bytes” e “satélites” de nosso universo eletrônico o Espírito se infiltra. Através dos circuitos eletrônicos nos aproximamos da solidariedade universal, da busca da transcendência, da defesa do meio ambiente, da luta em favor da vida, do compromisso com a justiça...

Nessa direção, a oração cristã é um grande corretivo, é um convite a sentir-nos com os outros, a conectar-nos com todos e a viver em comunidade. Nela dizemos que nossa origem e nosso destino é comum (viemos de Deus e voltamos para Deus) e pedimos juntos o acontecer do Reino.

A imagem da videira e dos ramos, no Evangelho de hoje, nos revela a teia das relações, das inter-dependências e da comunhão de todos com a Fonte originária de tudo. Pertencemos a uma comunidade cósmica de vida tal como foi criada e sustentada por Deus. Somos quem somos somente na relação e por nossa relação com todas as criaturas e com o próprio Criador; somos alimentados pela mesma seiva divina, que tudo sustenta com sua mão providente.

Isto significa que há uma unidade fundamental que perpassa todas as partes do universo, na forma de uma “rede”. Nós, seres humanos, também fazemos parte desta vasta rede de inter-relações, conectados a todos os elementos da natureza, desde a menor célula até a ecologia global.

Sentimo-nos impulsionados pela seiva do Espírito que alimenta as energias do universo e a nossa própria energia vital e espiritual. Conectar-se com a videira possibilita alcançar a seiva, o pulsar da vida e o equilíbrio nas relações; viver em profunda fusão com a videira desperta as energias criativas, todas as grandes motivações adormecidas, toda bondade aí presente. Sem a seiva divina que nos atravessa nunca poderemos dar o verdadeiro fruto.

No entanto, percebemos, no contexto atual, que o ser humano tem perdido o contato e a comunhão com o cosmos e com os seus semelhantes, recusando receber a seiva que a todos alimenta; ele está conectado com tudo e com todos e, no entanto, tal conexão não lhe nutre, nem lhe oferece sentido à sua existência. A compulsão dos meios eletrônicos o ameaça de superficialidade, de individualismo e de isolamento. Isto tem provocado nele toda espécie de mal-estar, de doenças, de conflito e divisão, de insegurança, de ansiedade, de solidão, de aridez existencial... É aguda a consciência de uma fragmentação do eu interior.

A verdadeira nobreza do ser humano consiste nisto: há nele “algo” de interior, decorrente de sua profunda conexão com a Videira, de onde recebe a seiva que o nutre e o faz entrar em relação com tudo e com todos; há nele uma força latente, como uma energia fundamental, que o impulsiona a viver, que o ajuda a crescer e a melhorar continuamente, aumenta a sua capacidade de resistência, estimula-o a alcançar aquilo que é o sentido de sua própria existência: a verdade, a liberdade, o bem, o amor...

Com a presença desta força interior, a pessoa se sente guiada pelo seu dinamismo, que lhe proporciona saúde física, lucidez mental e limpidez afetiva. É esta força que comanda os melhores momentos da vida humana como um princípio ativo, dinâmico, criativo... Tais forças primordiais, vitais, presentes nas diferentes etapas do crescimento, são essenciais ao ser humano, graças às quais ele se orienta diante das solicitações da vida pessoal e das múltiplas escolhas, constrói a sua vida pessoal, reforça as relações comunitárias e sustenta o seu compromisso solidário no caminho em direção à plenitude do seu ser.

Quando esta “força vital” permanece bloqueada, o ser humano perde a direção, seca a criatividade e o gosto por viver, não faz progredir a sua potencialidade e demite-se da própria vida.

É decisivo religar-se à Fonte e aproveitar, para o desenvolvimento integral da personalidade, os abundantes nutrientes e recursos presentes nas profundezas do coração humano. São forças construtivas e autônomas, livres de influências externas, que devem ser colocadas a serviço da construção de uma personalidade sadia, equilibrada e mais rica. Com isso, todo seu interior se alarga e se dilata.

