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quarta-feira, 7 de março de 2012

Benção para as MuLhErEs


Que o Senhor nos conceda a audácia de
 Débora e a valentia de Ester e Judite.
Que nos plenifique de alegria como a Ana
e de lealdade e amor como Rute.
Que possamos cantar e dançar junto ao mar,
como Maria, a profetisa.
E, como Maria de Nazaré,
proclamar a grandeza do Senhor
 no triunfo das famintas e humilhadas.

Que cheguemos a encontrar-nos
com Jesus, como
O encontraram Maria Madalena,
Maria Salomé e a Samaritana.
Que reencontraram a dignidade, a
liberdade e um nome novo.

E, como aquela encurvada de quem
Jesus se aproximou e pôs de pé,
Que possamos CAMINHAR erguidas e
ajudar a outras e outros
porque nós e todas as mulheres,
somos chamadas a pôr-nos de pé,
e a CAMINHAR glorificando a Deus.
Amém! Axé! Awere!

Sou Mulher... Sou Libertação

Um dia a mulher gritou: SOU GUERREIRA!

E o eco de sua voz se fez ouvir além das fronteiras!

Sou mulher – mãe guerreira! O fogão não é mais meu limite.
Sou chamada a “rainha do lar”.
Mas, sou bem maior que o oceano e o mar.

Saí...  A aurora não ganhara ainda o céu.
Fui ao sepulcro do meu povo – qual Madalena um dia – e vi:
Havia vida a proclamar! E o meu limite não ficou sendo o meu lar.

Sou mãe...  Dou vida. Sou líder, profetisa, poetisa.
Sou esposa – sou compreensão.  
Sou Mulher... dor... 
Sou povo, sou amor – RESSURREIÇÃO!

Onde houver um caído, eu o levanto. Onde há um morto, um doente, alguém chorando... aí sou guerreira, sou pássaro... eu canto. Levanto meu povo e o tiro da escravidão!
Meu nome é LIBERTAÇÃO.

Sou Paz, sou Esperança. Sou arco-íris neste mundo de injustiça.
Sou Igualdade... 
Meu nome é Fraternidade.
Me chamo Povo – sou Humanidade.

Quem quiser me encontrar... Ah! é  fácil... Não estou só no lar. Estou na luta – sou guerreira, sou negra, sou pobre, sou idosa, sou viúva e quase analfabeta.

Mas é fácil me encontrar na luta. No movimento popular!
Ali todos me conhecem...
Sou o que sobrou de ALEGRIA e AMOR.
Sou tudo de bom, de sonho e de céu.
Sou apenas Maria-Mulher, Maria Miguel!  
                                                                
                                                (Maria Miguel - Comunidade São José – São Paulo/SP) 

Origens do dia Internacional das mulheres

A origem do Dia Internacional da Mulher, data significativa na luta pelos direitos das mulheres, vem sendo distorcida no Brasil e em diversos países. Na cobertura midiática, o dia 8 de março é associado a um incêndio que teria acontecido em 1857 em Nova York e provocado a morte de 129 trabalhadoras têxteis. Elas teriam sido queimadas como punição por um protesto por melhores condições de trabalho.

É importante destacar que houve, de fato, um incêndio, só que em 25 de março de 1911 e de forma diferente da narrada pela imprensa.

As chamas começaram quando um trabalhador acendeu um cigarro perto de um monte de tecidos e alastraram-se rapidamente. As portas das escadas de incêndio estavam trancadas por fora, para evitar que os funcionários saíssem mais cedo. O saldo foi de 146 vítimas fatais, 13 homens e 123 mulheres.
No edifício, funciona hoje a Faculdade de Química da Universidade de Nova York. O incêndio na Triangle Shirtwaist Company foi importante para a melhoria das condições de segurança de trabalhadores como um todo, e não apenas das mulheres, já que também havia homens entre as vítimas.


Um ano antes, em 1910, durante o 2º Congresso Internacional de Mulheres Socialistas em Copenhague, a alemã Clara Zetkin propôs que fosse designado um dia para a luta dos direitos das mulheres, sobretudo o direito ao voto.

Ou seja, o Dia Internacional da Mulher já existia antes do incêndio, mas era celebrado em datas variadas a cada ano.

Para compreender a escolha do 8 de março, remontamos ao dia 23 de fevereiro de 1917, 8 de março no calendário gregoriano. Naquela ocasião, as mulheres de Petrogrado, convertidas em chefes de família durante a guerra, saíram às ruas, cansadas da escassez e dos preços altos dos alimentos. No dia seguinte, eram mais de 190 mil.

Apesar da violenta repressão policial do período, os soldados não reagiram: ao contrário, eles se uniram às mulheres.

Aquele protesto espontâneo transformou-se no primeiro momento da Revolução de Outubro. A proposta de perpetuar o 8 de março como Dia Internacional da Mulher foi feita em 1921, em homenagem aos acontecimentos de Petrogrado.

Mas, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, em decorrência dos interesses do poder no período, seu conteúdo emancipatório foi se esvaziando. No fim dos anos 1960, a data foi retomada pela segunda onda do movimento feminista, ficando encoberta sua marca comunista original. Em 1975, a ONU oficializou o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher.

Para além da distorção dos fatos históricos, um aspecto diferencia fundamentalmente a participação das mulheres nos dois episódios.

No incêndio da Triangle Shirtwaist, a mulher é vítima da opressão dos patrões e do fogo. Já nos protestos de 1917, ocupa uma posição de protagonismo. Encoberto, o fato deixa de mostrar a participação política das mulheres na construção de uma revolução que tem papel importante para a história mundial.
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*Adriana Jacob Carneiro, jornalista, mestranda do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia e pesquisadora em gênero e mídia do grupo Miradas Femininas, em artigo publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, 08-03-2010.
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