Blog destinado ás pessoas que desejam seguir o Caminho de Jesus em irmandade, conforme o projeto de vida de Francisco e Clara de Assis, em sintonia com o jeito que as Irmãs Franciscanas Catequistas procuram vivê-lo e testemunhá-lo em sua espiritualidade, estilo de vida e missão. Surgiu por meio da iniciativa dos simpatizantes do processo de formação no carisma FC de Minas Gerais - Brasil.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Louvores para todas as horas (Por Francisco de Assis)
Começam os louvores que o beatíssimo pai nosso Francisco organizou e rezava em todas as horas do dia e da noite e antes do ofício da bem-aventurada Virgem Maria, começando assim: Santíssimo Pai nosso que estás nos céus etc. com o Glória. Depois digam-se os louvores. 1Santo, santo, santo é o Senhor Deus todo-poderoso, que é e que era e que virá (cf. Ap 4,8). Louvemo-lo e exaltemo-lo por toda a eternidade! (cf. Dn 3,57). 2“Digno sois, Senhor, nosso Deus, de receber o louvor, a glória e a honra e o poder” (cf. Ap 4,11). Louvemo-lo e exaltemo-lo por toda a eternidade! 3Digno é o Cordeiro que foi imolado, de receber o poder e a riqueza, a sabedoria e a fortaleza, a honra, a glória e a bênção (Ap 5,12). Louvemo-lo e exaltemo-lo por toda a eternidade! 4Bendigamos ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo! (breviário romano). Louvemo-lo e exaltemo-lo por toda a eternidade! 5Obras do Senhor, bendizei todas o Senhor! (Dn 3,57). Louvemo-lo e exaltemo-lo por toda a eternidade! 6Louvai o nosso Deus, vós todos, seus servos, vós que o temeis, pequenos e grandes! (cf. Ap 19,5). Louvemo-lo e exaltemo-lo por toda a eternidade! 7Celebrem-no em sua glória os céus e a terra e (cf. Sl 68,5). Louvemo-lo e exaltemo-lo por toda a eternidade! 8toda criatura que há na terra, no céu, debaixo da terra e no mar, e tudo quanto nele existe! (cf. Ap 5,13). Louvemo-lo e exaltemo-lo por toda a eternidade! 9Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Louvemo-lo e exaltemo-lo por toda a eternidade! 10Assim como era no princípio, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Louvemo-lo e exaltemo-lo por toda a eternidade! 11Onipotente, santíssimo, altíssimo e soberano Deus, que sois todo o bem, o sumo bem, a plenitude do bem, que só vós sois bom (cf. Lc 18-19), nós vos tributamos todo o louvor, toda a glória, toda a ação de graças, toda a exaltação e todo o bem. Assim seja! Assim seja! Amém. Fontes Franciscanas (livro) |
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Francisco de Assis: um projeto de vida para nossos tempos
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Francisco de Assis (1181 - 1226)
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| S.Francisco de Portinari, Igreja Pampulha - BH |
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Francisco e Clara - mergulhados na realidade de sua cidade
Иãσ ∂á мαιƨ ραяα яɛcσℓнɛя. Ѵαι ρяσ∂ʋʓιя ғяʋтσƨ!
É ʋмα αтιтʋ∂ɛ ρяσғéтιcα иʋм мʋи∂σ тãσ иɛcɛƨƨιтα∂σ!"
(Alcires Ferrari – Blumenau/SC)
domingo, 28 de agosto de 2011
O cântico da Fraternidade Cósmica - "Oração pela Paz de São Francisco"
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Oração de São Francisco para nossos dias! por Beatriz Maestri
Senhor, fazei-nos instrumentos de missão!
Onde encontrarmos pessoas encurvadas, que as ajudemos a levantar-se.
Onde a injustiça teima em reinar,
que levemos a justiça transformadora da sociedade.
Onde a desigualdade machuca e discrimina pessoas e povos,
que saibamos incluir, respeitar,
animar e valorizar a vida em todas as suas expressões.
Onde os poderosos teimam em dominar a esperança dos pobres,
que levemos organização e conscientização.
Onde as mulheres são oprimidas e exploradas,
busquemos a igual participação e sua valorização.
Onde a natureza estiver sendo depredada,
que sejamos promotores/as da irmandade universal,
semeando o cuidado e o respeito com toda criação.
Onde a violência fere tantas pessoas inocentes,
que levemos a tua Paz!
Ó Deus, Fonte da Vida e do Amor,
fortalece nosso compromisso com os mais pobres e excluídos!
Recria e fortalece nosso sonho por uma nova economia,
e que nossas lutas contribuam com a economia solidária,
respeitadora da vida em todas as suas formas
e na gestação de novas relações.
“Levanta-nos” de nossas incertezas
para mergulhar na realidade com ousadia e coragem!
Envia-nos, com tua força,
para sermos anunciadoras/es da esperança e da solidariedade!
