sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Encontro Nacional/Provincial de Simpatizantes (Rodeio – SC) -Parte 1



 O encontro foi realizado nos dias 1 e 2 de outubro na casa mãe de Rodeio-SC. Havia participantes de SC, SP, MG, DF, GO,PR,MA (as principais fotos foram perdidas,mas vou tentar recuperá-las através dos olhares dos amigos simpatizantes e vou postanto devagar)

 No sábado a programação resumida constou de :

1)    Acolhida e apresentação
2)    Oração dos simpatizantes de MG
3)    Palavras e Reflexões com Ir.Terezinha Sotopietra
4)    Trabalhos em grupo e suas partilhas
5)    Recreação

No dia 2:

1)    Apresentação do blog dos simpatizantes pelos representantes de MG
2)    Momento orante
3)    Apresentação do pré-projeto de Formação
4)    Repasse do encontro de Curitiba
5)    Informes e avaliação do encontro

Colocarei as orações em tópicos separados para maior proveito de todos.

Ponto chave do encontro se fez na palestra de Ir.Terezinha Sotopietra que com certeza tocou o coração de todos e ampliou nossos horizontes para uma maior reflexão e aprofundou nossa religiosidade. Expos fatos, vivência, experiência, cidade, contexto em que viveu Francisco de Assis bem como sua conversão. Nos esclareceu pontos do Carisma Fundacional que é composto de:

Gratuidade de Deus
Deus se encarna em cada tempo da história : Ele se tornou humano para vivenciar o humano.
O espírito de Deus é criativo
“ O amor não se segura, ele se reinventa, se transforma”
“Tu me seduziste e eu me deixei seduzir”

Sensibilidade Humana
“O dom é a especialidade vinda de Deus”
Inicia-se com 1 ou mais pessoas (como no caso de Francisco e Clara) conforme necessidades históricas
O carisma deve ser tão vivo quanto no início, mesmo que de formas diferentes (outros tempos, outra realidade...)
O nosso é comunitário

Vicissitudes do tempo
Nenhum grupo se mantem em função de si mesmo
A história, a realidade, as exigências mudam, devemos também mudar nosso “jeito”
Ter respostas atuais, ousadas (nós) com o espírito inicial (franciscano)
É interessante para tanto o conhecimento da história e dominância de classes na época de Francisco. (tópico já postado anteriormente)
“Nós somos o que somos, diante de Deus”

A proposta de Francisco foi:
- Morar fora da "cidade" (sair dos conventos, do sistema da época, do "mundo")
- Ir pobre, em comunidade, entre "leprosos" (eram pessoas altamente discriminadas pela sociedade, quando diagnosticada o padre fazia o ritual de morte (em vida, para a família) e o portador da doença saia da cidade)
- "A humildade traz relações mais humanas e duradouras"
- Viver em nova economia, trabalho para sustento de todos e não para o acúmulo
-" O humilde não exerce poder sobre ninguém"
- A contemplação de Clara é olhar para fora, para os outros e não para si

Economia Evangélica

Não se pode esperar sociedade igualitária com práticas injustas.
Não fortalecer o mundo injusto
Cuidado com a natureza
Economia e consumo solidários
Nova proposta: trabalho não para o acúmulo