A seiva de nosso ser essencial constitui nossa autêntica vida. Descobri-la, abrir-nos a ela, fazer-nos transparentes a ela e vivê-la cada dia constituem a plenitude de nossa realização. É seiva divina, presente no eu mais profundo, que nos arranca de nosso fechamento e nos faz ir para além de nós mesmos; ela nos abre a uma Realidade maior que nos transcende; é ela que nos faz perceber que temos no coração um espaço que está feito à medida de Deus.

Precisamos viver mais nas raízes de nosso ser; precisamos aprender a viver de uma maneira mais profunda e autêntica, a partir do núcleo mais íntimo de nosso ser, a partir de nosso ser essencial.

E viver a partir de nosso ser essencial é nossa autêntica realização e plenitude. É chegar a integrar e harmonizar todos os níveis de nossa pessoa: corpo, mente, afetividade, coração... com a fonte de nossa vida. Intuímos um poço tão precioso dentro de nós, uma fonte tão profunda... Muitas vezes, passamos a vida buscando água em poços alheios, e não descobrimos nosso manancial.

Trata-se de descer em profundidade, de achar o nosso centro, aquele ponto de gravidade por onde passa o eixo do nosso equilíbrio pessoal. A oração nos ajuda a encontrá-lo e a ampliá-lo.

É nesse conjunto de recursos e dinamismos vitais que a Graça (seiva) de Deus trabalha; Ela pode ser considerada como uma presença dinâmica, um estimulante das energias latentes do eu.

A presença da seiva é um reforço, um suporte, um energético do eu, uma ativadora das capacidades do eu; ela não constrange, não violenta, mas ajuda, esclarece, mobiliza as energias presentes, facilita largamente a missão de cada um.

Mais ainda, o Espírito habita nosso ser profundo, sustenta nossas energias sadias, aumenta nossas forças, compromete-nos a crescer de forma autônoma. Ele age como um “princípio dinâmico” e como um “energético ativo”, que reforça as atividades criativas do eu. Temos de viver a partir do Espírito, transformando e vitalizando nossos gestos, pensamentos, compromissos, encontros.

Na oração: Eu canto por ser ramo, unido à Videira.

Sou ramo que se alarga, ampliando a minha vida. Eu deixo vida feita folha verde e cachos de uvas.

Sou ramo e jorro minha vida feito vinho saboroso. Sou ramo desde a origem. Sou ramo ligado à Videira. Sou ramo alimentado pelo vigor incontido da seiva.

Alguém vive em mim no silêncio. Alguém que conhece o bem, a verdade, a líberdade. Levo a Videira em minhas entranhas como um canto de libertação. Meu “interior” conhece a Videira. Conhece a Vida.

Sua Vida é minha vida. Seu viver é meu viver. Para mim, a vida é sua Vida. Sou ramo. Meu interior conhece a seiva da Videira. É algo como o espírito que me anima.

É algo que me “marca”, que me dá identidade. Se a Videira não me tivesse dado sua vida através de sua seiva, hoje eu não seria ramo.

Sou ramo e deixo a seiva transbordar em mim. A Videira se fez minha liberdade e minha força. A Videira me deu um nome: ramo. Sou peregrino no “silêncio”.

Sou ramo e o serei para sempre. Ramo sem fronteiras. Ramo sem cálculos. Ramo transbordante.

Sou para a aventura, sou para o desconhecido, sou para o novo, sou para o amanhã...

Sou fecundo/a como a Videira. Eu sei que em minha Vida há raízes eternas. Eu sei que vivo desde a origem. Eu sei que me alargarei enquanto chegue a vida da Videira.

Sou ramo e quero gritar bem alto. Sou ramo e vivo. Amo minha vida e não quero abafá-la. Amo minha vida e não quero morrer sufocado, desconectado da Videira. Grito a ti Videira, Fonte de minha vida!