Que nosso coração, sempre encantado por Jesus Cristo
e comprometido com a construção de seu Reino de justiça e fraternidade,
prossiga vibrante, na partilha e no abraço universal!
(Ir.Beatriz Maestri)
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Cântico do Irmão Sol ou das Criaturas
A penúltima estrofe, que exalta o perdão e a paz, foi composta em Julho de 1226 no palácio episcopal de Assis, para pôr fim a uma desavença entre o Bispo e o Prefeito da cidade. Estes poucos versos bastaram para impedir a guerra civil.
A última estrofe, que acolhe a morte, foi composta no começo de Outubro de 1226).
Altíssimo, onipotente e bom Deus,
Teus são o louvor, a glória, a honra
e toda benção.
Só a Ti, Altíssimo, são devidos,
e homem algum é digno
de Te mencionar.
Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as Tuas criaturas.
Especialmente o irmão Sol,
que clareia o dia
e com sua luz nos ilumina.
Ele é belo e radiante,
com grande esplendor
de Ti, Altíssimo é a imagem.
Louvado sejas meu senhor,
pela irmã Lua e as Estrelas,
que no céu formastes claras,
preciosas e belas.
Louvado sejas meu Senhor,
pelo irmão Vento,
pelo ar ou neblina,
ou sereno e de todo tempo
pelo qual as Tuas criaturas dais sustento.
Louvado sejas meu Senhor,
pela irmã Água,
que é muito útil e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas meu Senhor,
pelo irmão Fogo,
pelo qual iluminas a noite,
e ele é belo e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas meu Senhor,
pela nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e nos governa,
e produz frutos diversos,
e coloridas flores e ervas.
Louvado sejas meu Senhor,
pelos que perdoam por teu amor
e suportam enfermidades e tribulações.
Bem aventurados os que sustentam a paz,
que por Ti, Altíssimo serão coroados.
Louvado sejas meu Senhor,
pela nossa irmã a morte corporal,
da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
conforme à Tua Santíssima vontade,
porque a segunda morte não lhes fará mal.
Louvai e bendizei a meu Senhor,
e daí lhes graças
e servi-O com grande humildade.
Amém
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
A mensagem franciscana do presépio
Não é de se discutir se o fato é verídico ou legendário, pois Francisco de Assis foi um apaixonado pelo modo como Deus fez morada no mundo dos humanos, e certamente, mais do que palavras quis mostrar o maior evento de todos os tempos: na carne de um Menino, Deus está para sempre no meio de nós. Vejamos o texto das Fontes Franciscanas:
“A mais sublime vontade, o principal desejo e supremo propósito dele era observar em tudo e por tudo o Santo Evangelho, seguir perfeitamente a doutrina, imitar e seguir os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo com toda a vigilância, com todo o empenho, com todo o desejo da mente e com todo o fervor do coração. Recordava-se em assídua meditação das palavras e com penetrante consideração rememorava as obras dele. Principalmente a humildade da encarnação e a caridade da paixão de tal modo ocupavam a sua memória que mal queria pensar outra coisa. Deve-se, por isso, recordar e cultivar em reverente memória o que ele fez no dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, no terceiro ano antes do dia de sua gloriosa morte, na aldeia que se chama Greccio. Havia naquela terra um homem de nome João, de boa fama, mas de vida melhor, a quem o bem-aventurado Francisco amava com especial afeição, porque, como fosse muito nobre e louvável em sua terra, tendo desprezado a nobreza da carne, seguiu a nobreza do espírito. E o bem-aventurado Francisco, como muitas vezes acontecia, quase quinze dias antes do Natal do Senhor, mandou que ele fosse chamado e disse-lhe: ‘Se desejas que celebremos, em Greccio, a presente festividade do Senhor, apressa-te e prepara diligentemente as coisas que te digo. Pois quero celebrar a memória daquele Menino que nasceu em Belém e ver de algum modo, com os olhos corporais, os apuros e necessidades da infância dele, como foi reclinado no presépio e como, estando presentes o boi e o burro, foi colocado sobre o feno’. O bom e fiel homem, ouvindo isto, correu mais apressadamente e preparou no predito lugar tudo o que o santo dissera.E aproximou-se o dia da alegria, chegou o tempo da exultação. Os irmãos foram chamados de muitos lugares; homens e mulheres daquela terra, com ânimos exultantes, preparam, segundo suas possibilidades, velas e tochas para iluminar a noite que com o astro cintilante iluminou todos os dias e anos. Veio finalmente o santo de Deus e, encontrando tudo preparado, viu e alegrou-se. E, de fato, prepara-se o presépio, traz-se o feno, são conduzidos o boi e o burro. Ali se honra a simplicidade, se exalta a pobreza, se elogia a humildade; e de Greccio se fez com que uma nova Belém. Ilumina-se a noite como o dia e torna-se deliciosa para os homens e animais. As pessoas chegam ao novo mistério e alegram-se com novas alegrias. O bosque faz ressoar as vozes, e as rochas respondem aos que se rejubilam. Os irmãos cantam, rendendo os devidos louvores ao Senhor, e toda a noite dança de júbilo. O santo de Deus está de pé diante do presépio, cheio de suspiros, contrito de piedade e transbordante de admirável alegria.” (Cel 30,4).
