domingo, 11 de setembro de 2011

O Grito dos Excluídos - o que é


O Grito dos Excluídos é uma manifestação popular que surgiu a partir do desejo das Pastorais Sociais de trabalharem cada vez mais articuladas, a fim de atuar mais eficazmente diante da situação de exclusão social crescente no Brasil. Esta preocupação foi levantada após a Segunda Semana Social Brasileira, em 1994. O evento soma-se à Romaria dos Trabalhadores, que já vinha acontecendo em Aparecida-SP desde 1987. Articulado com a ação pastoral da Igreja no Brasil, ele retoma e aprofunda o tema da Campanha da Fraternidade, realizada anualmente durante a Quaresma.

Quando acontece?
Esta manifestação acontece no dia 07 de setembro, dia da Pátria, quando o Brasil comemora oficialmente sua independência de Portugal. A data tem razão de ser porque as pastorais sociais e os movimentos populares, em geral, entendem que o Brasil ainda não é uma país independente, no verdadeiro sentido da palavra. Independência para nós significa trabalho para todos, educação e saúde de qualidade, moradia, alimentação, acesso aos bens culturais. O País só será independente quando todos os cidadãos tiverem os direitos respeitados e as suas necessidades básicas atendidas.


Histórico
O primeiro Grito dos Excluídos, realizado em 1995, teve como lema “A Vida em Primeiro Lugar.” Aconteceu em cerca de 180 cidades. Realizado de forma descentralizada, suscitou boa participação e muita criatividade. Foi expressão da voz dos excluídos, criou laços de solidariedade e fortaleceu a esperança. Além disto, denunciou a concentração da terra e da renda, a política que gera o desemprego, a corrupção e a política neoliberal. Entre outras coisas, reivindicava a democratização da propriedade e do uso da terra, a distribuição da riqueza, da renda e um projeto de sociedade construído com ampla participação popular.

O segundo Grito dos Excluídos foi realizado no dia 07 de setembro de 1996, em mais de 300 cidades. Em Aparecida- SP, juntamente com a Romaria dos Trabalhadores, reuniu mais de 80 mil pessoas. Tendo como lema “Trabalho e Terra Para Viver”, quis ser um ato de fé no Deus da Vida, um grito profético por justiça e paz, denúncia contra o desemprego estrutural, além de buscar saídas para a situação de exclusão social e criar laços de solidariedade e fortalecer a luta e a esperança. Denunciou o processo de globalização que agravava a concentração, a posição das elites que vêem o desemprego estrutural como um “mal necessário”, o sacrifício de vidas humanas para salvar planos econômicos, a falta de uma política agrícola e a degradação do meio-ambiente.

O Grito dos Excluídos de 1997, com o lema “Queremos Justiça e Dignidade”, vai denunciar os abusos do sistema carcerário, a violência policial e o poder Judiciário, e ainda clamar contra a injustiça, pelos direitos dos presos, pela reforma agrária, pela demarcação das terras indígenas e contra o modelo de desenvolvimento econômico que gera desemprego.

É importante destacar, neste processo, a ampliação das parcerias. Se os Gritos de 95 e 96 foram coordenados somente pelas pastorais sociais em colaboração com outras entidades, o de 1997 deu um passo importante para consolidar as parcerias. Além das dez pastorais sociais e dos três organismos que compõem o Setor Pastoral Social da CNBB, fazem parte da coordenação nacional o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a Central Única dos Trabalhadores e a Central dos Movimentos Populares e outros. Nas diferentes regiões e municípios as parcerias se diversificaram ainda mais, articulando várias Igrejas cristãs, organizações não governamentais, movimentos sindicais e populares significativos.

Por: Dora Santana

(NOVO) Processo/Projeto de formação dos simpatizantes do carisma Francisclariano em MG




(A partir das propostas apresentadas nos encontros mensais,
de dezembro 2009 a julho 2010, nos grupos de Minas Gerais)


SIMPATIZANTES? QUEM SÃO ou QUEM SOMOS?

   Somos pessoas (mulheres, homens e jovens) que desejam seguir o Caminho de Jesus em irmandade, conforme a proposta de Jesus e o projeto de vida de Francisco e Clara de Assis, em sintonia com o jeito que as Irmãs Catequistas Franciscanas procuram vivê-lo e testemunhá-lo em sua espiritualidade, estilo de vida e missão. Poderíamos chamar esse CAMINHO de “Discipulado Missionário Francisclariano”. A V Conferência Latino-Americana, realizada em Aparecida em 2007, insistiu que precisamos nos formar como discípulas/os missionárias/os para respondermos – como fizeram Jesus, Francisco e Clara no seu tempo – aos apelos do mundo de hoje, sobretudo das pessoas que mais sofrem e, por isso mesmo, precisam de maior atenção e cuidado.

