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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Um dia no Haiti

Oração da tarde


Neste momento partilhamos com vocês a oração de um só dia trabalho.

Um só dia de trabalho é suficiente para o corpo solicitar aos olhos a passagem das dores através das lágrimas, na esperança de no dia seguinte ter a força para continuar indo ao encontro dos marginalizados.

Ao chegarmos ao local de trabalho (uma das áreas de 30 mil tendas – corail, uma criança de 10 anos veio ao nosso encontro convidar-nos a ir visitar sua família. Ao entramos em sua pequena casa feita de madeira (miniatura), encontramos seu pai muito doente e dizer para nós: ‚sinto dores profundas no estomago, ele se cola. Sinto que ele toca um lado no outro causando dores fortíssimas, pois, não temos o que comer desde muito tempo‛.

Ao ouvirmos o relato vimos e sentimos Jesus sendo preso, sendo crucificado, em poucos dias morto e jogado entre o lixo sem uma verônica para enxugar o seu rosto, sem um Cirineu para ajudar a carregar sua cruz, sem um José de Arimateia para pedir o seu corpo e retirá-lo da cruz, envolvê-lo em pano de linho e dá-lhe uma sepultura digna.

Em outra área de trabalho, a Irmã partilha sua experiência, ela conta: ‚não fui capaz de presenciar uma mãe chegar com sua criança de aproximadamente um aninho envolvida em um pana, colocá-lo sobre o lixão cavar com um facão o lixo e lá colocar o corpo do seu filhinho que havia morrido pela falta de alimentação, higiene, habitação, assistência médica e enterrado sem nenhuma dignidade humana‛.

Este, foi mais um cidadão haisiene que nunca foi visto e nunca será contada por suas autoridades políticas e eclesiásticas”.

Ainda em uma das áreas de tendas, uma mãe entra com três crianças, duas dela e uma da vizinha e diz: ‚meus filhos já não tem mais vontade de comer, faço a comida e eles dizem ‘não tenho fome’, vão a escola e não guardam nada que fala o professor . Eles não tem ‘memória’”. Outra mãe entra com uma pré-adolescente e diz ‚ela não tem cabeça, nada do que fala o professor é por ela compreendido, peço-lhe para ir comprar um objeto, volta mais de uma vez para perguntar o que lhe mandei comprar e ás vazes volta ainda sem o objeto que lhe pedi‛. Fala à adolescente: ‚sinto muita dor de cabeça, dói meu estomago, varias vezes sai sangue do meu nariz, sinto tontura e perco visão‛.

Outra criança de nove anos diz “Drª em Nova York tem comida? Então eu quero ir para lá, Drª não consigo mais pensar, não tenho mais cabeça, ouço o professor mas não entendo o que ele fala, por isso não quero mais estudar, quero ir para Nova York

doutora‛. Outra criança de seis anos de idade, depois de 10 minutos de silêncio, a interrompi perguntando:

– o que pensa?

Ela respondeu-me,

- ‚em uma pessoa, ela está muito longe‛.

– quem é esta pessoa?

- ‚Ela é meu pai, vivo com uma mulher, não sei se ela vai dar comida prá gente hoje. Dormi sem comer, acordei e fui à escola e agora o professor mandou vim me consultar‛.

Já era treze horas e trinta minutos (13:30hs) quando foi atendida a mais pequena cidadã haisiene, que também não sabe o dia que vai aparecer alguma coisa para comer e vive sempre na incerteza, tão pequena e já experimenta a dor profunda da injustiça da concentração de renda, da desumanidade.

A cada relato ouvi e vi Jesus pregado na cruz dizer: “Pai, Pai por que me abandonaste”?

Passando pelo centro da capital Port-au-Prince presenciamos locais onde se faz comida, tipo cozinha popular, no mesmo local realiza-se o abate de animais, o espaço era totalmente coberto de lixo, lama, esgoto, todo tipo de sujeira, a mesa para o corte da carne era o chão coberto de lixo e lama espalhada na rua.

Outra dupla de irmãs que na volta das atividades encontram mulheres e idosos suplicando trabalho e/ou comida, pois, já não suportam mais a dor da fome. Aqui partilhamos o grito de Raquel que não quer mais ser consolada, pois, seus filhos já não existem mais.