Sob a inspiração deste fluo, baseando-se nas Fontes Franciscanas, toda a celebração de Natal ganha um novo vigor interpretativo e celebrativo em toda Itália, da Itália para a Europa e da Europa para o mundo. A cidade de Nápoles transforma a cena de Natal num movimento artístico, e a partir dali e dos anos 1700, o presépio é pura arte.
Unindo a Palavra de Deus, a representação artesanal e o folclore, os presépios vão destacando as típicas figuras regionais, e unem fé e beleza estética. As missões franciscanas levam o presépio para o mundo, e assim, cultura local e tradição cristã mostram o maior feito histórico da cristandade.
O presépio tem a forma dos momentos culturais: barroco, colonial, rococó, renascentista, moderno, vanguardista, arte popular, oriental, latino-americano, indiano e africano. O Deus Menino está no campo, na cidade, nas tendas, favelas e arranha-céu; está no centro urbano e na periferia. Une a força do sinal, do sacramental, do sagrado, da teologia da imagem, a fala da fé.
Nos presépios temos a harmonia das diferenças. O mundo do divino encontra-se com o mundo do humano. A grandeza, a onipotência de um Deus revela-se na fragilidade de uma criança. Ali o mundo animal, ovelhas, boi, burro, queda-se contemplativo abraçado pelo silêncio do mundo mineral: pedras e presentes. Há também o toque brilhante daquela Estrela Guia aproximando o mundo sideral.
As plantas formam o colorido arranjo do mundo vegetal. Anjos e pastores, um pai sonhador e uma mãe silente que guarda tudo no coração; afinal todos são conduzidos pelo mesmo mistério. O curioso e controlador mundo do poder representado pelos Reis Magos vem conferir. Fazer presépios é unir mundos! Aquele Menino fez-se Filho do Humano: veio experimentar a nossa cultura, o nosso jeito, a nossa consangüinidade.
Num presépio cabe todos os rostos! É o grande encontro dos simples, dos normais, dos marginais, dos ternos, fraternos, sofridos e excluídos. Quando o diferente se encontra temos a mais bela paisagem do mundo. Tudo se torna transparente na unidade das diferenças. Num presépio não existe preconceito, existe sim aquela silenciosa e calma contemplação da beleza de cada um, de cada uma. Encarnar-se é morar junto e respeitar o diferente! Paz na Terra aos Humanos de vontade boa e bem trabalhada! Isso é que encantou Francisco de Assis!
O presépio nos lembra que Deus não está no mercado das crenças, nem no apelo abusivo do comércio natalino que faz uma profanização deste universo de símbolos: pinheiros e estrelas, animais e pastores, presépios variados. Deus nem sempre está nas igrejas e nem nas bibliotecas; mas Ele está num coração que pulsa de Amor. Esta é a sacralidade inviolável do Natal: Deus está no seu grande projeto, que é Humanizar-se, fazer valer o Amor, Encarnar o Amor!
Deus não está na violência e nem onde se atenta contra a vida. Deus não está no orgulho dos poderosos nem entre os caçadores de privilégios hierárquicos. Mas Ele está na leveza deste Menino, Filho do Pai Eterno, a grande síntese das naturezas humana e divina.
Ele está aqui na mais bela doação do Sim de José e de Maria. Quando há disponibilidade, todo sonho é fecundo. Ele está onde se faz um presépio: lugar do Bem e da Beleza. É o grande momento de refletir este presente que ele nos dá. Isso é que encantou Francisco de Assis!
O Amor tem que ser Amado! A Verdade e a Beleza têm que ser apreciadas. Este é o lugar de Luz no meio das sombras humanas. A luz vale mais do que todas as trevas. Deus está ali com você e com Francisco diante do presépio, e abraçando você com silêncio, paz, harmonia, serenidade; acolhendo você e passando-lhe Onipresença, Onipotência eterna para a fragilidade da criatura. No presépio, Deus olha você, pessoa humana, contemplando a suprema humildade da Pessoa Divina
Artigo da Revista Franciscana
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Canindé - CE, uma das maiores romarias do país na comemoração do dia de São Francisco
Ai, ai, que bom,
Que bom, que bom que é
Uma estrada e a lua branca
No sertão de Canindé.
Na música Estrada de Canindé o grande Luiz Gonzaga canta a romaria dos fiéis de São Francisco de Canindé.
Durante uma semana, do dia 26 de Setembro ao dia 03 de Outubro o poder da fé se manifesta de forma emocionante e intensa na devoção do povo a São Francisco das Chagas.