OBJETIVOS:

Proporcionar às pessoas interessadas a oportunidade de conhecer e vivenciar o carisma francisclariano junto com as Irmãs Catequistas Franciscanas.
Possibilitar que as/os participantes sejam protagonistas na formação da espiritualidade do carisma francisclariano por meio de metodologias participativas, inclusivas das diferenças: culturais, religiosas, de gênero, das gerações, em todas as dimensões da nossa vida.
Oportunizar experiências e vivências nos projetos desenvolvidos nos diversos espaços de atuação das Irmãs Catequistas Franciscanas.

POR QUÊ UM PROJETO DE FORMAÇÃO?

É vital que cada grupo construa o seu projeto/processo de formação. Consideramos essa uma importante diretriz, pois o Projeto de Formação busca o equilíbrio entre mística, reflexão, ações e metodologias concretas, como também possibilidades de crescimento e de enfrentamento dos desafios da Missão. Temos receio de grupos simplesmente “tarefeiros”.

Outra importância do Projeto de Formação também se reflete em relação à demanda de alguns simpatizantes de conhecerem as experiências e projetos desenvolvidos nos vários espaços de atuação das Irmãs Catequistas Franciscanas. Achamos essa proposta muito válida, porém se essa demanda faz parte de um “projeto em construção”, não poderá ser um mero intercâmbio de experiências de trabalho, ou um simples eclesiotur (turismo pastoral). Essa é uma das nossas preocupações.

Além disso, sentimos a necessidade de permanente construção da(s) identidade(s) do(os) grupo(os): o que estamos buscando, o vínculo com as irmãs, com a congregação, um nome que reflita mais de perto essa caminhada, objetivos, o elo que nos une, expectativas e outras questões...

O projeto de formação é o pilar que visa estruturar a nossa trajetória cuja essência está na Palavra de Deus e nos documentos da congregação que citamos abaixo no item dos pontos de partida e eixos da proposta de formação.

 Sentimos ainda a importância de sermos protagonistas dessa construção. Já participamos ou tivemos a oportunidade de conhecer vários grupos em que, toda a organização, as rotinas, as ações dos grupos já estão todas prontas. A maioria deles tem uma hierarquia bem definida de pessoas que decidem os seus rumos. Muitas vezes entramos mudas/os e saímos caladas/os desses grupos, pois alguém que fala por nós.
QUE METODOLOGIA QUEREMOS:

Precisamos construir uma metodologia que estimule e possibilite nosso protagonismo, que é o de caminhar na contramão da lógica dos grupos que nós participamos e vivenciamos até este momento. A metodologia que queremos é a de um movimento de constante desconstrução e construção, que é exigente e desafiador (desafia-a-dor).

Isso se concretizará por meio de momentos de convivência com as irmãs e outras pessoas que assumiram essa proposta, de encontros celebrativos mensais, de estudos de temas atuais na perspectiva francisclariana, de partilha de vida, sintonia, solidariedade e participação na vida e missão da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas, cultivando uma espiritualidade aberta às dores do mundo atual e às relações de irmandade com todas as pessoas e toda a Criação.

Pretendemos que toda essa trajetória seja documentada por meio de diversos registros, como as memórias das reuniões, fotos, filmagens, organização de cadernos de texto de subsídios e outros.


PONTOS DE PARTIDA E EIXOS DA PROPOSTA DE FORMAÇÃO:

  • A realidade local, nacional, mundial
  • A Palavra de Deus como luz que ilumina a nossa realidade pessoal, grupal, eclesial e social. Ela nos orienta para o mundo dos excluídos e excluídas, bem como ao compromisso com a transformação da sociedade.
  • O Carisma Francisclariano expresso nas Fontes Francisclarianas e nos escritos das Irmãs Catequistas Franciscanas.
  • As “Linhas Inspiradoras” ou orientativas da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas.
  • Os “Caminhos” específicos que as Irmãs da Província Imaculado Coração de Maria desejam trilhar.


ESPAÇOS DE INTEGRAÇÃO DA REFLEXÃO↔ESPIRITUALIDADE↔AÇÃO:

  • A própria família
  • O mundo do trabalho
  • O mundo dos/as pobres
  • Espaços eclesiais
  • Projeto “Economia, Ecologia e Vida”, por meio do estudo da Cartilha: “Outro consumo é possível”, que pode ser repassado em outros grupos.
  • Algum projeto concreto assumido em conjunto (grupo e irmãs)
  • Outros espaços possíveis...


