domingo, 17 de junho de 2012

A CÚPULA DOS POVOS E A SUSTENTABILIDADE DA VIDA

ATITUDES CRÍTICAS E PRO-ATIVAS FACE À RIO+20

Creio que se impõem três atitudes que precisamos desenvolver diante da Rio+20.

A primeira é conscientizar os tomadores de decisões e toda a humanidade dos riscos a que estão submetidos o sistema-Terra, o sistema-vida e o sistema-civilização. As guerras atuais, o medo do terrorismo e a crise econômico-financeira no coração dos países centrais estão nos fazendo esquecer a urgência da crise ecológica generalizada. Os seres humanos e o mundo natural estão numa perigosa rota de colisão. De nada vale garantir um desenvolvimento sustentável e verde se não garantirmos primeiramente a sustentabilidade do planeta vivo e de nossa civilização. Esta conscientização deve ser feita em todos os níveis, da escola primária à universidade, da família à fábrica, do campo à cidade.

A segunda atitude tem a ver com um deslocamento e uma implicação que importa operar. Urge deslocar a discussão do tema do desenvolvimento para o tema da sustentabilidade. Se ficarmos no desenvolvimento nos enredamos nas malhas de sua lógica que é crescer mais e mais para oferecer mais e mais produtos de consumo para o enriquecimento de poucos à custa da super-exploração da natureza e da marginalização da maioria da humanidade. A pesquisa séria do Instituto Federal Suíço de Pesquisa Tecnológica (ETH) de 2011 revelou a tremenda concentração de riqueza e de poder em pouquíssimas mãos: são 737 corporações que controlam 80% do sistema corporativo mundial, sendo que um núcleo duro de 147 controla 40% de todas as corporações, a maioria financeiras. Junto com este poder econômico segue o poder político (influencia os rumos de um pais) e o poder ideológico (impõe pensamentos e comportamentos).

A pegada ecológica da Terra revelou que esta já ultrapassou em 30% seus limites físicos. Forçá-los é obrigá-la a defender-se. E o faz com tsunamis, enchentes, secas, eventos extremos, terremotos e o aquecimento global. E também com as crises econômico-financeiras que se incluem no sistema-Terra viva. O tipo de desenvolvimento vigente é insustentável. Vãos são os adjetivos que lhe acrescentemos: humano, verde, responsável e outros. Levá-lo avante a qualquer custo, como ainda propõe o texto-base da ONU, nos aproxima do abismo sem retorno.

Deslocar-se para o tema da sustentabilidade significa criar mecanismos e iniciativas que garantam a vitalidade da Terra, a continuidade da vida, o atendimento das necessidades humanas das presentes e futuras gerações, de toda a comunidade de vida e a garantia de que podemos preservar nossa civilização. Essa compreensão de sustentabilidade é mais vasta do que aquela do desenvolvimento simples e duro.

Para alcançar tal propósito, se faz mister um novo olhar sobre a Terra, um re-encantamento do mundo e um novo sonho. Isto significa inaugurar um novo paradigma. Se antes, o paradigma era de conquista e de expansão, agora, devido aos altos riscos que corremos, deverá ser de cuidado e de responsabilidade global. Precisamos incorporar a visão da Carta da Terra que propõe tais atitudes no quadro de uma visão holística do universo e da Terra. Ela vê o nosso planeta como vivo, com uma comunidade de vida única. É fruto de um vasto processo de evolução que já dura 13,7 bilhões de anos. O ser humano comparece como expressão avançada de sua complexidade e interiorização. Este tem a missão de cuidar e de preservar a sustentabilidade da natureza e de seus seres.

Esta visão só será efetiva se for mais que um deslocamento de visões. A ciência não produz sabedoria mas só informações. Quer dizer, não oferece uma visão global e integradora da realidade interior e exterior (sabedoria) que motive para a transformação. Por isso deve vir acompanhada da implicação de uma emoção fundamental. Importa fazer uma leitura emocional dos dados científicos, porque é a emoção, a paixão, a razão sensível e cordial que nos moverão a ação. Não basta tomar conhecimento. Precisamos nos conscientizar, no sentido de Paulo Freire, nos munir de indignação e de compaixão e por mãos à obra.