Na Igreja Basílica de Canindé, construída em 1915, os romeiros assistem missas e entoam cânticos de louvor ao Santo Padroeiro
A cidade assiste a uma das maiorias romarias católicos do Brasil.
Sem distinção de classes, os fiéis aos milhares, vem agradecer as graças alcançadas e louvar o santo. Vindos de todas as partes do País, alguns viajando durante dias seguidos por estradas poeirentas em desconfortáveis caminhões conhecidos como Paus-de-Arara, outros a cavalo e mesmo a pé, os devotos renovam sua fé e esperança no poder milagroso de São Francisco.
Na cidade eles pagam promessas e entregam peças representativas da graça alcançada. Estas peças, geralmente esculpidas em madeira, são conhecidas como ex-votos e estão reunidas na Casa dos Milagres anexa a Basílica, e também no Museu Regional de Canindé com um acervo de mais de 3.000 peças.
Os ex-votos foram e são motivos constantes de estudos de antropólogos, sociólogos e outros pesquisadores nacionais e estrangeiros. O nível de manifestação artística e a qualidade estética presentes nas peças encantam e emocionam. Aderson Medeiros, um artista plástico cearense, a muitos anos utiliza ex-votos nas suas obras, chegando a ser premiado na Bienal de Arte do México utilizando algumas destas peças.
Durante a festa, violeiros, cantadores, contadores de histórias e tipos populares se misturam na grande feira em que a cidade se transforma. Comidas típicas, artesanato em couro, madeira, palha, renda e artigos religiosos podem ser encontrados em inúmeras barracas armadas em volta da Igreja.
Nas redondezas da cidade, visite a Gruta Caiçara que possui inscrições rupestres. Recentemente o Governo do Estado construiu a Praça dos Romeiros, um rande anfiteatro ao ar livre, que abriga diversas manifestações ligadas ao evento.
* Música: Estrada de Canindé
Autores: Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira – Toada Baião, 1951
Fonte:www.guiace.com.br/guia-de-turismo/regioes-turisticas/caninde
4 de outubro, dia de São Francisco

Seguir ao Senhor Jesus, levar a vida buscando configurar-se ao Mestre. Talvez poucos santos alcançaram tamanha proximidade com o amado Jesus do que São Francisco de Assis, cuja memória a Igreja guarda neste dia 04 de outubro."Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini"
Com apenas 44 anos de idade, a 3 de outubro de 1226, morria no chão nu da Porciúncula de Santa Maria dos Anjos, proximidades de Assis, o autêntico arauto da perfeição evangélica, são Francisco. Com a idade de 24 anos, tinha se despojado de tudo: riquezas, ambições, orgulho, e até da roupa que usava, para desposar a Senhora Pobreza e repropor ao mundo, em perfeita alegria, o ideal evangélico de humildade, pobreza e castidade. Nascido numa cidade de comércio, de pai comerciante, o jovem rebento de Bernardone gostava das alegres companhias e gastava com certa prodigalidade o dinheiro do pai. Aos vinte anos, quis alistar-se como cavaleiro no exército de Gualtieri de Brienne, que combatia pelo papa, mas em Spoleto, teve um sonho revelador no qual era convidado a seguir de preferência ao Patrão do que o servo.
Voltando a Assis, dedicou-se ao serviço dos doentes e pobres e num dia de outono de 1205, enquanto meditava extasiado na igrejinha de S. Damião, pareceu-lhe ter ouvido uma voz saída do crucifixo: "vá escorar minha igreja que está desabando". Com a renúncia definitiva dos bens paternos, aos 25 anos, Francisco deu início à sua vida religiosa. Na primeira etapa vemos Francisco em hábito de eremita, levando vida solitária e errante, até que uma frase luminosa do Evangelho impeliu-o à pregação e a constituição do primeiro núcleo da Ordem dos Frades Menores, cuja regra foi aprovada pelo papa Inocêncio III.
Esse segundo capítulo da vida do santo é caracterizado por uma intensa pregação e incessantes viagens missionárias, para levar aos homens, geralmente armados uns contra os outros, a mensagem evangélica da paz e do bem. Após ter-se aventurado a uma viagem à Terra Santa, Síria, e ao Egito, em 1220 voltou para Assis e tratou de por em ordem a própria casa, redigindo a segunda Regra, aprovada por Honório III. Já debilitado fisicamente pelas duras penitências, entrou na última etapa de sua vida, que assinalou a sua perfeita configuração a Cristo, até fisicamente, com o sigilo dos estigmas, recebidos sobre o Monte Alverne a 14 de setembro de 1224.
Autor do Cântico do Irmão Sol, um dos santos mais amados pelo mundo inteiro, são Francisco foi canonizado dois anos após a sua morte. Em 1939, Pio XII tributou um ulterior reconhecimento oficial ao "mais italiano dos santos e mais santo dos italianos", proclamando-o padroeiro principal da Itália.