Muito também foi discutido ("ferrenhamente" digamos, rs, entre os simpatizantes) os conceitos chave de FÉ, RELIGIOSIDADE E RELIGIÃO 
As pessoas podem ter fé e não ter religiosidade, assim como podem possuir uma religião e não possuir fé e possuir religiosidade e não ter religião. Se possuimos os pontos em comum das três então alcançamos uma sabedoria impar, acredito. Participantes colocaram questões interessantes como por ex, a ampla discussão atual sobre religião (qual seria a "melhor", mais "correta") e pouco se fala de religiosidade.
Assim, compreendi que:
A Religião é um processo relacional desenvolvido entre o Homem e os poderes por ele considerados sobre humanos, no qual se estabelece uma dependência ou uma relação de dependência. Essa relação se expressa através de emoções como confiança e medo, através de conceitos como moral e ética, e finalmente através de ações (cultos ou atividades pré estabelecidas, ritos ou reuniões solenes e festividades). A Religião é a expressão de que a consciência humana registra a sua relação com o inefável, demonstrando a sua convicção nos poderes que lhes são transcendentes. Esta transcendência é tão forte, que povoa a cultura humana.
Alguns teólogos defendem a idéia de que: “A Existência de Deus é uma necessidade”, no entanto queremos enfatiza-la como “A Necessidade”, porque nenhuma outra por mais sublime que a seja, equiparasse com a existência da “Vida de todas as vidas”. Podemos compreender que através da aceitação de Deus ou de um ser sobre humano, o ser humano consegue atribuir sentido metafísico às coisas. Sentido este que exorta a extrapolação do sensorial. Fora disto, tudo é vazio e não há compreensão que abarque a “inexistência como existente” e o acaso como responsável por todas as coisas.
A religiosidade é uma qualidade do indivíduo que é caracterizada pela disposição ou tendência do mesmo, para perseguir a sua própria Religião ou a integrar-se às coisas sagradas.  Precisamos diferir o ser possuidor de religiosidade, do religioso, que é fruto do sistema religioso.

" A melhor religião é aquela que me faz sentir melhor" (Sotopietra)

Bom, sua palestra foi ministrada de forma que os "leigos" pudessem compreender apesar de complexa em reflexões e esse é um pedacinho dela que ficou em mim e ressignificou minha caminhada.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Filme da vida de São Francisco - para comemorar seu dia 04 outubro

Paz e Bem!!!
Um lindo presente para todos nesse dia tão especial!!!


Filme de 2007 que retrata as vidas de São Francisco, Santa Clara e seus conterrâneos Santa Inês, São Bernardo, Santo Egídio, Santa Beatriz, Iluminato e outros tantos jovens heróis que, negando a si mesmos e abraçando suas cruzes, eternizaram a milenar Assis fundando a Ordem dos Frades Menores e as Irmãs da Pobreza, no alvorecer do áureo Século 13, auge do medievo cristão.(obs: não se esqueça de parar a música de fundo do site, no seu lado direito abaixo das" Postagens mais Acessadas")


Parte 1





Parte 2 - continuação


Mosteiro de São Damião

Vídeo com imagens do convento de São Damião, onde a imagem falou a São Francisco. Partes do Convento   de Santa Clara.

Assis: a cidade de São Francisco

No vídeo abaixo tem imagens lindas de Assis nos dias atuais e os lugares que foram preservados e continuam como no tempo de S.Francisco

Francisco de Assis (1181 - 1226)

S.Francisco de Portinari, Igreja Pampulha - BH



"Uma relação amorosa e terna com Deus, Pai e Mãe de infinita bondade,um amor simples a todas as coisas, vivenciadas como irmãos e irmãs.Inundou a esfera humana de espírito de benquerença, fraternura e paz, que continua a ressoar com o passar dos tempos até nossos dias."(Leonardo Boff)


...Até nossos dias, queridas irmãs, amig@ e companheir@s de Rodeio, Blumenau,Joinvile, São Paulo, Belo Horizonte, Vale do Aço, Itaobim, Brasília, Mato Grosso, Angola e tantas mais comunidades onde as Catequistas Franciscanas impulsionadas pela espiritualidade de Francisco e Claragarimpam novos sonhos e utopias reunindo e reunidas com as Minorias Abraâmicasatiçam fagulhas ardentes em corações peregrinos buscando uma nova terra e um novo céu!


"Se amares, serás amado;Se venerares, serás venerado;Se servires, serás servido;Se tratares bem os outros, serás também bem tratado.(Beato Egidio de Assis)


Então,  como aprendizes do seguimento de Jesus de Nazaré,de Francisco e Clara de Assis, viemos aqui para celebrar a vida nesta data querida!Com vocês, com tod@s louvad@s e bendit@s como novas criaturas porqueum outro mundo e uma outra sociedade são possíveis, aqui e agora.Nossa fraternura neste dia feliz!


PAZ E BEM!