                                                                                        Pe. Adroaldo - SJ

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Reflexão do dia


O tempo por Salvador Dali


“Dizem que a vida é curta, mas não é verdade. A vida é longa para quem consegue viver pequenas felicidades. E essa tal felicidade anda por aí, disfarçada, como uma criança tranqüila brincando de esconde-esconde. Infelizmente às vezes não percebemos isso e passamos nossa existência colecionando ‘NÃO’: a viagem que não fizemos, o presente que não demos, a festa que não fomos, o amor que não vivemos, o perfume que não sentimos. A vida é mais emocionante quando se é ator e não expectador, quando se é piloto e não passageiro, pássaro e não paisagem, cavaleiro e não montaria. E como ela é feita de instantes, não pode nem deve ser medida em anos ou meses, mas em minutos e segundos. Esta mensagem é um tributo ao tempo. Tanto aquele tempo que você soube aproveitar no passado quanto aquele tempo que você não vai desperdiçar no futuro. Porque a vida é agora. Não tenha medo do futuro, 
apenas lute e se esforce ao máximo para que ele seja do jeito que você sempre desejou. A morte não é maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos.”
(Dalai Lama)

Enviado  por Lindalva Macedo

Cântico das Criaturas - Por Francisco e Clara


Video postado por indicação do simpatizante Marciel Linhares

São Francisco por Ney Matogrosso


Video postado por indicação do simpatizante Marciel Linhares

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A poesia suave de Jesus




O evangelho de Jesus é um poema á simplicidade
Não requer explicações metafísicas nem elasticidade filosófica para entendê-lo.

Olhai as aves do céu, não semeiam nem ceifam, mas nosso pai celestial as alimenta
É a lição do desprendimento

Aquele que põe a mão no arado e olha para trás não está apto ao reino de Deus
É a lição da perseverança

Aquele que estiver sem pecado que atire a primeira pedra
É a lição da auto-análise

Quando fores convidados para um banquete senta no último lugar
É a lição da humildade

Aquele que quer ser o maior que seja o que mais serve
É a lição da caridade

Vinde a mim todos vós que estás aflitos e sobrecarregados e eu vos aliviarei.
É a lição do acolhimento.

Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração
É a lição da delicadeza.

Reconcilia-te com teu inimigo enquanto estás a caminho com ele.
É a lição da Paz.
Saiu o semeador a semear sua semente.
É a lição do trabalho.

Para entrar no reino do céu é necessário  nascer de novo.
É a lição da volta.

O filho do homem veio paa servir e não para ser servido.
É a lição da nobreza.

Seja o vosso falarsim, sime não , não.
É a lição da firmeza.

Tratai a todos como gostaria de ser tratado
É a lição da justiça

Vai e não peques mais. É a lição da resistência.

Lázaro,levanta-te e anda. É a lição da fé.

Procure Jesus nas coisas simples; na lágrima, no afago, na alegria pura, no trabalho honesto,no gesto fraterno, no poema á vida, enfim, em tudo que eleva e ilumina.Por isso é tão difícil para a ciência e para a filosofia encontrá-lo.

terça-feira, 1 de maio de 2012

III Encontro Regional de Simpatizantes de MG


 Memória do Encontro
Em preparação para o Capítulo Geral e Provincial


Crachás dos/as participantes

Maria recepcionando com
 lembrancinhas

Acolhida dos/as participantes pelo Grupo de Camargos

Acolhida


Grupo reunido



Momento Novo para os grupos de simpatizantes

1. Deus chama a gente pra um momento novo. De caminhar junto com seu povo.É hora de transfromar o que não dá mais. Sozinho/a, isolado/a ninguém é capaz

Refrão: Por isso vem, entra na roda com a gente também. Você é muito importante. Vem!

2. Não é possível crer que tudo é fácil. Há muito força que produz a morte.Gerando dor, tristeza e desolação. É necessário unir o cordão.

3. A força que hoje faz brotar a vida. Atua em nós pela sua graça. É Deus quem nos convida para trabalhar. O amor repartir e as forças juntar.





Logomarca do Capítulo Provincial
   Tema: "Tecer caminhos de itinerância e irmandade no mundo em 
movimento."
Lema: " E Jesus se aproximou e começou a caminhar com elas e eles".


Celebração de abertura

A vida exige uma nova ousadia no mundo em movimento...
Coragem, Fé, Doação, Esperança, Presença, Partilha,Solidariedade
"A vida prevalece apesar do que acontece..."