São Francisco foi um homem que amava os animais, as plantas e toda a natureza. Poeta, cantava o sol, a lua e as estrelas. Por seu apreço à natureza é mundialmente conhecido como o santo patrono dos animais e do meio ambiente.
Celebrações em Belo Horizonte - MG
domingo, 25 de julho de 2010
Francisco de Assis por Leonardo Boff

Quem diria que um homem que viveu há mais de 800 anos viesse a ser referência fundamental para todos aqueles que procuram um novo acordo com a natureza e que sonham com uma confraternização universal? Este é Francisco de Assis (+1226), proclamado patrono da ecologia. Nele encontramos valores que perdemos como o encantamento face ao esplendor da natureza, a reverência diante de cada ser, a cortesia para com cada pessoa e o sentimento de irmandade com cada ser da criação, com o sol e a lua, com o lobo feroz e o hanseniano que ele abraça enternecido.
Francisco realizou uma síntese feliz entre a ecologia exterior (meio ambiente) e a ecologia interior (pacificação interior) a ponto de se transformar no arquétipo de um humanismo terno e fraterno, capaz de acolher todas as diferenças. Como asseverou Hermann Hesse:"Francisco casou em seu coração o céu com a terra e inflamou com a brasa da vida eterna nosso mundo terreno e mortal". A humanidade pode se orgulhar de ter produzido semelhante figura histórica e universal. Ele é o novo, nós somos o velho.
O fascínio que exerceu desde seu tempo até os dias de hoje se deve ao resgate que fez dos direitos do coração, à centralidade que conferiu ao sentimento e à ternura que introduziu nas relações humanas e cósmicas. Não sem razão, em seus escritos a palavra "coração" ocorre 42 vezes sobre uma de "inteligência”, "amor" 23 vezes sobre 12 de "verdade", "misericórdia" 26 vezes sobre uma de "intelecto". Era o "irmão-sempre- alegre" como o alcunhavam seus confrades. Por esta razão, deixa para trás o cristianismo severo dos penitentes do deserto, o cristianismo litúrgico monacal, o cristianismo hierático e formal dos palácios pontifícios e das cúrias clericais, o cristianismo sofisticado da cultura livresca da teologia escolástica. Nele emerge um cristianismo de jovialidade e canto, de paixão e dança, de coração e poesia. Ele preservou a inocência como claridade infantil na idade adulta que devolve frescor, pureza e encantamento à penosa existência nesta terra. Nele as pessoas não comparecem como "filhos e filhas da necessidade, mas como filhos e filhas da alegria" (G. Bachelard). Aqui se encontra a relevância inegável do modo de ser do Poverello de Assis para o espírito ecológico de nosso tempo, carente de encantamento e de magia.
Estando certa vez, no dia 4 de outubro, festa do Santo, em Assis, naquela minúscula cidade branca ao pé do monte Subásio, celebrei o amor franciscano com o seguinte soneto que me atrevo a publicar:
Abraçar cada ser fazer-se irmã e irmão,
Ouvir a cantiga do pássaro na rama,
Auscultar em tudo um coração
Que pulsa na pedra e até na lama,
Saber que tudo vale e nada é em vão
E que se pode amar mesmo quem não ama,
Encher-se de ternura e compaixão
Pelo bichinho que por ajuda clama,
Conversar até com o fero lobo
E conviver e beijar o leproso
E, para alegrar, fazer-se de joão-bobo,
Sentir-se da pobreza o esposo
E derramar afeto por todo o globo:
Eis o amor franciscano: oh supremo gozo!
Leonardo Boff é teólogo e ex-frade franciscano
quarta-feira, 14 de julho de 2010
História de Francisco de Assis por Stanislas Fumet - parte 2
No princípio, em 1212, quando falhara a missão de Francisco e dos companheiros no meio dos infiéis, quando o Poverello, tendo embarcado uma primeira vez em Ancona, para a Síria, na intenção de se dirigir à Terra Santa e na esperança de, aí, converter os muçulmanos, fora impedido pela tempestade de prosseguir para além das costas dálmatas, onde o barco encalhara, vivia, com os Irmãos, uma aventura deliciosa, livre de tudo, menos de amar, como no céu; a pregação de Francisco tinha-se limitado a evangelizar alguns marinheiros, mas as almas são maiores que o mundo. Os princípios da Ordem de São Francisco não foram só caracterizados por fiascos! Pelo contrário, a pesca tinha sido tão extraordinária que Francisco poderia dizer que só retinha o peixe grosso. Tendo consigo almas muito santas
, confiantes e ardentes, realizava o que alguns teriam chamado o seu sonho e que era o único imperativo do seu amor.