Grupo FrancisClareano de Belo Horizont
eAugusto, Betania, Beth, Cassio, Cleomar, Gisele, Lindalva,Márcia e Maria Amélia

BH, Primavera de 2011

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Vinhateiros Pós-Modernos


Enfoque ecológico

“Havia um proprietário que plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou-a a vinhateiros...” (Mt. 21,33)

Herdarás o solo sagrado e a fertilidade será transmitida de geração em geração.
Protegerás teus campos contra a erosão e tuas florestas contra a destruição e impedirás que tuas fontes sequem e que teus campos sejam devastados pelo fogo, para que teus descendentes tenham abundância para sempre.
Se falhares, ou alguém depois de ti, na eterna vigilância de tuas vinhas abundantes, teus campos transformar-se-ão em solo estéril e pedregoso ou em grotões áridos, teus descendentes serão cada vez menos numerosos, viverão miserávelmente e serão eliminados da face da terra.
E as vinhas serão entregues a outros vinhateiros que saberão cuidar delas”.

E eis que a primavera vem ao nosso encontro! Cada tempo, cada estação... com sua originalidade, novida-de e surpresa, impelindo-nos a fazer a travessia para descobrir o sentido da existência escondido na apres-sada rotina do cotidiano.
Na sua etimologia, a palavra “primavera” dá a idéia de algo primeiro (primo vere), de início, de novidade.
Termina o inverno, o tempo do silêncio, do fechamento, da hibernação..., para explodir na estação verde, de vida, de cantos e cores. Nada melhor do que o anúncio luminoso da primavera para acordar nosso ser interior. Sempre haverá primavera quando optarmos pela leveza da vida, pela beleza do humano, pela esperança do crescimento, pela força da comunhão universal...
A primavera como estação restauradora por excelência, vem também recordar a missão e o sentido da presença do ser humano no contexto da Criação.

Segundo o relato bíblico, a primeira vocação do ser humano é a de ser jardineiro, pois recebeu do Criador a missão de cuidar e preservar a Sua “vinha”: lugar onde os homens, as mulheres e as crianças convivem em harmonia e compartilham os frutos abundantes das videiras. 
Existimos para acariciar a terra, para prepará-la, para fertilizá-la, para cuidá-la, para torná-la bela.
Mas que coisas horríveis fizemos com a vinha que herdamos!
Quando observamos vinhas outrora verdejantes e agora destruídas ou entulhadas de lixo, uma sensação de violação, de tragédia, quase de sacrilégio, se manifesta no nosso interior. E uma voz ecoa das profunde-zas da destruição: “Quê fizestes de minha vinha?”.

Por sua atitude de arrogância e de autosuficiência, o ser humano explorou exaustivamente a vinha herda-da e a destruiu, depredou, aniquilou, tomou posse dela... Assim, não foi respeitoso para com o Criador que a ele reservou a missão de cuidar da sua vinha e de compartilhar os seus frutos.
Conquistamos demais e cuidamos de menos. A ameaça provém da atividade humana altamente depreda-dora da vinha a nós confiada. Perdemos o sentido da corrente única da vida e de sua imensa diversidade.
Esquecemos a teia das inter-dependências e da comunhão de todos com a Fonte originária de tudo.
As conseqüências trágicas estão presentes por toda parte:
Buracos na camada de ozônio, mutações climáticas provocadas pelo efeito estufa, enchentes diluvianas, secas prolongadas e devastadoras, desertificação de imensas áreas, erosão de solos férteis, desapare-cimento de florestas devido ao desmatamento e às chuvas ácidas, rios assoreados e poluídos devido ao esgoto doméstico e aos detritos industriais, ar irrespirável pela presença de monóxido de carbono e outros gases venenosos, poluição sonora e visual das grandes cidades, crescimento e acúmulo de lixo urbano e industrial, esgotamento das fontes de energia não renováveis e dos lençóis freáticos de água, extinção continuada e crescente de espécies vegetais e animais, pondo em risco a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas ...