Portanto, junto com a razão intelectual, indispensável, que predominou por séculos, cabe resgatar a razão sensível e emocional que fora colocada à margem. Ela é o nicho da ética e dos valores. Faz-nos sentir a dor da Terra, a paixão dos pobres e o apelo da consciência para superarmos estas situações com uma outra forma de produzir, de distribuir e de consumir.

A terceira atitude é de trabalho crítico e criativo dentro do sistema. Já se disse: os velhos deuses (a conquista e dominação) não acabam de morrer e os novos (cuidado e responsabilidade) não acabam de nascer. Somos obrigados a viver num entre-tempo: com um pé dentro do velho sistema, trabalhar e ganhar nossa vida no âmbito das possibilidades que nos são oferecidas; e com outro pé dentro do novo que está despontando por todos os lados e que assumimos como nosso. Há muitas iniciativas que podem ser implementadas e que apontam para o novo.

Fundamentalmente importa recompor o contrato natural. A Terra é nossa grande Mãe, como o aprovou a ONU a 22 de abril de 2009. Ela nos dá tudo o que precisamos para viver. A contrapartida de nossa parte seria o agradecimento na forma de cuidado, veneração e respeito. Hoje precisamos reaprender a respeitar o todo da Terra, os ecossistemas e cada ser da natureza, pois possuem valor intrínseco independentemente do uso que fizermos dele como o enfatiza a Carta da Terra. Essa atitude é quase inexistente nas práticas produtivas e nos comportamentos humanos. Mas podemos ressuscitar esse sentido de amor, de autolimitação de nossa voracidade e de respeito a tudo o que existe e vive. Ele diminuiria a agressão à natureza e faria de nossas atitudes mais eco-amigáveis.

Defender a dignidade e os direitos da Terra, os direitos da natureza, dos animais, da flora e da fauna, pois todos formamos a grande comunidade terrenal.

Apoiar o movimento internacional por um pacto social mundial ao redor daquilo que pode unir a todos, pois todos dependem dele: a água, com um bem comum natural, vital e insubstituível. Criar uma cultura da água, não desperdiçá-la (só 0,7% dela é acessível ao uso humano) e torná-la um direito inalienável para todos os seres humanos e para a comunidade de vida.

Reforçar a agroecologia, a agricultura familiar, a permacultura, as ecovilas, a micro e pequena empresa de alimentos, livres de pesticidas e de transgênicos.

Buscar de forma crescente energias alternativas às fósseis, como a hidrelétrica, a eólica, a solar, a de biomassa e outras.

Insistir no reconhecimento dos bens comuns da Terra e da humanidade. Entre esses se contam o ar, a atmosfera, a água, os rios, os oceanos os lagos, os aquíferos, a biodiversidade, as sementes, os parques naturais, as muitas línguas, as paisagens, a memória, o conhecimento, a internet, as informações genéticas e outros.

O mais importante de tudo, no entanto, é formar uma coalizão de forças com o maior número possível de grupos, movimentos, igrejas e instituições ao redor de valores e princípios coletivamente partilhados, como os expressos na Carta da Terra, nas Metas do Milênio, na Declaração dos Direitos da Mãe Terra e no ideal do Bem Viver das culturas originárias das Américas.

Por fim, precisamos estar conscientes de que o tempo da abundância material acabou, feita à custa do desrespeito dos limites do planeta e na falta de solidariedade e de piedade para com as vítimas de um tipo de desenvolvimento predatório, individualista e hostil à vida. O crescimento econômico não pode ser um fim em si mesmo. Está a serviço do pleno desenvolvimento do ser humano, de suas potencialidades intelectuais, morais e espirituais. A economia verde inclusiva, a proposta brasileira para a Rio+20, não muda a natureza do desenvolvimento vigente porque não questiona a relação para com a natureza, o modo de produção, o nível de consumo dos cidadãos e as grandes desigualdades sociais. Um crescimento ilimitado não é suportado por um planeta limitado. Temos que mudar de rota, de mente e de coração. Caso contrário, o destino dos dinossauros poderá ser o nosso destino.