História de Francisco de Assis por Stanislas Fumet
O Poverello ganhou a alcunha à força de tornar visível no corpo a prática da pobreza espiritual. Desde o princípio da conversão, ou melhor, para sermos mais exatos, já antes de pensar em se converter, o que faz a originalidade de Francisco é a atração que sente pelos mendigos; o que há de mais elevado na sua alma é atraído pelos leprosos, tão repugnantes aos olhos da carne, mesmo na época em que, só a idéia da dor, como ele confessa, o aborrecia. Toda a cristandade gosta de recordar os primeiros gestos públicos de Francisco: preparava-se ele para ir com um nobre de Assis ao encontro do exército pontifício que estava na Apúlia. Esperava ser armado cavaleiro e, com esta intenção, arranja uma equipagem magnífica. No dia da partida, montado no seu cavalo, irradiando da cabeça aos pés, Francisco, tem a desgraça de encontrar um cavaleiro autêntico – cuja extrema pobreza o enche de compaixão. Ele, que ainda não é cavaleiro, não suporta tal injustiça. Entrega ao outro a capa e a túnica que levava e todo o seu equipamento de grande senhor.
Nessa mesma noite Francisco tem este sonho: alguém o chama pelo nome, lhe pega na mão e o conduz a um maravilhoso palácio, ornado com toda a espécie de armas.
É lá que vive uma moça deslumbrante que encanta Francisco. Mas o palácio torna-se mais maravilhoso à medida que ele o vai percorrendo. De quem é tudo isto? “Teu e dos que te seguirem”, respondeu o guia. E depressa se dá o encontro com a encantadora jovem. E assim, ao acordar, Francisco não esconde aos que o interrogam que está para se tornar um grande príncipe. Os companheiros de folia começam, então, a supô-lo apaixonado. “É verdade, diz, penso em casar-me. E vós nunca vistes noiva tão bela e tão nobre como a minha!”
O cavaleiro enamorado visitava os pobres da cidade e levava-lhes presentes. Nesse tempo, o mais elegante e o mais perdulário jovem de Assis só via na riqueza ocasião de distribuir, e nas posses ocasião de dar.
Na peregrinação para Roma, ainda fará mais. Indignado da mesquinhez dos cristãos na porta da Basílica de São Pedro, quer saber o que rende um dia de esmolas e de que modo em Roma se tratam os pobres. Compra, para isso, roupas a um miserável mendigo veste-as e, durante um dia inteiro, torna-se mendigo com os outros mendigos. É asperamente tratado como os outros, molestado como eles. Desde essa altura, sabendo o que custa ser pobre, sente-se mais próximo da Dama dos seus pensamentos.
Mas um leproso ainda é mais que pobre. Um leproso é pobre até na carne. Não está apenas reduzido aos seus limites carnais, é devorado na própria nudez. O leproso é o horror de Francisco. Encontrando um na beira da estrada, depois de uma volta a cavalo, salta para o chão, dá-lhe algum dinheiro e acompanha a esmola com um sorriso; depois, cheio de audácia, beija-lhe a mão e, louco, não fica por aí: abraça-o completamente. Alegria da Noiva no palácio da alma.
Cristo fá-lo seu confidente. Dirige-se através da expressão mímica de um crucifixo patético a este jovem delicado, folgazão, amigo de gozar. Pede-lhe no santuário de São Damião, como em sonhos, que restaure a igreja que cai em ruínas. O alegre trovador não hesita. Põe imediatamente mãos à obra. São Damião é uma autêntica leprosa. E, com o tempo, torna-se incontestável que esta pequena igreja leprosa é apenas o símbolo da grande Igreja de Deus. E com efeito, diz-se que o próprio papa Inocêncio III viu, em sonhos, Francisco de Assis erguê-la e ampará-la com todas as forças sobre-humanas. Tendo-lhe falado o crucifixo, não se sentirá Francisco crucificado em espírito? Ah! Que aventura! E é sempre a pobreza que vai beneficiar: Francisco... não vamos dizer que rouba o próximo, mas... tira dos armazéns do pai um lote de fazendas que vai vender a Foligno. Vende, também, o cavalo, que lhe pertence inteiramente. Depois entrega ao padre que guarda a igreja de São Damião, toda a quantia que cobrou para que se iniciem as obras. O guardião, inquieto, recusa o dinheiro, mas Francisco Bernardone, sem se comover, lança a bolsa pela janela.
Nada Nada é tão conhecido na vida de São Francisco como a série de acontecimentos que antecederam a sua vocação: as lutas com o pai, o refúgio numa gruta, o regresso a Assis, a maldição paterna, as zombarias dos habitantes da cidade, a crescente cólera do pai, que o espanca e o mantém prisioneiro, depois a transformação que se dá na vida do jovem, a partida de casa, a restituição do dinheiro e das roupas, a denudação magnífica ante o bispo e a perfeita libertação franciscana, o risco absoluto do Poverello.
Foi assim que se tornou o “arauto do grande Rei”, que anunciou as conquistas do Onipotente, de quem recebemos tudo e que está acima de tudo, porque este tudo vem depois dele, porque Ele não é nada do que é concebível e mensurável e porque nenhum atributo diz tanto dele como o amor indefinível. O arauto do grande Rei fazia-se mendigo de pedras. Propunha a todos que colaborassem na sua ação reparadora; prometia recompensas proporcionadas ao número de pedras que lhe fornecessem para reconstruir São Damião.