" A mística francisclariana fundamenta-se no seguimento de Jesus Cristo pobre, 
 humilde, 
servidor, crucificado e ressucitado" 
" A forma de vida dos irmãos e irmãs de Francisco e Clara de Assis é seguir o santo evangelho".
" Nossa missão é defender a vida com os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo".


Caminheiro/a não existe caminho
Passo a passo, pouco a pouco,
o caminho se faz

Movimento do mundo
Varal reflexivo












Articulação Latino Americana
 Ninguém pode prender um sonho e impedir alguém de sonhar. Ninguém pode prender a esperança de um povo sofrido a lutar. Ninguém pode abafar o grito do oprimido clamando a Javé. Deus que salva e liberta o seu povo, ergue o caído e alimenta sua fé.

 Todo o sonho alimenta a história e a vitória do povo a chegar. Vamos juntos que neste caminho, ninguém sobra ou fica pra trás. Para ver esse mundo florindo,criança sorrindo,sem fome e sem dor. É preciso cuidar bem da vida, que a vida sofrida se eleva em clamor.

Ninguém pode prender um sonho como a luz do sol que nasceu. Ele brilha, inventando caminhos e desvela o que a noite escondeu. Ninguém pode abafar o grito de quem sofre e chora de tanto suor. Pelo pão, pela paz e justiça e anda à procura de um mundo melhor.




Beber a água viva desta paz querida que o Senhor me dá.
Mostrou-me um caminho não estou sozinho/a, vou lhe acompanhar.
De peito aberto, coração sincero eu lhe digo sim.
Quem vê o meu jeito,vê também meus feitos,segue logo,enfim.

Vem ó Francisco reconstrói a Vida, precisamos de ti
Vem ó meu povo, vem comigo agora,vem reconstruir.

O Senhor da Vida me chamou á vida para uma missão: 
Ser entre os pequenos o/a irmão/ã menor, ser ressurreição.
Esperança e fé que sempre fortalece o nosso coração.
E ilumina o povo dando nova vida, nova direção.


             
Lavabo com alecrim















É novo tempo, é tempo de esperança tudo a gente alcança se acreditar.
O evangelho vai nos renovando, a fonte caminhamos pra recomeçar.

Francisco e Clara, nosso mundo tem sede de paz!
Vem conduzir-nos á fonte viva que seca jamais.

Num mundo cheio de violência,tanta injustiça produzindo ais. 
Queremos ser novos instrumentos, com "Francisco e Clara - a mística da paz".

Um coração que sabe compreender, que sabe acolher, que sabe perdoar.
Abre-se em flor para um novo tempo. E, a cada momento, ele só sabe amar.

Mistura das Terras - Rodeio  SC
Mistura das Terras- Ipatinga MG



Mistura das Terras - Timóteo MG
Mistura das Terras- Belo Horizonte MG

Celebremos com alegria, toda a vida que aconteceu, pois Deus é o autor desta história, que a Irmã Catequista escreveu.

São 97 anos de envio desde que Rodeio escutou. O chamado se fez caminho.
Nas terras onde a irmã Catequista andou.


Se caminhar é preciso, caminharemos unidos/as.
E nossos pés , nossos passos, sustentarão nossos braços.
Não mais seremos a massa sem voz, sem vez, sem história.
Mas somos grupos que vão em esperança solidária.

Se caminhar é preciso, caminharemos unidos/as.
E o reino de Deus teremos como horizonte de vida.
Compartiremos as dores, os sofrimentos e as penas.
Levando a força do Amor em esperança solidária.