A crise ecológica é a própria crise do ser humano. A “vi-nha” do Senhor está em ruínas, devido a maneira como a tratamos. Arrancamos dela pedaços para satisfazer nossos interesses individuais e não nos damos conta que estamos destruindo nosso próprio espaço vital.
“A terra não pode ser vendida para sempre porque a terra é minha e vocês são inquilinos e hóspedes meus” (Lev. 25,23). Desta afirmação podemos deduzir claramente que o

ser humano não é senhor da vinha e não pode fazer com ela e com os outros seres aquilo que quiser.
Isso significa que a realização mais profunda das pessoas e da natureza está na gratuidade, não no seu aspecto utilitário. A vinha aparece sempre como aliada do ser humano; ela nos ensina a viver em harmo-nia com a água, com a terra e com todos os seres uma relação de aliança, não de dominação arbitrária e exploradora.
Os profetas sempre insistiram neste ponto: quando o povo guarda a aliança com Deus e respeita a terra, esta fica fértil e generosa. Quando as pessoas rompem a aliança com Deus e se afastam d’Ele, a vinha fica estéril. (cf. Is. 5,1-7)
A vinha não é o lugar para a espoliação e a devastação, mas para o louvor e o serviço a Deus.
A vinha não foi dada em herança para o consumismo, mas para a vida; não é para que uns poucos se apropriem dela como donos, mas para todos abrigar e alimentar; ela não é campo para a guerra, mas para a convivência fraterna, a solidariedade, a justiça e a paz. Somente a vivência dessa relação do ser humano com a vinha possibilitará novas relações sociais e ambientais, o novo tempo de paz e justiça.

A primeira relação do ser humano com a Vinha, portanto, não é a da posse mas a da acolhida, por ela ser dada em herança. Todos os bens da Criação são recebidos por nós deste modo, ou seja, como dons.
A Vinha como realidade doada, convida à compreensão de sua origem, não para dominá-la e manipulá-la, mas para tornar o dom uma benção fecunda para todos. Ela é um dom de Deus que deve ser acolhido com reverência, respeito e louvor.
No fundo, trata-se de reconhecer que a Vinha “dada-a” é “doada-por”. Ela deve, por isso, ser recebida como fecundidade, não como algo que é objeto de conquista e domínio. Isso fundamenta não um fazer produtivo, mas um agir compartilhado: “trabalhar com” o Criador, cuidando da Vinha para que ela seja fecunda e alimente a alegria de todos.

A vinha é dada por Deus em função da vida. Por isso a Vinha é sagrada e é lugar de contemplação e encontro íntimo com o Criador; ela é o teatro da glória de Deus, isto é, da manifestação da presença divina.
Aqui já não cabe mais nenhuma atitude de dominação, de exploração, de depredação e de posse.
O cuidado e a beleza da vinha impõe-se ao desejo consumista desenfreado, pois somos jardineiros e não exploradores.
O que caracteriza essa nova atitude é o cuidado em lugar da dominação, o reconhecimento do valor de cada criatura e não sua mera utilização humana, o respeito por toda forma de vida e os direitos e a dignidade da natureza, não sua exploração.
Assim, o exercício do cuidado, por parte do ser humano, deve significar respeito à ação criativa divina, contribuir com o crescimento e a evolução, garantir a sua continuidade, cuidar e fazer da vinha uma fonte de bênçãos, ou seja, de comunhão com ela e, a partir dela, harmonia interior, comunhão com as outras pessoas e estreitamento de relações com o próprio Criador.

Quem sabe, um dia, os seres humanos olharão novamente para a vinha do Senhor com olhos encantados e sofrerão ao vê-la violentada pelos vândalos que a estupram em nome do crescimento econômico.

Textos bíblicos:  Mt. 21,33-43   Is. 5,1-7

Na oração: - entoar um hino de louvor e gratidão a Deus pelos benefícios que recebe a cada dia da Criação;
                       - ter sempre presente que fomos criados para viver uma relação de amor e de solidariedade com
                         tudo e com todos;
                       - assumir gestos de cuidado para com o meio ambiente: reduzir, reciclar, reutilizar, replantar...





sexta-feira, 23 de setembro de 2011

SURPREENDA





Honre a palavra,

cumpra a promessa feita,

seja grato,

seja honrado,

aja de acordo com a fala,

nisto consiste a novidade,

faça aquilo que deve ser feito

pois é o que o coração manda,

qualquer coisa diferente disto

cai no lugar comum da mediocridade estabelecida: mentira, desonra, incoerência, falsidade, engano, mas se isto já é tão comum não é, de fato, verdadeiro engano, é apenas aquilo que se espera, portanto surpreenda!
Esta surpresa será deveras apreciada e, apesar de, eventualmente, alguns te considerarem bobo você apenas quer ser surpreendido e surpreender com algo essencialmente humano.