Outra dupla partilha as ressonâncias de uma dinâmica feita num grupo de formação. Dinâmica: o que você faria ou diria a Jesus se ele entrasse nesta sala agora? A maioria das pessoas disseram que iriam embora com Jesus, pois, a vida aqui é muito sofrida e elas não vem mais saídas, a única é sair desta realidade.

A oração é para nós o momento onde partilhamos as experiências do dia, aqui as lagrimas não são contidas mais elevadas em forma de preces a Deus para receber forças e luzes para o dia seguinte.

Comunidade brasileira missionária no Haiti.

Pela comunidade

Ir. Marcelina.

Port-au-prince, 16 de maio 2011

domingo, 19 de junho de 2011

Dia Mundial do refugiado - Estatuto gera conflito no acolhimento de haitianos

Camila Maciel
Jornalista da Adital

"Depois de um ano e meio do terremoto (no Haiti), mais de um milhão de pessoas seguem vivendo em campos de desabrigados (...). Isso, provavelmente, provocou um aumento notável da migração para América Latina”, a afirmação é da ONG Entreculturas e do Serviço Jesuíta a Refugiados (SJR). Ela descreve uma prática que tem pelo menos três mil anos: o acolhimento de refugiados em terras estrangeiras. Tal prática será lembrada no próximo dia 20, com o Dia Mundial dos Refugiados, estabelecido pelas Nações Unidas em 2001.

O devido acolhimento, no entanto, não está acontecendo de forma pacífica nos países que recebem os haitianos. Entreculturas e SJA criticam a ambiguidade que manifestam os governos na hora de aplicar o Estatuto do Refugiado, o qual foi aprovado na Convenção de Genebra em 1951. "Essas pessoas seriam ‘refugiados’ ou ‘migrantes econômicos’?”, questiona a ONG. Diante dessa dúvida, as autoridades evitam oferecer assistência e proteção, ao mesmo tempo em que endurecem suas políticas migratórias para blindar suas fronteiras.

O Estatuto estabelece que refugiado é alguém que "temendo ser perseguido por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, se encontra fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou, em virtude desse temor, não quer valer-se da proteção desse país”.

Nesse sentido, de acordo com a Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), refugiados e migrantes, mesmo que viajem da mesma forma com frequência, são fundamentalmente distintos. Por essa razão, são tratados de maneira muito diferente perante o direito internacional.

É essa "interpretação restritiva”, de acordo com Entreculturas e SJA, que está gerando dificuldade para o acolhimento dos haitianos. Nas proximidades do Dia Mundial do Refugiado, esse impasse vem resultando em violações relevantes aos direitos humanos dessa população, como o tráfico de pessoas. Seduzidos por falsas promessas de estudo e trabalho, haitianos são vítimas de redes de tráfico durante seu trânsito a outros países.

A organização Anistia Internacional (AI), por sua vez, manifesta outra interpretação para o Estatuto. Ela também reconhece como refugiados, pessoas que tomam a difícil decisão de deixar seus lares diante de situações de "guerra, perseguição, desastres ambientais, pobreza”, dentre outras razões.

"As pessoas refugiadas deixam seu país porque não lhes resta outra opção e porque temem por sua vida, sua segurança ou por sua família. Também fogem (...) quando seu governo não quer ou não pode protegê-las de graves abusos contra os direitos humanos”, explica AI. Terremoto, epidemia de cólera, passagem de furacões são situações vivenciadas no Haiti, que provocam a fuga e a busca por um novo futuro.

Atividades no Dia Mundial do Refugiado

O dia 20 de junho será marcado por diversas atividades pelo mundo. As Nações Unidas trabalham este ano com a Campanha "Vamos calçar os sapatos dos refugiados e dar o primeiro passo para entender sua situação”. Como parte da Campanha, a ACNUR apresentará o relatório ‘Tendências Globais 2010’, com as últimas estatísticas mundiais sobre asilo e refúgio.

Também no dia 20, a Anistia Internacional realiza um ato na Praça das Armas, em Santiago do Chile, a partir das 20 horas. O objetivo é mostrar imagens e testemunhos de maneira a expor a grave situação de refugiados no mundo.