Francisco continua a beijar os leprosos; o célebre guloso regala-se com uma horrorosa caldeirada feita com os restos das tigelas que a boa gente de Assis despejou na gamela que ele estendia à sua caridade. O corpo revoltava-se, a alma maravilhava-se, o espírito exultava no Senhor, – e a Noiva do seu coração infinito vibrava de alegria no palácio do Absoluto onde habita o grande Rei. Reconstruiu outras igrejas e particularmente Santa Maria da Porciúncula, que tanto lhe convinha não só por ser pequena e isolada, no meio dos bosques, mas também por a dizerem freqüentada pelos anjos, e São Francisco não podia encontrar personagens que melhor o compreendessem que essas criaturas invisíveis e sempre tão ativas. Tendo de se ocupar dos homens, com certeza nunca os anjos tiveram maior consolação e mais profunda alegria do que ao servirem Maria, Nossa Senhora.
A Porciúncula, ou Santa Maria dos Anjos, o mais pobre dos santuários, ia tornar-se o berço da Ordem Franciscana, o presépio, talvez, de um mundo novo. Foi lá que Francisco, ao assistir à Missa, teve o sentimento da literalidade do Evangelho quando Jesus envia os discípulos, através do espaço, pelos caminhos do tempo, com a recomendação: Ide e pregai, anunciando que o Reino está próximo. Não queirais possuir ouro nem prata, nem tragais dinheiro nas vossas cinturas, nem alforje para o caminho, nem duas túnicas, nem calçado, nem bordão, etc.... Foi uma revelação para o neófito que gritava de alegria: “Eis, enfim, o que tenho procurado e o que eu quero de todo o meu coração!”
In continenti,tirou os sapatos, lançou fora o bordão e desfez-se da segunda túnica. Mandou fazer um fato em forma de cruz que é o escapulário franciscano, tirou o cinto para o substituir pela corda que todos os frades usarão à volta dos rins. E, pelo que consta, conseguiu em Assis o primeiro recrutamento, para a honra da sua Dama, a Pobreza. A pequena fraternidade ia-se agregando miraculosamente em torno da graciosa Dama dos sonhos de Francisco Bernardone, enquanto choviam sobre ele os escárnios e as injúrias da indignada população de Assis. [...] O bispo Guido, amigo de Francisco, preveniu-o contra os exageros. “Não se pode viver sem meios de subsistência! Quem vos diz que não irá morrer de fome uma irmandade como a que estais a formar?” “Se tivermos bens, responde Francisco, necessitaremos de armas para nos defendermos; e haverá histórias sem fim fim com todos os processos! Como poderíamos, depois, conservar o coração livre para amar a Deus?” O risco de não ter de comer e de estar privado de teto para se abrigar não lhe desagrada. E, além disso, há a Porciúncula, que é um pequeno lar todo de Deus. Quando pregarem nas imediações, ajudarão os pobres e dormirão como eles, sob os alpendres, sob o pórtico hospitaleiro das igrejas. “Depressa seremos oito companheiros. É verdade que os habitantes das cidades e das aldeias nos receberão, por vezes, como malfeitores, mas não somos nós todos malfeitores? Neste caso, por que razão nos queixaríamos?... ”
Quem será menos digno que Francisco! E quanto tempo perdeu nas dissipações da juventude! Foi-lhe dito na oração que tudo lhe fora perdoado e que agora se tratava de continuar a sua obra, sabendo que a irmandade da Pobreza se transformaria numa grande força que cobriria a terra inteira. Esta graça, recebida no decurso de uma viagem ao vale de Rieti, exatamente acima de Poggio-Bustone, animou-o tanto que quis contá-la aos companheiros de viagem. “O Senhor, disse-lhes, revelou-me que nos estenderemos até aos confins da terra”. Fala como o Evangelho. Tinha visto entrar na sua Ordem homens de todas as nacionalidades: franceses, espanhóis, alemães, ingleses, irmãos que se exprimiam em todas as línguas. Em Roma, perante o papa Inocêncio III, não receia empregar uma comparação para fazer aprovar a Regra: “Vivia uma mulher no deserto; era muito pobre, mas extremamente bela. Um rei amou-a, desposou-a e deu-lhe formosos filhos. Mais tarde, depois de o rei se ter ido embora, a mãe disse aos filhos quem os tinha gerado. Que lhes importava, afinal, serem tão pobres se a própria miséria era uma miséria de filhos de rei? Foram, então, ao encontro do rei seu pai, que os reconheceu pelo muito que se pareciam com ele e os fez seus herdeiros...” Inocêncio III aprovou a regra da pobre mulher do deserto, mas a título provisório. As qualidades da regra ressaltarão, com o tempo. Era a regra primitiva, a regra do perfeito risco.