Esta capacidade de surpreender é hoje em dia verdadeiro ato de revolução. Por isso Jesus foi surpreendente, assim como Buda, assim como Gandhi, mas grandes nomes parecem inalcançaveis, quando foram apenas isto: humanos. E todo eles disseram que a grandeza é um ato simples de honra, de amor, de verdade. Grandes mestres foram grandes apenas por estes atos. O salto de qualidade da consciência humana requer estes atos tão surpreendentes! Agora mesmo você pode surpreender e tornar-se mestre de si, ser humano. Há nisso verdadeiro poder! Surpreenda! Surpreenda-se! Seja humano.

(Autor desconhecido)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Francisco e Clara - mergulhados na realidade de sua cidade

“Δ ƨɛмɛитɛ ғσι ℓαиçα∂α. Ĵá иαƨcɛʋ.
Иãσ ∂á мαιƨ ραяα яɛcσℓнɛя. Ѵαι ρяσ∂ʋʓιя ғяʋтσƨ!
É ʋмα αтιтʋ∂ɛ ρяσғéтιcα иʋм мʋи∂σ тãσ иɛcɛƨƨιтα∂σ!"
(Alcires Ferrari – Blumenau/SC)

Para beber da fonte francisclariana lembramos que ela brotou em um contexto de Idade Média européia, um período de transição entre o feudalismo e a ascensão da burguesia, ou seja, o capitalismo mercantil. É, portanto, uma conjuntura em movimento, com mudanças profundas nas formas de estabelecer relações, de organizar a produção e de posicionar-se nas camadas sociais. A igreja, ainda “senhora feudal”, uma vez que era proprietária de diversos feudos, está também sofrendo as consequências de tal movimento.


A reflexão se inspirou em algumas imagens:

A primeira delas, Clara e Francisco contemplando o presépio, o Mistério da Encarnação do Verbo. Nela descobrem que o “menino envolvido em faixas e deitado em uma manjedoura” é o grande sinal da presença e fidelidade de Deus para com a humanidade. A partir desta experiência, também eles mergulham profundamente na realidade de sua cidade, e a descobrem diferente do que até então haviam visto. Identificam fissuras e assimetrias. Encontram-se com aqueles que habitam os “porões” de Assis. Diferentemente da forma de vida religiosa que havia até então, baseada na busca da santidade a partir da “fuga do mundo”, o que Francisco e Clara fazem é um movimento de aproximação do “mundo”, compreendendo-o mais profundamente e assumindo nele posicionamentos, tanto eclesiais, quanto políticos e econômicos. Viveram uma fé baseada na solidariedade e na mudança de lugar social. Recriaram relações que, para seu tempo, foram chocantes. Encontrar-se diariamente com leprosos já havia se tornado insuportável para os santos de Assis. A atitude de abandonar a casa dos pais, pela porta da frente ou, quando não foi possível, pela porta dos fundos, pôs em evidência a fragilidade do sistema social e eclesial daquele período: desigualdades, hierarquias e absolutismos.

Uma vontade, um só Carisma

Ser missionário/a no mundo de hoje, tão secularizado e com a aparência de que muitas pessoas estão afastadas de Deus parece uma missão difícil! Há, entretanto, uma profunda vontade de algumas pessoas de proclamarem uma boa nova por meio do carisma francisclariano.

Este desafio vem sendo assumido cada vez mais por simpatizantes laicos/as que desejam caminhar junto com as Irmãs Catequistas Franciscanas. Caminhada esta, mais aberta, em sintonia com os apelos atuais. Os/as simpatizantes querem contribuir com a construção de um novo tempo, seguindo os passos de Francisco e Clara, na busca por um mundo mais solidário e justo.

Com o objetivo de se unir às Irmãs Catequistas Franciscanas e com vontade de abrir novos caminhos, a partir de agora, vamos acompanhar o depoimento de Armando e Alcires Ferrari, comerciantes. Missionários leigos que estão experienciando o carisma francisclariano.


