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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Fisioterapeutas no Haiti, condição atual


Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de 7,0 graus na escala Richter devastou a pequena nação caribenha do Haiti. Poucas horas após o evento um grande fluxo de ajuda humanitária começou a chegar a capital Porto Principe (Port-au-Prince), por via aérea, marítima e terrestre (através da República Dominicana). Seis meses após o evento, muitos dos detalhes ainda permanecem "preliminares", no entanto sabe-se que pelo menos 220.000 pessoas morreram, e apesar desta incrível contagem, acredita-se que as taxas de mortalidade seriam ainda maiores caso a comunidade internacional não respondesse tão rapidamente. Entre os profissionais que participaram do esforço global pelo Haiti haviam fisioterapeutas de todo o mundo.

MORTALIDADE REDUZIDA RESULTA EM MORBIDADE AUMENTADA


A missão principal das equipes era a de salvar vidas. No caso do Haiti, observou-se que taxas de mortalidade relativamente baixas geraram taxas de morbidade altas (ou seja: muitos sobreviventes sequelados). Estima-se em cerca de 300.000 o número de pessoas feridas durante o terremoto. Entre 2.000 a 4.000 pessoas sobreviveram com amputações, mais de 200 sobreviveram com lesões medulares, e milhares com fraturas. O fato é que o terremoto criou uma população de deficientes físicos. Mesmo antes do terremoto, o Haiti já era um ambiente bastante hostil para o deficiente, tanto no plano social quanto de uma perspectiva estrutural/arquitetônica. A destruição que este terremoto causou fez da acessibilidade e do alojamento para estas pessoas uma questão ainda mais crítica (Fig. 2). Esta demanda por reabilitação não pode ser ignorada. Desta forma, criou-se uma responsabilidade ética e moral da comunidade internacional para também prestar serviços de reabilitação adequados, de forma a garantir algum nível de qualidade de vida para estes indivíduos.


Antes do terremoto, por exemplo, haviam poucas pessoas no Haiti com TRM (trauma raqui-medular - lesão na "coluna"). Devido à baixa prevalência desta condição, poucos locais no Haiti atendiam lesados medulares. Além disso, os profissionais de saúde haitianos tinham pouca experiência com lesões tão complexas. Em comparação com os EUA, que iniciaram sua experiência em reabilitação de traumatismos medulares quando os soldados retornaram após a Segunda Guerra Mundial. Desta forma, os conhecimentos no tratamento das lesões medulares na América do Norte têm sido desenvolvidos ao longo dos últimos 65 anos, enquanto que no Haiti somente após janeiro de 2010.


NÓS PRECISAMENOS DE EQUILÍBRIO ENTRE OS SERVIÇOS HUMANITÁRIOS E PESQUISA



Pode parecer prematuro sugerir a necessidade de pesquisas, dado que muito sofrimento ainda existe no país. No entanto, é preciso compreender melhor os efeitos do terremoto do Haiti. Há duas áreas principais de investigação científica que devem ser realizados neste contexto:A primeira linha de investigação deveria explorar os tipos de lesões que ocorreram como resultado direto do terremoto. Por exemplo, identificar o perfil clínico das pessoas que sobreviveram ao terremoto e principalmente daquelas que sobreviveram com TRM proporcionaria importantes insights sobre a etiologia e o mecanismo das lesões que ocorrem em um desastre desse tipo. Baseados apenas em nossa experiência junto a HHA, suspeitamos que muitas dos sobreviventes com TRM são jovens (menos de 30 anos), possuem poucas co-morbidades, e apresentam lesões vertebrais nos segmentos tóracicos baixos ou lombares altos.Acreditamos que poucos indivíduos com lesões cervicais sobreviveram, pois somente os menos graves poderiam resistir à morosidade do processo de triagem e posterior transferência entre as várias instalações em todo o Haiti. O perfil dos pacientes é provavelmente diferente daqueles vistos no Canadá ou nos Estados Unidos, estas características poderiam ser utilizadas no planejamento do socorro a futuras emergências desta natureza. Por exemplo: antes de iniciar a avaliação dos pacientes haiitianos com TRM, acreditávamos que os cuidados com as úlceras de pressão seriam uma área prioritária, porém observamos que as úlceras de pressão (em sua maioria na fase IV) estavam sendo bem administradas, enquanto faltavam cuidados em relação ao intestino e bexiga.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ajuda ao Povo do Haiti


Irmãs, Irmãos, simpatizantes do carisma francisclariano, amigos e amigas, colaboradores...

No dia 12 de janeiro deste ano, foi dizimado pelo forte terremoto que deixou pelo menos 200 mil mortos, 300 mil feridos, um milhão de desabrigados e destruiu a já precária infraestrutura do país. Hoje, cerca de 80% das pessoas sobrevivem abaixo da linha da pobreza e , desesperadamente, brigam por um prato de comida ou tentam deixar o país.