Foi considerada inaplicável. No entanto, não era intenção de Francisco propor aos seus filhos algo de difícil. E foi aqui que começou o mal-entendido. Com Francisco trata-se de se ser feliz, de se estar na paz do Criador, em harmonia com a Criação. Mesmo quando se praticam ações reparadoras é como se reerguêssemos uma igreja, ou a Igreja de Deus. É construção na alegria, serviço benévolo; é misericórdia e não sacrifício. Os homens não têm o coração moldado como o dele: bem quereriam seguir à letra a regra de Francisco, mas não podem. Todo o drama franciscano está contido nisto. Francisco tem de modificar a regra primitiva; em 1221, escreve uma segunda versão, a que foi entregue ao Irmão Elias, que logo a perdeu. Sem desanimar, o fundador retira-se de novo para as montanhas para ditar uma terceira ao Irmão Leão, mas, no fundo, é sempre a mesma, a regra que os discípulos não querem. Não é contra a forma, é contra a essência da regra que se revoltam. Mas Francisco não pode ceder no essencial. O cardeal Ugolino, o futuro Papa Gregório IX, a quem Francisco apresenta esta regra sob uma forma que julga definitiva, não receia amputá-la aos olhos do Poverello, seu amigo, e se, mutilada, fica mais sólida, mais séria, mais adaptada à terra como toda a regra que se preza, poderemos imaginar o que teve de suportar o coração de Francisco diante desta cristalização que parecia tirar à sua obra todo o fervor divino.
aceitou da Santa Sé a supressão do artigo (outrora aprovado por Inocêncio III) que estipulava: “Quando os Irmãos forem através do mundo, não levem nada consigo, nem sacos, nem alforjes, nem pão, nem dinheiro, nem bordão, etc...” Houve outras supressões ditadas pela prudência romana, tão cautelosa na nossa submissão ao amor; por exemplo, a do capítulo que exortava os Irmãos a verificarem, nas aldeias onde passassem, se o Santíssimo Sacramento estava guardado em lugares convenientes e tabernáculos decentes para, no caso negativo, informarem o pároco. Francisco não tinha pensado nos conflitos que tais advertências fatalmente provocariam entre religiosos e seculares.
O que se conservou da regra primitiva foi a obrigação de praticar, apesar de tudo, a pobreza absoluta: pobreza que se traduzirá, materialmente, por trajos de preferência miseráveis e, espiritualmente, pela renúncia a fazer juízos sobre o próximo. Que forma tão requintada de pobreza! São obrigados a trabalhar, mas com a condição de o trabalho não destruir o espírito de oração; de o trabalho não cobrir a alma com os arreios das preocupações, de não embaraçar a sua nudez, de não a revestir contra a luz de Deus. Os Irmãos não possuirão nem as casas, que separam, nem terras, que nos fixam. Passarão pelo mundo como peregrinos, sem ganhar raízes; como estrangeiros, tendo consciência que estão no mundo sem estar, que não estão na sua casa, mas na casa de Deus, que está em toda a parte A regra, assim entendida, não perdeu, portanto, o seu vigor espiritual. Mas o que o pobre Francisco teve de suprimir era o que tinha de mais concreto: o hic et nunc sensível, num símbolo que, para Francisco, não é um intermédio espiritual entre o visível e o invisível, mas o lugar autêntico em que o invisível se torna visível. O cordeiro não representa Jesus Cristo: não o mostra, dá-o a tocar. Há que fazer compreender este milagre perpétuo a homens que têm necessidade de o pensar e de o demonstrar antes de o poder viver! Se há um erro no “sistema” do Poverello, não é culpa dele; é culpa nossa. O cardeal Ugolino, que admirava Francisco, devia sorrir ao ler certos textos; e não era por os não apreciar que os cancelava. Era cardeal e conhecia o mundo, as suas infernais faculdades de resistência. O generoso Francisco tinha, também ele, já uma idéia – experimentara-a bastantes vezes –, mas não era a mesma coisa: Francisco estava disposto a arrancar a essa resistência um acréscimo da alegria a que os espíritos mal informados persistem em chamar dor.
Mas não deixa de ser verdade, parece, que Francisco nunca sofreu tanto como por causa dessa criança enjeitada, filha da alma de Jesus Cristo, a sua regra, que assim desnaturavam a seus olhos. Já não podia defender os interesses de Cristo se se ligavam com o seu amor-próprio. Não podia ir contra o Pai, nem contra o Papa, nem contra a Igreja, ele que procurava a pobreza na obediência, a submissão absoluta “Pobre homem, porque estás tão triste? “, pergunta-lhe um dia o Senhor, que o vê afligir-se pelo estado moral dos Irmãos. E Jesus consola-o: “Não te perturbes; trabalha para a salvação!”
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Francisco