No México, a organização Iniciativa Cidadã para a Promoção da Cultura do Diálogo realiza um Festival Cultural, de 16 a 26 de junho, com propósito de "mostrar o grande valor e contribuições das pessoas refugiadas no México, animando a população a exercer o respeito e a solidariedade”, diz a nota de divulgação.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Agradecimento - Campanha Pró-Haiti

 “Lembrem-se de ser generosos/as, saibam repartir os bens com os pobres, porque são essas oferendas que louvam a Deus” (Hebreus  13,16).
“Recomendo-vos que vos lembreis dos pobres e necessitados; o que também procurei sempre fazer com grande diligência”
(Gálatas  2,10).


 Queridas/os simpatizantes do carisma francisclariano e demais pessoas amigas e colaboradoras.
No mês de dezembro de 2010, iniciamos uma campanha de advento solidário para ajudar a socorrer o povo haitiano em suas necessidades emergenciais. E agora voltamos, com o coração agradecido, para dizer: muito obrigada por sua generosa colaboração, que será traduzida em leite, água potável, grãos para semear..., que irão contribuir para saciar a fome e possibilitar vida mais digna ao povo haitiano. Nossa campanha em Minas Gerais rendeu o total de R$ 20.419,00.

 Essa experiência nos lembra que na história humana há edificantes testemunhos de solidariedade e compaixão com pessoas fragilizadas e empobrecidas. Os autores bíblicos falam com veemência da dádiva aos necessitados da partilha do pão e dos bens com os pobres, os órfãos, as viúvas, os migrantes. Diz Isaias:

Se abrires a tua alma ao faminto e o fartares, tua luz brilhará nas trevas... O Senhor estará sempre a teu lado, te fartará até em lugares áridos e fortificará os teus ossos” (Is 58,7-11).

Jesus não consegue anunciar o Reino de Deus e sua justiça sem dar preferência aos pobres, aos despossuídos de tudo. Ele se apresenta como o profeta da misericórdia de Deus, fazendo-se um com os últimos. Às pessoas sensíveis, que reagem com compaixão diante dos necessitados, Jesus fala:

 “Benditos sois vós, porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estava nu e me vestistes, era estrangeiro e me acolhestes, estava doente e me visitastes” (Mt 25,31-46).

Nesse relato, Jesus nem fala de justiça, mas das necessidades emergenciais: comida, água, roupa, teto... Fala de atitudes bem concretas: dar do que se tem, acolher, visitar, socorrer. Para Ele, o decisivo não é um amor teórico, mas a compaixão prática que socorre enquanto é tempo para recuperar a vida do povo fragilizado. É o amor compassivo que está na origem de toda a sua atuação no meio do povo. A compaixão não é para ele uma virtude entre as outras. Ele vive impregnado pela misericórdia: dói-lhe o sofrimento das pessoas. Nada o detém quando se trata de aproximar-se dos que sofrem e empenhar-se em favor deles.

Numa sociedade onde há multidões mergulhadas na fome e na miséria, como a do Haiti, abrem-se para nós duas alternativas: manter a frieza e a indiferença diante do sofrimento alheio ou despertar o coração, mexer as mãos e envolver-se para ajudar a mudar a sorte daquele país. Foi este o apelo de misericórdia que o povo haitiano nos fez no advento, ao qual muita gente respondeu com edificante empenho. Tanto por parte de irmãs e simpatizantes, quanto por parte de outras pessoas e comunidades, houve emocionantes provas de sensibilidade, solidariedade e partilha. Alguns depoimentos nos dão testemunho disso: “Fizemos muito mais do que uma campanha financeira para o Haiti”. “Conseguimos envolver centenas de pessoas através de grupos de economia solidária, grupos de reflexão, da rádio e do Informativo Paroquial”. “O conteúdo da carta nos permitiu dias de reflexão, de retiro, de contemplação de Jesus pobre e encarnado entre os mais pobres”. “Nesta campanha nos sentimos missionários/as, com as mãos na massa e os pés no chão”. “Para nossa confraternização de natal fizemos biscoitos de argila – para estar mais em comunhão com os haitianos. Foi uma experiência inesquecível...!”