Religiosas/os da América Latina estiveram no Haiti e algumas continuam lá em solidariedade ao povo. Ir.Tereza Albanez e eu Ir.Carmela Panini, tivemos a graça, em outubro (na semana do anúncio da epidemia do cólera), de poder fazer uns dias de experiência em emio aquele povo. O que vimos? Fome estampada nos corpos magérrimos das pessoas, tanto de adultos quanto das crianças qeu, ao nos ver, de longe estendiam a mão implorando leite para os filhinhos ou água e comida... vimos multidóes de pessoas ao longo das ruas tentando vender alguma peça de roupa, algumas frutas, feixes de lenha... muitas pessoas mutiladas, com bengalas ou cadeira de rodas. Vimos milhares de tendas e barracas - uma 'colada' na outra, cheias de gente sem água, sem alimentos, sem luz, sem condições sanitárias. As autoridades afirmam que um milhão de pessoas está ainda debaixo de lonas e tendas.Vimos grande parte das casas, prédios, templos... ruídos ao chão e outras com grandes rachaduras. Olhando as multidões que perambulam desnorteadas, sem-eira-nem-beira, nos pareciam 'ovelhas sem pastor'.

Apesar de tanto sofriment, nesse complexo caótico, vimos muitos gestos solidários: pessoas abrigando vizinhos debaixo dos escombros qua sobraram, pessoas partilhando cama, carona ou cuidadndo de mutilados. Escolas e Colégios entulhando as salas de aula com a acolhida de alunos de outros complexos escolares que ruíram.

As três Irmãs brasileiras enviadas ao Haiti pela CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil), realizarão seus projetos (meio ambiente, horta comunitária, Pastoral da criança e saúde e trabalhaos manuais com grupos de mulheres no setor Canaã - uma ocupação com 40 mil pessoas). Ao visitarmos os franciscanos OFM ficamos mutuamente felizes: nós com a notícia de que eles já estão desenvolvendo um projeto ecológico nessa ocupação, e eles, por saberem que nossas Irmãs também escolheram aquela área como nossa missão. Encontramos também muitas pessoas de outros países prestando serviço voluntário e gratuito. Pessoas que escutaram gemidos, tiveram compaixão e coragem de sair de si e de ir ao encontro.

Em consequência da história de empobrecimento do país, muitas pessoas já não têm acesso a sequer um prato de arroz ao dia. Alimentam-se quase só de 'biscoitos de barro' (argila, água, uma pitada de sal e um pouco de margarina).Após amassar os ingredientes, fazem as pequenas porções e as colocam para secar ao sol.





As mulheres e as crianças os vendem nas ruas ou nos mercados e, com o trocado, compram leite para os bebês ou alimentos para a família. Disse uma jovem, com seu bebê no colo: “quando minha mãe não tem outra coisa para cozinhar nós nos alimentamos só com esses biscoitos, três vezes ao dia”. E acrescentou: “mas os biscoitos me dão dores de estômago e diarréia e quando amamento até mesmo o bebê sofre de cólicas intestinais”.

Nossas irmãs que moram e trabalham na fronteira do Haiti e República Dominicana, e que diarimente se deparam com a chegada de mais haitianos refugiados, têm nos ouvidos o constante gemido: “Estamos com muita fome, perdemos tudo: familiares, o casebre, a lavoura, os animais domésticos, a saúde... não temos sequer sementes para plantar”.

Aqui no Brasil também tivemos, neste ano, regiões fortemente atingidas por vendavais, secas prolongadas,enchentes... Lembro especialmente do povo dos Estados de Alagoas e Pernambuco. Nós, Irmãs Catequistas Franciscanas, estamos presentes, de forma solidárias, ajudando a população de Palmares (Pernambuco) na reivindicação de seus direitos sociais e de políticas públicas favoráveis, a fim de que recuperem ânimo de viver.




O tempo de advento é sempre um período propício á solidariedade, á partilha e comunhão entre familiares, amigos, vizinhos e povo em geral. Nós, cristãos e cristãs, tempo também o bom costume de fazer “campanhas de advento” em favro de pessoas empobrecidas, carentes e, de algum modo, necessitadas.
Nossa proposta é de fazermos, neste advento, em cada grupo, nas comunidades, entre amigos e pessoas de boa vontade a campanha do alimento: “Leite para os bebês e sementes de verduras e frutas, de feijão, milho e arroz... para semear”.O dinheiro arrecadado será enviado (através de uma nossa irmã), uma parte ao povo haitiano, refugiado na República Dominicana (onde nossas irmãs estão em missão), e outra parte ao povo de Palmares onde também temos uma comunidade de irmãs. Será nossa expressão de NATAL SOLIDÁRIO com esses povos. Assim, a nossa partilha produzirá frutos e incluirá ao redor de nossa mesa pessoas que sobrevivem das migalhas. E nossos olhos verão e poderemos cantar, não só “Glória a Deus nas alturas” e uma Noite Feliz no céu, mas o amanhecer de um novo dia de Paz na terra do Haiti e no chão de Palmares.

Se você quiser colaborar fale com a pessoa que está coordenando essa campanha. O amor não tem fronteiras. Desejamos que nossa comunhão solidária nos ajude a celebrar a Boa-Nova do Natal e seja fonte de Vida para esses povos que querem viver!

A você e sua família um alegre e significativo NATAL, com São Francisco e Santa Clara e um abençoado 2011.

Coordenadora em MG: Ir. Alzira Munhoz (31) 3024-4053
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