Finalmente, meu sentimento do mundo me diz que não estamos diante de uma tragédia anunciada. Mas diante de uma gravíssima e generalizada crise de civilização. Contém muitos riscos, mas, se quisermos, serão evitáveis. Pode significar a dor de parto de um novo paradigma e o sacrifício a ser pago para um salto de qualidade rumo a uma civilização mais reverente da Terra, mais respeitosa da vida, mais amiga dos seres humanos e mais irmanada com todos os demais seres da natureza.

Leonardo Boff - Teólogo, filósofo, da Comissão Iniciativa da Carta da Terra, autor de Proteger a Terra e cuidar da vida: como evitar o fim do mundo, Record 2011.













sábado, 16 de junho de 2012

Encontro Micro-Regional de Simpatizantes de SP

SONHO COMPARTILHADO 


 Com muita alegria, as irmãs foram acolhendo a cada simpatizante que foi chegando à casa da Vila Matilde para compartilhar vida e sonhos. Um bom grupo veio lá da zona sul, do Jardim Capela, onde participam com as irmãs nos trabalhos em projetos de saúde alternativa, artesanato e acupuntura. Outro grupo, também cheio de animação, veio da região da Aclimação, Vila Matilde e do Embu, e atuam com saúde alternativa, educação, trabalhos voluntários junto ao Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), além de outras atividades nas comunidades.



 Após se familiarizarem com o ambiente, as irmãs e demais simpatizantes, o grupo reuniu-se para o momento de mística, tendo como pano de fundo aspectos da mística e projeto de Francisco e Clara de Assis e do carisma da Irmã Catequista Franciscana. Em caminhada, houve momentos de contemplação da realidade, a partir de um varal com notícias, recortes de jornal e outros subsídios que trouxeram presente o tema dos Capítulos Geral e Provincial – o mundo em movimento e a nossa busca por relações de irmandade e itinerância. 



A reflexão teve continuidade com o aprofundamento e partilha do texto “De que Fonte você bebe”, de Pe. Alfredo Gonçalves, seguido de apresentação de imagens e reflexão do tema “Mística Francisclariana”. As Irmãs Rosali Ines Paloschi e Beatriz Maestri dinamizaram este momento.

 À pergunta Do que temos sede?, o grupo foi respondendo: de justiça, paz, saúde, política educacional. O mundo está cheio de informações, consumismo, fontes atraentes e apelativas. Onde podemos encontrar a fonte de água viva? No íntimo de nós mesmos/as; no encontro com o outro, a outra; na história de um povo; na melodia do universo - cada pessoa, planta, animal, faz parte de uma gigantesca orquestra; na fonte primordial: “Abba Pai” da espiritualidade de Jesus Cristo, Caminho, Verdade, Vida.



 Outro momento muito significativo do encontro foi animado pela simpatizante Maria de Lourdes de Oliveira que convidou a celebrar a partir de uma releitura do Gênesis.

 O Encontro, que se deu no dia 27 de maio, também teve momentos de partilha e de avaliação da caminhada deste quadriênio na PICM, além de contar com sugestões para a continuidade do Projeto de Simpatizantes, tendo em vista a proximidade do capítulo provincial.



 Um dado significativo foi a sintonia afetuosa dos grupos de simpatizantes de Minas Gerais que foram muito lembrados durante todo dia. Do Encontro micro-regional que reuniu os grupos daquela região, Irmã Beatriz trouxe terra, cartazes, imagens e balas que foram partilhados no encontro. 

 Foi muito significativo o momento em que se misturaram as terras vindas de MG, de Rodeio e das diferentes regiões de São Paulo. É uma semente preciosa que, desde a terra-mãe que a acolheu e fecundou (Rodeio), está germinando hoje em solos diferenciados, contando com a originalidade, beleza e criatividade de cada região. Ao final, cada participante recebeu uma pequena lembrança, feita por um grupo de Economia Solidária e indígenas de Osasco - SP. Na unção com óleo, cada simpatizante sentiu-se novamente enviada/o a retomar o caminho, seguindo os passos de Jesus Cristo, na perspectiva francisclariana. 