Essas declarações nos deixam emocionadas e nos fazem entender melhor a postura de Jesus diante dos discípulos, quando estes lhe pediram para mandar para casa a multidão de gente faminta que o seguia. Ao invés de despedir o povo, Jesus comprometeu os apóstolos dizendo-lhes: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. E fez a multiplicação dos cinco pães e dos dois peixes. Nenhuma pessoa voltou para casa com fome e ainda sobraram doze cestos de alimento.

“Ver e ter compaixão é que faz a diferença
Um olhar compassivo muda tudo...
Aventurar-se a um olhar nascido nas entranhas da compaixão
é um caminho sem volta,
pois, quando nos deixamos tocar pela beleza humana machucada,
nunca mais seremos as mesmas pessoas.

Nunca mais poderemos chegar perto,
sem abrir o coração, a mente e as mãos
para acolher o invisível e,
com paixão, buscar juntas/os construir a esperança
compassiva e transformadora.

Ver e ter compaixão é deixar-se possuir
pela dor alheia, ser tomadas/os pelo "vírus" da solidariedade
e ir "contaminando" a humanidade, gota a gota,
acreditando que de "Nazaré" poderá sempre sair coisa boa.

Ver e ter compaixão
é ver a beleza da flor na casca dura da semente!!!
É sentir a ternura da irmandade dissolvendo a frieza do individualismo.
É reconhecer as "lepras" existentes e, num abraço
terno e comprometedor, curar mutuamente as feridas e
compartilhar a dignidade refeita”.
 (Irmã Carmelita Zanella).

A cada pessoa que se envolveu na campanha, que deu de seu tempo, seu pão, seu feijão e arroz, abdicou de um presente de natal... enfim, estendeu sua mão solidária em favor das crianças, das pessoas órfãs, mutiladas, famintas e desamparadas do Haiti, nossos sinceros agradecimentos. Que Deus os/as abençoe sempre! E que São Francisco e Santa Clara inspirem sempre a sua caminhada.
                                  
                                                                      
Irmã Carmela Panini
Irmã Alzira Munhoz
Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Aos grupos simpatizantes do carisma francisclariano de MG

Queridas, queridos, PAZ e BEM!

Após dois meses do nosso último encontro em preparação ao natal, cá estou eu para partilhar algumas coisas que aconteceram nesse período. Aliás, para mim nem parece que foi tempo de férias, tantos foram os compromissos. Mas, graças a Deus, alguns foram concluídos e assim posso respirar um pouco mais tranquila.

Em primeiro lugar uma boa notícia: Em nossa assembleia do mês de janeiro em Santa Catarina tivemos a alegria de ter o lançamento do livro "Cores da Vida", sobre os 25 anos de nossa missão em Angola. Foram dois anos de intenso trabalho de uma equipe de irmãs, da qual fiz parte. Esse trabalho, algumas vezes foi regado de lágrimas diante de depoimentos comoventes, e outras vezes de sorrisos pelo humor que algumas narrativas trazem. Testemunho belíssimo de muitas de nossas irmãs. Vale a pena ler o livro. Em breve vocês terão acesso a ele.

Outro trabalho concluído com êxito foi o do novo Regulamento Provincial, que também durou dois anos e foi realizado por uma equipe de irmãs, da qual também fiz parte. A missão é o eixo condutor desse documento. O novo é que pela primeira vez, os grupos de simpatizantes foram contemplados por um documento provincial desse tipo.

A terceira notícia boa é a abertura de novas frentes missionárias pela nossa província: em Indaial – SC, num bairro da periferia da cidade que está em expansão, e em Itaobim, no Vale do Jequetinhonha. Para começar a missão em Itaobim irão Ir. Elsa e Ir. Adenir. Ainda não sabemos exatamente o dia da partida delas, mas já está confirmado que será no mês de março.
Outra boa notícia é que em julho (de 25 a 30) nossa província realizará, em Rodeio, Santa Catarina, um retiro com Ir. Ivone Gebara. Esse retiro está aberto para a participação de Simpatizantes do Carisma Francisclariano. Quem deseja participar precisa reservar logo sua vaga, pois esse retiro é muito disputado e também está aberto à participação de outras províncias.