Se caminhar é preciso, caminharemos unidos/as.
E nossa voz no deserto fará brotar novas fontes.
E a nova vida na terra será antevista nas festas.
É Deus que está entre nós em esperança solidária.





segunda-feira, 30 de abril de 2012

A paz esteja no seu coração - Reflexão 4




“Era uma noite fria e estava garoando. Por volta das 22 horas, ao terminar o encontro bíblico na comunidade de São Marcos, situada na zona leste de São Paulo, retornávamos para a zona sul, região de Santo Amaro. No caminho, antes de entrar numa grande avenida, enquanto esperávamos o semáforo abrir, aproximou-se uma criança pedindo uma moedinha. A frágil menina devia ter entre 5 e 6 anos. Demos-lhe o lanche que recebemos no encontro, e a menina saiu correndo. Olhamos pelo retrovisor do carro, e vimos uma cena impressionante. Em vez de comer, ela foi dividi-lo com as outras crianças. (Revista Vida Pastoral da editora Paulus)

Esse relato está repleto de ternura e beleza. É a manifestação da presença tênue e silenciosa de Deus no nosso caminhar... No gesto de partilha da criança a rua transformou-se no templo sagrado da presença do Pai. Seguramente, é a concretização do evangelho no meio dos homens. É a pequena semente do reino do Pai lançada no chão duro da vida, mas, carregada de energia para crescer e dar frutos. É o despertar da esperança de uma sociedade mais  fraterna. O faminto que partilha seu único pão faz re-florescer a beleza do milagre da multiplicação dos pães... 
Tal gesto anuncia que a bondade e a benquerença ainda existem, principalmente, no meio dos mais sofridos. Essa atitude sacramental nos faz recordar a grandeza da partilha, valor esse esquecido pelos afazeres do nosso dia-a-dia. As ações concretas de solidariedade falam mais fortemente do que todas as doutrinas e ensinamentos. É que elas atingem diretamente a alma e o coração. Com certeza, o circulo bíblico daquelas pessoas aconteceu, mais profundamente, ao serem tocados pela partilha do único pão daquela criança.
A vida nos oferece, a todo instante, inúmeras oportunidades de acolhimento e de bondade. Na família, no trabalho, na rua, enfim, somos convocados, constantemente, a sairmos da indiferença para irmos ao encontro dos outros. Um sorriso, uma palavra de ânimo, um abraço, o ombro amigo e o coração aberto para quem está sofrendo. São essas pequenas atitudes que nos transmitem o sentido e a alegria de viver... Se pensarmos bem, os momentos de maior alegria da nossa vida estão alicerçados nos nossos gestos de acolhimento e solidariedade. 
É importante cultivarmos a sensibilidade, que nos faz perceber as ações de bondade presentes ao nosso entorno. Tais gestos, muitas vezes, passam despercebidos ao “olhar” do nosso coração. A nossa vida é tecida por essas pequenas atitudes de bondade e ternura. No encantamento e na vivência desses valores encontramos a paz, a serenidade e a presença amorosa do Pai.

João Bosco de Carvalho
(Belo Horizonte-MG)

Contatos: cassiojoao@bol.com.br


A paz esteja no seu coração - Reflexão 3




“Esperar vale mais que entender”