Na lembrança que receberam, e no coração, ficou gravada a saudação Paz e Bem! 

 Irmã Beatriz C. Maestri – PICM e simpatizante Maria Batista Rodrigues

Cursos da UERJ sobre Sustentabilidade

No portal de Telessaúde da UERJ  http://www.telessaude.uerj.br/site/ (um program do Governo Federal) você encontra vários cursos (gratuitos e com certificação) na área da saúde e em outras análogas. Com a aproximação do Rio +20 o curso online de Telessaúde preparou um especial sobre Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente. Clique no site no dia e hora indicados para participar. São palestras com renomados professores do Brasil, incluindo Leonardo Boff

Um bom curso a todos,

Cúpula dos Povos na Rio+20

PAZ E BEM!



 Estamos às vésperas da CÚPULA DOS POVOS (15 a 23 de junho), no Rio de Janeiro. Este evento congrega os movimentos sociais que, no mundo inteiro, têm lutado pela paz, justiça e integridade da criação. O econtro acontece paralelamente à Rio+20. Este reune a ONU, os governos de várias nações e as grandes corporações capitalistas. As propostas dos dois encontros são opostas. Economia verde (que de verde não tem nada e que, de váias formas busca mercantilizar os bens comuns (água, florestas, etc.) é o que está na pauta da Rio+20. 

A Cúpula dos Povos busca, com as vozes diferenciadas e plurais dos diferentes movimentos, luta pela justiça ambiental, pelo respeito à Mãe-Terra, respeito aos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pequenos agricultores. É uma luta que diz respeito a todo cristão que olha o mundo como um todo, com filhos de Deus podendo usufruir de forma reverente a criação. Diz respeito a nós, que nos comprometemos com a defesa da integridade da criação da qual o ser humano é parte integrante. Criação que cantamos, junto com Francisco, na Oração do Irmão Sol. 

Com este Boletim parcial a Coordenação da FFB-MG (Família Franciscana do Brasil) quer contribuir para um aprofundamento do debate sobre os temas que serão discutidos na Cúpula dos Povos. Na realidade o debate já vem ocorrendo há meses, inclusive com nossa participação como franciscanos e franciscanas no Fórum Social Temático, em Porto Alegre. 

Seguem sites com muito material









domingo, 27 de maio de 2012

SEREIS MINHAS TESTEMUNHAS!

Segundo o evangelho de João, o Espírito torna presente Jesus na comunidade cristã, recordando-nos sua mensagem, fazendo-nos caminhar na sua verdade, interiorizando em nós seu mandato de amor. A esse Espírito invocamos na festa de Pentecostes.

  
VEM ESPÍRITO DE LUZ!
Vem Espírito Santo e ensina-nos a invocar a Deus com esse nome profundo de "Pai" que nos ensinou Jesus. Se não sentimos sua presença bondosa no meio de nós, viveremos como órfãos. Recorda-nos que somente Jesus é o caminho que nos leva até ele. Que somente sua vida entregada aos últimos nos mostra seu verdadeiro rosto. Sem Jesus nunca entenderemos sua sede de paz, de justiça e dignidade para todos seus filhos e filhas.
Vem Espírito Santo e faz-nos caminhar na verdade de Jesus. Sem tua luz e teu alento, esqueceremos uma e outra vez seu Projeto do Reino de Deus. Viveremos sem paixão e sem esperança. Não saberemos por que lhe seguimos nem para que. Não saberemos por que viver e por que sofrer. E o Reino seguirá esperando colaboradores.

Vem Espírito Santo e ensina-nos a anunciar a Boa Notícia de Jesus. Que não joguemos cargas pesadas sobre ninguém. Que não pronunciemos julgamentos sobre problemas que não nos doem, nem condenemos aos que necessitam sobretudo de acolhida e compreensão. Que nunca quebremos a cana rachada, nem apaguemos a mecha vacilante.

Vem Espírito Santo e infunde em nós a experiência religiosa de Jesus. Que não nos percamos em trivialidades enquanto descuidamos da justiça, da misericórdia e da fé. Que nada nem ninguém nos distraia de segui-lo como único Senhor. Que nenhuma doutrina, prática ou devoção nos distancie de seu Evangelho.