Em outubro (dias 1 e 2) acontecerá em Rodeio – SC o encontro provincial de todos os grupos francisclarianos que caminham conosco. Todos os grupos de Minas Gerais estão convidados.  É a primeira vez que os grupos da região de Minas Gerais, São Paulo e Goiás são convocados a participar de um encontro provincial. Esperamos que haja uma boa participação de nossos grupos.

E agora uma notícia que todas/os vocês devem estar esperando: o resultado da campanha pró-Haiti. Comunico que a rifa do celular rendeu R$ 4.950,00 . Foi muito importante e louvável o esforço de cada pessoa que comprou e/ou vendeu os carnês. As pessoas que aderiram e apoiaram esta iniciativa foram muitas/os e de várias localidades: BH, Contagem, Ipatinga, Timóteo e Ribeirão Preto, Blumenau, Presidente Getúlio, Maracaí. Agradeço de coração todo o apoio e ajuda. Foi uma demonstração de solidariedade muito bonita. Muitas pessoas já tinham participado de outras campanhas pró-Haiti e mesmo assim não se recusaram colaborar. Os testemunhos e as lições de vida que presenciamos foram exemplos que nos questionaram bastante. Por ex. um casal de aposentados com apenas um salário mínimo doou R$ 200,00, imediatamente ambos receberem o pagamento mensal. Só depois foram na farmácia comprar seus remédios. E assim, presenciamos outros testemunhos belíssimos que nos tocaram profundamente. Houve pessoas que doaram apenas R$ 1,00 mas com uma generosidade tamanha que nos lembrou a oferta da viúva do evangelho. Infelizmente, também encontramos pessoas frias, egoístas, insensíveis, que se esquivaram jogando a culpa no governo ou alegando outras motivações mesquinhas para não colaborar. Graças a Deus que foram poucas.

A prova concreta da importância desta campanha e de como ela tocou as pessoas é que as colaborações espontâneas, além da rifa, nos surpreenderam: R$ 14.839,00 até o momento atual. E as doações espontâneas ainda estão chegando. Nossa previsão é alcançarmos R$ 20.000,00. No final deste mês, Irmã Dalvani, uma nossa irmã nordestina, irá trabalhar no Haiti e levará nossa singela, mas importante contribuição para os projetos de hortas comunitárias e de leite para as crianças. Mais uma vez, obrigada de coração a todas as pessoas que participaram com tanto amor e esforço desta iniciativa. Afinal, esta é uma forma concreta de cada pessoa sentir-se concretamente solidária/o e envolvida/o Evangelho (Mt 25,31s.) e com a vida e missão das Irmãs Catequistas Franciscanas em favor dos mais deserdados da sociedade.

Agora vamos à nossa programação para 2011. Nosso próximo encontro está previsto para o próximo dia 19 de março às 14 horas em Camargos.
Nosso retiro em preparação à páscoa foi pensado (aliás, pensamos: Beth, Lindalva, eu e Dora) para o dia 21 de abril, quinta-feira santa, que também é feriado de Tiradentes. Como não consultamos cada uma e cada um de vocês, pergunto: é possível que esse retiro seja realizado nesse dia ou vocês preferem que seja na sexta-feira, dia 22 ou no sábado santo, dia 23?

É bom lembrar que esta programação só vale para os grupos de BH. Para os grupos de Ipatinga e Timóteo vamos marcar outra data.

 Um abraço bem francisclariano a cada um e cada uma de vocês, com a companhia de São Francisco e Santa Clara. Tenham uma boa semana, muito abençoada e inspirada.

Com carinho, Alzira.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Honra e Respeito para o Haiti

No Haiti, ao cumprimentar-se não se diz “bom dia, bom dia” como aqui no Brasil, uma pessoa diz “Honra” e a outra responde “Respeito”, isso reflete os valores daquela sociedade que se indigna no menor sinal de injustiça.

