Иãσ ∂á мαιƨ ραяα яɛcσℓнɛя. Ѵαι ρяσ∂ʋʓιя ғяʋтσƨ!
É ʋмα αтιтʋ∂ɛ ρяσғéтιcα иʋм мʋи∂σ тãσ иɛcɛƨƨιтα∂σ!"
(Alcires Ferrari – Blumenau/SC)
Para beber da fonte francisclariana lembramos que ela brotou em um contexto de Idade Média européia, um período de transição entre o feudalismo e a ascensão da burguesia, ou seja, o capitalismo mercantil. É, portanto, uma conjuntura em movimento, com mudanças profundas nas formas de estabelecer relações, de organizar a produção e de posicionar-se nas camadas sociais. A igreja, ainda “senhora feudal”, uma vez que era proprietária de diversos feudos, está também sofrendo as consequências de tal movimento.
A reflexão se inspirou em algumas imagens:
A primeira delas, Clara e Francisco contemplando o presépio, o Mistério da Encarnação do Verbo. Nela descobrem que o “menino envolvido em faixas e deitado em uma manjedoura” é o grande sinal da presença e fidelidade de Deus para com a humanidade. A partir desta experiência, também eles mergulham profundamente na realidade de sua cidade, e a descobrem diferente do que até então haviam visto. Identificam fissuras e assimetrias. Encontram-se com aqueles que habitam os “porões” de Assis. Diferentemente da forma de vida religiosa que havia até então, baseada na busca da santidade a partir da “fuga do mundo”, o que Francisco e Clara fazem é um movimento de aproximação do “mundo”, compreendendo-o mais profundamente e assumindo nele posicionamentos, tanto eclesiais, quanto políticos e econômicos. Viveram uma fé baseada na solidariedade e na mudança de lugar social. Recriaram relações que, para seu tempo, foram chocantes. Encontrar-se diariamente com leprosos já havia se tornado insuportável para os santos de Assis. A atitude de abandonar a casa dos pais, pela porta da frente ou, quando não foi possível, pela porta dos fundos, pôs em evidência a fragilidade do sistema social e eclesial daquele período: desigualdades, hierarquias e absolutismos.