Vem Espírito Santo e aumenta nossa fé para experimentar a força de Jesus no centro mesmo de nossa debilidade. Ensina-nos a alimentar nossa vida, não de tradições humanas nem palavras vazias, mas do conhecimento interno de sua Pessoa. Que nos deixemos guiar sempre por seu Espírito audaz e criador, não por nosso instinto de segurança.

Vem Espírito Santo, transforma nossos corações e converte-nos a Jesus. Se cada um de nós não muda, nada mudará na sua Igreja. Se continuamos prisioneiros da inércia, nada de novo e bom nascerá entre seus seguidores. Se não nos deixamos arrastar por sua criatividade, seu movimento ficará bloqueado.

Vem Espírito Santo e defende-nos do risco de esquecer Jesus. Tomados por nossos medos e incertezas, não somos capazes de escutar sua voz nem sentir seu alento. Desperta nossa adesão, pois se perdemos o contato com ele, seguirá crescendo em nós o nervosismo e a insegurança.
                                                                            

                                                                 José Antonio Pagola

Senhor


Caminha conosco Senhor;
Fica conosco Senhor.

                                                      Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS 



Caminha conosco, Senhor, quando o desânimo ameaça paralisar nossos passos e o horizonte se enche de sombras obscuras que impedem ver a nova aurora.
Fica conosco, Senhor, quando nos domina a agitação febril do fazer e do produzir e não sobra mais tempo para o repouso e a paz, a oração e a contemplação.

Caminha conosco, Senhor, quando a estrada é íngreme e tudo em volta é deserto. Sentimo-nos órfãos e solitários, perdidos e abandonados em becos sem saída.
Fica conosco, Senhor, quando somos tomados pelo frenesi do ter e do consumir e esquecemos de que poucas coisas, frugais e sóbrias, bastam para fazer-nos felizes.

Caminha conosco, Senhor, quando a escuridão da noite nos enche de medo e angústia e tudo em volta parece povoado de vozes estranhas e fantasmas desconhecidos.
Fica conosco, senhor, quando os minutos e as horas, os dias, os meses, os anos são devorados pelo afã de aplausos e títulos, riqueza e poder, fama e celebridade.

Caminha conosco, Senhor, quando o fardo dobra de peso, as pernas tremem e vacilam, a cruz das dores e do sofrimento se amplifica e não sabemos como carregá-la. 
Fica conosco, Senhor, quando, apesar da carga que nos encurva os ombros, teimamos em ir adiante, não admitindo a fragilidade, nem a necessidade de parar.

Caminha conosco, Senhor, quando o ruído das coisas, das máquinas e das pessoas nos tornam surdos aos apelos que nos chegam do alto e do chão, de dentro e de fora.
Fica conosco, Senhor, e ensina-nos a resgatar o dom do silêncio e da escuta, na busca de um oásis de paz e quietude, em meio às turbulências do cotidiano.  

Caminha conosco, Senhor, quando nos surpreendem as encruzilhadas da vida. Ilumina o rumo de nossa escolha; para não perdermos a direção do porto.
Fica conosco, Senhor, quando as nuvens se adensam e perdemos a luz do sol.
Ensina-nos a acender uma vela, por menor que seja, ou caminhar no escuro.

Caminha conosco, Senhor, quando a multidão apressada nos absorve e atropela e nos fragmentamos em mil funções desconectadas de um eixo seguro.
Fica conosco, Senhor, quando necessitamos recolher nossos fragmentos dispersos e reconstruir o significado e a coluna vertebral da existência dilacerada.

Caminha conosco, Senhor, quando a ânsia dos shows, da imagem e dos espetáculos nos leva a substituir a via lenta e longa do processo pela vida curta do evento.
Fica conosco, Senhor, quando precisamos acreditar no fermento e na semente que germina no ventre úmido e oculto da terra, antes de buscar o sol, o ar e o céu.