Mas no olhar estrangeiro o Haiti continua sendo alvo de observações humilhantes, tais como dizer que o estupro e abuso de crianças em tendas de desabrigados é algo comum. “Posso testemunhar, no entanto, que em Kay Nou, centro comunitário do Viva Rio em Bel Air, que abrigou cerca de 2 mil pessoas entre 12 de janeiro e 8 de abril, foram raras as situações de violência doméstica.Temos uma brigada de 30 pessoas (...) que cuidam da ordem no campo sob a nossa gestão que contabilizaram menos de 3% desse crime. Fala-se de banditismo em Porto Príncipe como se fosse terra de ninguém.Bel Air é considerada Zona Vermelha, de acesso restrito a UNICEF ou PNUD (Nações Unidas para o Desenvolvimento).Mas após o Acordo de Paz entre facções da região, negociado pelo Viva Rio a violência tem diminuído sensivelmente.Em 2009, foram registrados 17 homicídios por 100 mil habitantes,taxa menor que encontrada em cidades como Kingston, Bogotá ou Rio de Janeiro.” O acordo é interessante porque premia com bolsas de estudo os bairros em que não estão ocorrendo homicídios e tem adesão geral da população. “Quando não há conflito, todos os bairros ganham, mas na violência, todos perdem, na importa onde, por quem e por que ela começou.” Em 2009 foram 4 meses sem nenhum homicídio.

O grande problema dessas cidades é que após o terremoto os grupos que evadiram das prisões, ocuparam certas regiões e trouxeram novamente os assaltos armados, disputa de facções,ataques a policiais...E as próprias lideranças do “Acordo de Paz” sentiram-se ameaçadas. Mas há um grande desejo de Paz que encontra seus parâmetros na linguagem dos Direitos Humanos.Há um grande avanço, “mas não pretendo projetar falso otimismo sobre as condições atuais de segurança no Haiti. As instituições são frágeis e os ganhos obtidos podem ser rapidamente perdidos.A resistência ás externalidades negativas carece de substância.

Agora é seguir-se a recuperação e reconstrução. A corrente de solidariedade não alcançaria os seus objetivos não fora o trabalho e a habilidade dos ativistas haitianos, que se organizam para bem receber e distribuir os bens que lhes chegam de toda parte.

Partes do texto de Rubem Cesar Fernandes (diretor executivo da ONG Viva Rio). Revista dos Direitos Humanos.n.6.Setembro 2010

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Fisioterapeutas no Haiti, condição atual


Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de 7,0 graus na escala Richter devastou a pequena nação caribenha do Haiti. Poucas horas após o evento um grande fluxo de ajuda humanitária começou a chegar a capital Porto Principe (Port-au-Prince), por via aérea, marítima e terrestre (através da República Dominicana). Seis meses após o evento, muitos dos detalhes ainda permanecem "preliminares", no entanto sabe-se que pelo menos 220.000 pessoas morreram, e apesar desta incrível contagem, acredita-se que as taxas de mortalidade seriam ainda maiores caso a comunidade internacional não respondesse tão rapidamente. Entre os profissionais que participaram do esforço global pelo Haiti haviam fisioterapeutas de todo o mundo.

MORTALIDADE REDUZIDA RESULTA EM MORBIDADE AUMENTADA


A missão principal das equipes era a de salvar vidas. No caso do Haiti, observou-se que taxas de mortalidade relativamente baixas geraram taxas de morbidade altas (ou seja: muitos sobreviventes sequelados). Estima-se em cerca de 300.000 o número de pessoas feridas durante o terremoto. Entre 2.000 a 4.000 pessoas sobreviveram com amputações, mais de 200 sobreviveram com lesões medulares, e milhares com fraturas. O fato é que o terremoto criou uma população de deficientes físicos. Mesmo antes do terremoto, o Haiti já era um ambiente bastante hostil para o deficiente, tanto no plano social quanto de uma perspectiva estrutural/arquitetônica. A destruição que este terremoto causou fez da acessibilidade e do alojamento para estas pessoas uma questão ainda mais crítica (Fig. 2). Esta demanda por reabilitação não pode ser ignorada. Desta forma, criou-se uma responsabilidade ética e moral da comunidade internacional para também prestar serviços de reabilitação adequados, de forma a garantir algum nível de qualidade de vida para estes indivíduos.