- Como conheceu as ICF?

Fazíamos trabalho de Pastoral juntos como Cebs e Cebi, que foram as Irmãs Catequistas Franciscanas que trouxeram para Blumenau.

- Quando decidiu ser simpatizante? Qual sua expectativa de ser missionário?

Fomos convidados a ser simpatizantes, pela Irmã Hilda Moratelli, não sei precisar a data, mas com certeza, antes do ano 2000, porém acho que já éramos missionários.

- Qual a sua compreensão do carisma? E o que acha do carisma?

É viver os ideais de Francisco e Clara, despojados de qualquer ambição do ter. Acho que se o mundo tivesse seguido as pegadas deles estaríamos com uma sociedade de amor.

domingo, 11 de setembro de 2011

Altissimu, onnipotente bon Signore... Tue so'le laude, la gloria e l'honore et onne benedictione



(Texto original em dialeto úmbrio)
Altissimu, onnipotente bon Signore,
Tue so’ le laude, la gloria e l’honore et onne benedictione.
Ad Te solo, Altissimo, se konfano,
et nullu homo ène dignu te mentovare.
Laudato sie, mi’ Signore cum tucte le Tue creature,
spetialmente messor lo frate Sole,
lo qual è iorno, et allumeni noi per lui.
Et ellu è bellu e radiante cum grande splendore:
de Te, Altissimo, porta significatione.
Laudato si’, mi Signore, per sora Luna e le stelle:
in celu l’ài formate clarite et pretiose et belle.
Laudato si’, mi’ Signore, per frate Vento
et per aere et nubilo et sereno et onne tempo,
per lo quale, a le Tue creature dài sustentamento.
Laudato si’, mi’ Signore, per sor Aqua,
la quale è multo utile et humile et pretiosa et casta.
Laudato si’, mi Signore, per frate Focu,
per lo quale ennallumini la nocte:
ed ello è bello et iocundo et robustoso et forte.
Laudato si’, mi’ Signore, per sora nostra matre Terra,
la quale ne sustenta et governa,
et produce diversi fructi con coloriti flori et herba.
Laudato si’, mi Signore, per quelli che perdonano per lo Tuo amore
et sostengono infirmitate et tribulatione.
Beati quelli ke ‘l sosterranno in pace,
ka da Te, Altissimo, sirano incoronati.
Laudato si’ mi Signore, per sora nostra Morte corporale,
da la quale nullu homo vivente po’ skappare:
guai a quelli ke morrano ne le peccata mortali;
beati quelli ke trovarà ne le Tue sanctissime voluntati,
ka la morte secunda no ‘l farrà male.
Laudate et benedicete mi Signore et rengratiate
e serviateli cum grande humilitate…
Altíssimo, omnipotente, bom Senhor,
a ti o louvor, a glória, a honra e toda a bênção.
A ti só, Altíssimo, se hão-de prestar
e nenhum homem é digno de te nomear.
(Versão em Português)

Louvado sejas, ó meu Senhor, com todas as tuas criaturas,
especialmente o meu senhor irmão Sol,
o qual faz o dia e por ele nos alumias.
E ele é belo e radiante, com grande esplendor:
de ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Lua e as Estrelas:
no céu as acendeste, claras, e preciosas e belas.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Vento
e pelo Ar, e Nuvens, e Sereno, e todo o tempo,
por quem dás às tuas criaturas o sustento.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Água,
que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Fogo,
pelo qual alumias a noite:
e ele é belo, e jucundo, e robusto e forte.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e governa, e produz variados frutos,
com flores coloridas, e verduras.
Louvado sejas, ó meu Senhor, por aqueles que perdoam por teu amor
e suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados aqueles que as suportam em paz,
pois por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, ó meu Senhor, por nossa irmã a Morte corporal,
à qual nenhum homem vivente pode escapar:
Ai daqueles que morrem em pecado mortal!
Bem-aventurados aqueles que cumpriram a tua santíssima vontade,
porque a segunda morte não lhes fará mal.
Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças
e servi-o com grande humildade…

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