Caminha conosco, Senhor, quando atividades desencontradas travam a trajetória e nos perdemos em meio a um corre-corre que ameaça submergir-nos.
Fica conosco, Senhor, quando a sede, a fome e o cansaço batem à porta.
Nutre-nos com Tua água viva, teu alimento eucarístico e teu repouso vivificante.

Caminha conosco, Senhor, como o fizeste com os discípulos de Emaús.
Sê um forasteiro que interpela os fatos e os ilumina com a Palavra.
Fica conosco, Senhor, quando declina o dia e as trevas se aproximam.
Sê, ao mesmo tempo, nosso hóspede e anfitrião, que oferece pão e salvação.    


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Caminho que a gente é ... Por Casaldáliga


 Por: D. Pedro Casaldáliga



Retirante,
só caminho
é que há.

Terra de roça e morada
não tem mais.
Os sete palmos de outrora,
nem todos vão encontrar! 

Retirante,
caminheiro,
só caminho
é que há.

Caminho que a gente é,
caminho que a gente faz:
para viver,
para andar,
para outros caminheiros
se ajuntar.
Caminho para os parados
se animar.
Para os perdidos,
de novo achar.
Para os mortos,
não faltar! 

Caminho que a gente é,
caminho que a gente faz.
Se tem cerca,
não tens braços
e facão para cortar?
Se a noite fechou-te o rumo,
procura junto aos irmãos,
coração em companhia
sempre encontra seu luar. 

Deus é Deus
em tudo e sempre.
A História
a gente a faz
lavrando no dia a dia
nossa hora e seu lugar.

Recolhe o sangue dos mortos
no sol de cada manhã.
Colhe dos ventos, o alerta
dos moços, colhe o afã,
dos índios, a liberdade,
e das crianças, a paz.

Faz do canto do teu Povo
o rítmo do teu andar.
Sacode o largo letargo,
deixa a saudade pra trás:
quem caminha na esperança
faz, no hoje, o amanhã!

Deixa os garimpos de lado,
se te queres bamburrar.
A Terra, que é mãe de todos,
amor de todos será!

Caminheiro,
companheiro,
só caminho
é o que há:
caminho que a gente é
caminho que a gente faz!

Por ora,
isso é o que há....
mas, um dia, o mundo vira
e tem o que haverá!


  Versos Adversos – Antologia  -  Editora Fundação Perseu Abramo
(Por indicação da Simpatizante Beth Resende - BH(MG) )

domingo, 13 de maio de 2012

PARABÉNS A TODAS AS MULHERES MÃES!

                                            

 MÃES, MAS SOBRETUDO MULHERES

Esta é uma semana na qual a imagem da mãe é muita louvada, reverenciada e poetizada. Quantas poesias e imagens tentam retratar e expressar o valor dessa imagem feminina de mãe como um ser quase divino. É verdade que há algo de divino na maternidade. O poder de gerar vida, amor uterino, amor que vem das entranhas, do útero é de onde se origina a palavra MISERICORDIA, que significa o amor que vem das entranhas, do útero, o amor de Deus.

Mas, essa imagem "divinizada" da mãe pode também ocultar toda a mulher que existe na mãe. Somos mães, mas, sobretudo mulheres, com todas as nossas potencialidades de amor, cuidado e doação, mas também com nossos desejos, limites, fragilidades e incapacidades como todo ser humano real. Não são poucas as mulheres que se anularam completamente num ato quase "crístico" de sacrificar-se por seus maridos e filhos, esquecendo de si mesmas. Não podemos esquecer as palavras de Jesus quando nos ensina que: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo" (Mc 12:33). Isso significa que não podemos amar ao outro perfeita e saudavelmente se não amarmos a nós mesmas. Esse amor sacrificial poder ser adoecedor para quem dá e para quem recebe.

De outra parte também temos mulheres impedidas biologicamente de gerar filhos/as ou ainda mulheres que decidiram que não querem ou não se sentem prontas para serem mães e por isso sofrem. Sofrem por se sentirem menos mulher ou pela pressão social que quer arbitrar sobre os seus corpos como se fosse coisa pública onde todos podem opinar. Segundo Simone de Beauvoir "o corpo da mulher é um dos elementos essenciais da situação que ela ocupa neste mundo. Mas, não é ele tampouco que basta para defini-la" [1]. Portanto o definir-se mulher ou mãe está para além das funções biológicas do corpo. A maternidade não pode ser reduzida a um útero engravidado.