Antes do terremoto, por exemplo, haviam poucas pessoas no Haiti com TRM (trauma raqui-medular - lesão na "coluna"). Devido à baixa prevalência desta condição, poucos locais no Haiti atendiam lesados medulares. Além disso, os profissionais de saúde haitianos tinham pouca experiência com lesões tão complexas. Em comparação com os EUA, que iniciaram sua experiência em reabilitação de traumatismos medulares quando os soldados retornaram após a Segunda Guerra Mundial. Desta forma, os conhecimentos no tratamento das lesões medulares na América do Norte têm sido desenvolvidos ao longo dos últimos 65 anos, enquanto que no Haiti somente após janeiro de 2010.


NÓS PRECISAMENOS DE EQUILÍBRIO ENTRE OS SERVIÇOS HUMANITÁRIOS E PESQUISA



Pode parecer prematuro sugerir a necessidade de pesquisas, dado que muito sofrimento ainda existe no país. No entanto, é preciso compreender melhor os efeitos do terremoto do Haiti. Há duas áreas principais de investigação científica que devem ser realizados neste contexto:A primeira linha de investigação deveria explorar os tipos de lesões que ocorreram como resultado direto do terremoto. Por exemplo, identificar o perfil clínico das pessoas que sobreviveram ao terremoto e principalmente daquelas que sobreviveram com TRM proporcionaria importantes insights sobre a etiologia e o mecanismo das lesões que ocorrem em um desastre desse tipo. Baseados apenas em nossa experiência junto a HHA, suspeitamos que muitas dos sobreviventes com TRM são jovens (menos de 30 anos), possuem poucas co-morbidades, e apresentam lesões vertebrais nos segmentos tóracicos baixos ou lombares altos.Acreditamos que poucos indivíduos com lesões cervicais sobreviveram, pois somente os menos graves poderiam resistir à morosidade do processo de triagem e posterior transferência entre as várias instalações em todo o Haiti. O perfil dos pacientes é provavelmente diferente daqueles vistos no Canadá ou nos Estados Unidos, estas características poderiam ser utilizadas no planejamento do socorro a futuras emergências desta natureza. Por exemplo: antes de iniciar a avaliação dos pacientes haiitianos com TRM, acreditávamos que os cuidados com as úlceras de pressão seriam uma área prioritária, porém observamos que as úlceras de pressão (em sua maioria na fase IV) estavam sendo bem administradas, enquanto faltavam cuidados em relação ao intestino e bexiga.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ajuda ao Povo do Haiti


Irmãs, Irmãos, simpatizantes do carisma francisclariano, amigos e amigas, colaboradores...

No dia 12 de janeiro deste ano, foi dizimado pelo forte terremoto que deixou pelo menos 200 mil mortos, 300 mil feridos, um milhão de desabrigados e destruiu a já precária infraestrutura do país. Hoje, cerca de 80% das pessoas sobrevivem abaixo da linha da pobreza e , desesperadamente, brigam por um prato de comida ou tentam deixar o país.

Religiosas/os da América Latina estiveram no Haiti e algumas continuam lá em solidariedade ao povo. Ir.Tereza Albanez e eu Ir.Carmela Panini, tivemos a graça, em outubro (na semana do anúncio da epidemia do cólera), de poder fazer uns dias de experiência em emio aquele povo. O que vimos? Fome estampada nos corpos magérrimos das pessoas, tanto de adultos quanto das crianças qeu, ao nos ver, de longe estendiam a mão implorando leite para os filhinhos ou água e comida... vimos multidóes de pessoas ao longo das ruas tentando vender alguma peça de roupa, algumas frutas, feixes de lenha... muitas pessoas mutiladas, com bengalas ou cadeira de rodas. Vimos milhares de tendas e barracas - uma 'colada' na outra, cheias de gente sem água, sem alimentos, sem luz, sem condições sanitárias. As autoridades afirmam que um milhão de pessoas está ainda debaixo de lonas e tendas.Vimos grande parte das casas, prédios, templos... ruídos ao chão e outras com grandes rachaduras. Olhando as multidões que perambulam desnorteadas, sem-eira-nem-beira, nos pareciam 'ovelhas sem pastor'.