                                                                      Guimarães Rosa

            O grande escritor Guimarães Rosa foi perspicaz e sensível observador dos mistérios do humano. Ele sabia como poucos, recolher os acontecimentos e as emoções, refletindo no coração o significado de cada experiência vivida. Esse pensamento, proposto para nossa reflexão, manifesta a sua sabedoria acerca da nossa travessia. Conhecimento esse conquistado através do olhar atento sobre o nosso cotidiano e focado, principalmente, na vida do sertanejo das Minas Gerais.
            Se aprofundarmos esse pensamento veremos que ele perpassa o nosso dia-a-dia. Geralmente, quando não compreendemos o significado de certos acontecimentos difíceis, mas inerentes ao nosso viver, questionamos e exigimos respostas imediatas para os mesmos. Se as soluções não chegam com a rapidez que desejamos, ficamos intranqüilos diante de tal situação. Não suportamos dar tempo ao tempo para que “a ausculta atenta do coração” nos aponte algum caminho ou nos ensine uma nova maneira de enfocar as nossas angústias e limitações.
            Em principio, é natural que tenhamos essa reação, pois é muito difícil conviver com a espera de resposta para as nossas dúvidas. Entretanto, é bom tomarmos consciência que não somos donos do curso da vida.
            A sociedade atual não suporta conviver com a espera e a incerteza. Ela se julga capaz de dominar qualquer situação e ter respostas prontas para tudo. Todavia, sabemos, por experiência própria, que o mistério da vida não é assim. Nossa travessia é cercada de incertezas e, quase sempre, o domínio sobre a realidade escapa das nossas mãos.
            Diante disso, é primordial apreender a conviver com a espera. Não uma espera acomodada, alienada ou desatenta. Mas, uma espera questionante, crítica e ativa como do vigia cuidadoso que aguarda pela chegada da aurora. Essa maneira de ser, ativa e serena, é o caminho mais curto para apontar respostas para as nossas incertezas. Na busca exacerbada e intranqüila pelas respostas, diminuímos a capacidade de bom senso e de equilíbrio, que são essenciais para que a luz resplandeça sobre os conflitos do nosso viver.
            Esse processo de busca, muitas vezes difícil, é uma caminhada enriquecedora, que nos propicia endurecimento e experiência. Semelhante ao processo dinâmico da lagarta que, na pequenez do casulo, se transforma em borboleta multicolorida ou aos movimentos da ostra que produz a pérola de rara beleza.
            Esse modo de ser não se adquire facilmente. Ele vai sendo alinhavado, lentamente, ao longo do nosso caminhar. Esse ponto de equilíbrio diante da vida é dinâmico e tem seus momentos de maior e menor serenidade. Ninguém está imune de ocasiões de instabilidades. Compensa investir nessa maneira de ser, pois ela nos torna mais harmonizados na busca de respostas para nossas incertezas. Guimarães Rosa tem razão, a espera ativa e laboriosa vale mais que entender.

João Bosco de Carvalho
(Belo Horizonte-MG)

domingo, 29 de abril de 2012

"Sonho Compartilhado"

    Essa é a nova edição, recém-lançada, do livro dos Simpatizantes do Carisma Francisclariano da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas. É uma rica fonte de alimento aos simpatizantes trazendo em sua estrutura o Nosso Projeto de formação, textos de espiritualidade, do caminho de Francisco e Clara de Assis e seus peregrinos... e finaliza com poemas e celebrações diversas. Obrigada pelo presente que nos foi enviado no Encontro Regional de Simpatizantes de MG, ontem em Camargos.


    Segue uma das orações nele contida:

Senhor, fazei-nos instrumentos de missão!
Onde encontrarmos pessoas encurvadas, 
que ajudemos a levantar-se.
Onde a injustiça teima em reinar,
que levemos a justiça transformadora da sociedade.
Onde a desigualdade machuca e discrimina pessoas e povos,
que saibamos incluir, respeitar, animar
e valorizar a vida em todas as suas expressões.
Onde os poderosos teimam em dominar a esperança
dos pobres, que levemos organização e conscientização.
Onde mulheres são oprimidas,
que busquemos a igual participação.

Onde a natureza estiver sendo depredada 
que sejamos promotores da irmandade universal,
semeando o cuidado e o respeito com toda criação.
Onde a violência fere tantas pessoas inocentes,
que levemos a tua Paz!

Ó Deus, Fonte de Vida e do Amor,
fortalece nosso compromisso com
os mais pobres e excluídos!
"Levanta-nos" de nossas incertezas
para mergulhar na realidade com ousadia e coragem!
Envia-nos, com tua força,para sermos
anunciadores da esperança e da solidariedade!

Francisco e Clara, que sentistes a presença energizante
e vigorosa de Deus nos leprosos e pobres,
nós vos pedimos que vossa força profética
e inovadora nos inspire no caminho da irmandade!
E nosso coração, ardente de paixão por Jesus Cristo,
prossiga vibrante, na partilha e no abraço universal!

                    (Por Ir. Beatriz Maestri)



III Encontro Regional de Simpatizantes de MG


As Andorinhas

Amo os peixes e os bichos da água
Amo as aves e os bichos do céu
Amo as flores e os seres da terra
Tudo o que vive e se move nela.

Ha sempre andorinhas por onde eu vou 
Brincam no vendo, nas asas do amor
Amo a vida em toda a extensão
Há um São Francisco no meu coração.

As pessoas, as plantas e os animais
São canteiros do mesmo jardim
Querem a alegria, o amor e a paz 
Ao beijo da vida todos dizem sim.

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