A maternidade pode ser vivenciada e expandida para todo corpo que acolhe e torna-se casa, abrigo, seio que ampara, cuida, integra assumindo a plenitude da experiência maternal. Todo corpo pode ser um útero pronto para acolher e cuidar da vida. Mas, o estereótipo da grande mãe, da mãe-virgem do Salvador, ou das palavras atribuídas a Paulo, que dizem que "a mulher que será salva dando luz a filhos", continua pairando sobre nossas cabeças como modelos de mulheres salvadoras de si mesmas. (I Tim. 2:14). Talvez seja um bom momento para lembrarmo-nos das mulheres-mães da genealogia de Mateus 1, mulheres que contrariam esse modelo estereotipado. Apesar de estarem de alguma forma relacionada à maternidade, "mas é na contramão de ser mãe que elas se empoderam. O que as salva não é o ventre engravidado, mas o poder de decidir seus estados de gravidez"[2].

Tamar, Raabe, Rute, Bete-Seba, mulheres, mães que entram na genealogia de Jesus escapando dos esquemas e estereótipos da sua época e são lembradas não por sua superioridade ética ou por ser modelo disso ou daquilo, mas pela coragem de agir em favor se si mesmas e de sua comunidade. Também nós, a exemplo dessas mulheres, somos desfiadas a resistir à mitificação e a estereótipos, bem como a termos o direito de dizer neste dia que somos mães (se pudermos ou quisermos), mas, sobretudo somos mulheres.
                                                                Da mulher, Odja Barros*.
 [1] O Segundo sexo. Simone de Beauvoir; Faos e Mitos Vol.1, p.57.

[2] Nancy Cardoso. Maria e as outras. In: Maria entre a mulheres: Cebi e Paulus. São Leopoldo-RS, 2009, p.95.

*Odja Barros: Pastora da Igreja Batista do Pinheiro em Maceió/AL. Ajuda a coordenar a Aliança Batista Brasileira. É integrante do CEBI-AL e do Conselho Nacional do CEBI. Colaborou nas seguintes publicações: O calor que une nossos corações; Como um só povo: reflexões sobre a unidade da Igreja.



sexta-feira, 11 de maio de 2012

Petição Pública - Por Marciel Linhares





Meus Amigos, 

Acabei de ler e assinar este abaixo-assinado online: 

«Lei de Reforma do Congresso 2012» 

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=LRC2012 

Eu concordo com este abaixo-assinado e acho que também concordaras. 

Assina o abaixo-assinado aqui http://www.peticaopublica.com.br/?pi=LRC2012 e divulga-o por teus contatos. 

Obrigado.
marciel manoel linhares

Esta mensagem foi enviada por marciel manoel linhares , através do serviçohttp://www.peticaopublica.com.br em relação ao abaixo-assinado http://www.peticaopublica.com.br/?pi=LRC2012

segunda-feira, 7 de maio de 2012

LINDAS LEMBRANÇAS!

Ainda revivo a alegria experimentada no Encontro Regional de Simpatizantes que aconteceu em Camargos, no dia 18 de abril! A convivência, a partilha da caminhada que os diversos grupos estão realizando em BH, Timóteo, Ipatinga e outras comunidades, o momento celebrativo, colocando-nos em sintonia com os movimentos do mundo atual, foram profundamente significativos. Muito enriquecedor foi o aprofundamento. De fato, a semente do carisma das Irmãs Catequistas Franciscanas está se espalhando e sendo identificada na vida de muitas pessoas que através dele se colocam mais e mais a serviço do Reino.
Parabéns à equipe organizadora do encontro!
Valeu a pena ter estado aí para participar com vocês!
Meus cumprimentos à equipe que colabora com o Blog.
Continuemos juntos/as buscando viver o sonho de Francisco e Clara.
A cada dia que vem, a cada dia que vai, busquemos reconstruir a casa do mundo!  
                                                          Irmã Tereza Valler    
                                                                                                                                       


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