Apesar de tanto sofriment, nesse complexo caótico, vimos muitos gestos solidários: pessoas abrigando vizinhos debaixo dos escombros qua sobraram, pessoas partilhando cama, carona ou cuidadndo de mutilados. Escolas e Colégios entulhando as salas de aula com a acolhida de alunos de outros complexos escolares que ruíram.

As três Irmãs brasileiras enviadas ao Haiti pela CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil), realizarão seus projetos (meio ambiente, horta comunitária, Pastoral da criança e saúde e trabalhaos manuais com grupos de mulheres no setor Canaã - uma ocupação com 40 mil pessoas). Ao visitarmos os franciscanos OFM ficamos mutuamente felizes: nós com a notícia de que eles já estão desenvolvendo um projeto ecológico nessa ocupação, e eles, por saberem que nossas Irmãs também escolheram aquela área como nossa missão. Encontramos também muitas pessoas de outros países prestando serviço voluntário e gratuito. Pessoas que escutaram gemidos, tiveram compaixão e coragem de sair de si e de ir ao encontro.

Em consequência da história de empobrecimento do país, muitas pessoas já não têm acesso a sequer um prato de arroz ao dia. Alimentam-se quase só de 'biscoitos de barro' (argila, água, uma pitada de sal e um pouco de margarina).Após amassar os ingredientes, fazem as pequenas porções e as colocam para secar ao sol.





As mulheres e as crianças os vendem nas ruas ou nos mercados e, com o trocado, compram leite para os bebês ou alimentos para a família. Disse uma jovem, com seu bebê no colo: “quando minha mãe não tem outra coisa para cozinhar nós nos alimentamos só com esses biscoitos, três vezes ao dia”. E acrescentou: “mas os biscoitos me dão dores de estômago e diarréia e quando amamento até mesmo o bebê sofre de cólicas intestinais”.

Nossas irmãs que moram e trabalham na fronteira do Haiti e República Dominicana, e que diarimente se deparam com a chegada de mais haitianos refugiados, têm nos ouvidos o constante gemido: “Estamos com muita fome, perdemos tudo: familiares, o casebre, a lavoura, os animais domésticos, a saúde... não temos sequer sementes para plantar”.

Aqui no Brasil também tivemos, neste ano, regiões fortemente atingidas por vendavais, secas prolongadas,enchentes... Lembro especialmente do povo dos Estados de Alagoas e Pernambuco. Nós, Irmãs Catequistas Franciscanas, estamos presentes, de forma solidárias, ajudando a população de Palmares (Pernambuco) na reivindicação de seus direitos sociais e de políticas públicas favoráveis, a fim de que recuperem ânimo de viver.




O tempo de advento é sempre um período propício á solidariedade, á partilha e comunhão entre familiares, amigos, vizinhos e povo em geral. Nós, cristãos e cristãs, tempo também o bom costume de fazer “campanhas de advento” em favro de pessoas empobrecidas, carentes e, de algum modo, necessitadas.
Nossa proposta é de fazermos, neste advento, em cada grupo, nas comunidades, entre amigos e pessoas de boa vontade a campanha do alimento: “Leite para os bebês e sementes de verduras e frutas, de feijão, milho e arroz... para semear”.O dinheiro arrecadado será enviado (através de uma nossa irmã), uma parte ao povo haitiano, refugiado na República Dominicana (onde nossas irmãs estão em missão), e outra parte ao povo de Palmares onde também temos uma comunidade de irmãs. Será nossa expressão de NATAL SOLIDÁRIO com esses povos. Assim, a nossa partilha produzirá frutos e incluirá ao redor de nossa mesa pessoas que sobrevivem das migalhas. E nossos olhos verão e poderemos cantar, não só “Glória a Deus nas alturas” e uma Noite Feliz no céu, mas o amanhecer de um novo dia de Paz na terra do Haiti e no chão de Palmares.

Se você quiser colaborar fale com a pessoa que está coordenando essa campanha. O amor não tem fronteiras. Desejamos que nossa comunhão solidária nos ajude a celebrar a Boa-Nova do Natal e seja fonte de Vida para esses povos que querem viver!

A você e sua família um alegre e significativo NATAL, com São Francisco e Santa Clara e um abençoado 2011.

Coordenadora em MG: Ir. Alzira Munhoz (31) 3024-4053
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