MEIOS E POSSIBILIDADES:

  • Organização da capela da casa de Camargos para momentos de interiorização e oração pessoal e grupal.
  • Organização da biblioteca da casa de Camargos com livros, cartilhas, vídeos e outros materiais de formação.
  • Elaboração de cartilhas e outros textos, conforme os dons pessoais.
  • Criação de um blog dos simpatizantes onde se publicar artigos, experiências etc.
  • Convite a pessoas que partilhem algum tema ou experiências significativas de inserção sociotransformadora e de espiritualidade francisclariana encarnada.
  • Conhecer projetos desenvolvidos pelas Irmãs Catequistas Franciscanas (Ceilândia, São Paulo, Goianira, Guatemala, Jardim Iririú...).
  • Encontros regionais de simpatizantes ( O 1º será em São Paulo nos dias 21 e 22 de agosto de 2010).
  • Outras iniciativas possíveis...

CRONOGRAMA:

  • Cinco encontros de formação (das 14 às 17 horas, com lanche compartilhado, na casa das irmãs em Camargos: 20 de fevereiro, 13 de março, 15 de maio, 10 de julho, 14 de agosto.
  • Dois seminários (com datas a combinar): um em novembro, com temática bíblica; e outro no primeiro semestre de 2011, sobre a economia e o consumo solidário.
  • Quatro retiros anuais com os grupos de simpatizantes das 8 às 13 horas, com lanche e almoço compartilhado, na casa das irmãs em Camargos ou em outro lugar a combinar: Páscoa (3 de abril); Festa de Santa Clara (14 de agosto em Camargos e 18 e 19 de setembro com em Timóteo); Festa de São Francisco (9 de outubro); Natal (17 de dezembro).

EQUIPE DE ARTICULAÇÃO E ANIMAÇÃO:

Uma equipe de articulação ou colegiado é uma possibilidade para enfrentarmos, coletivamente, os desafios, mas este espaço também está por ser construído e pensamos que é necessário que se organize alternativas de encontros periódicos com as outras equipes, de outras cidades e Estados, para construirmos metodologias mais partilhadas. Pensamos que a equipe é importante, mas deve ser rotativa ou periódica. Uma de suas prioridades é a permanente construção e dinamização do projeto de formação.


INTEGRANTES DA EQUIPE DE BELO HORIZONTE A PARTIR DE 10/07/2010:

Cleomar Poleto – BH Centro
Lindalva de Jesus Macedo - Esplanada
Maria Elizabeth Resende - Esplanada
Marília Rocha - Camargos
Alzira Munhoz – Camargos


AVALIAÇÃO: Momentos de avaliação pessoal e coletiva da trajetória. Esses momentos têm, também, uma dimensão propositiva no sentido de definir prioridades e ações de continuidade visando o constante aprimoramento do projeto de formação e da caminhada dos grupos.


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O "Grito" por todo país

"O grito", de Munch
O 17º Grito dos Excluídos mobilizou manifestantes em todo o país por justiça social e garantia de direitos. Com o lema Pela Vida Grita a Terra. Por direitos, todos Nós, os protestos tiveram como alvo os escândalos de corrupção, os mega projetos na Amazônia, as mudanças no Código Florestal e até as obras para a Copa do Mundo de 2014.

Fui levada por analogia á Noruega de 1893 quando Munch pinta "o grito" . Com demarcação de profunda angústia e desespero existencial, a figura desnivelada pelo som demostra a propagação das ondas sonoras. Assim o "Grito Nosso - dos excluídos" também vai em busca dos ouvidos atentos para abarcar os problemas sociais que mais nos comove. Esperamos que ele atinja a todos,principalmente os que podem engrandecer as políticas públicas do nosso país. Que não ocorra como no quadro de Munch (que aquelas duas pessoas atrás do que grita,não estão distorcidos porque não se abalaram com o grito), mas que o coração dos brasileiros seja tocado pelas questões sociais mais urgentes de serem mudadas.

– Dependendo da região e da cidade, os movimentos focam em algum direito ligado àquela realidade. Sempre em defesa do direito de participar, de ajudar a decidir, e questionando o modelo de desenvolvimento que gera exclusão – explicou Rosilene Wanseto, da coordenação nacional do Grito dos Excluídos.

Em Brasília, os manifestantes contra a Corrupção, movimento apartidário convocado pelas redes sociais na internet para protestar contra os episódios de desvio de dinheiro público nos ministérios dos Transportes, Turismo e Agricultura, além da absolvição da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), flagrada recebendo dinheiro do esquema de corrupção do governo do Distrito Federal, conhecido como mensalão do DEM.

Brasília - DF

Nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo, os manifestantes irão questionar remoções e despejos feitos para dar lugar às obras de estádios e mobilidade urbana para o Mundial de 2014.

Belo Horizonte - MG
Rio de Janeiro - RJ 
Fortaleza - CE

































Também estão na pauta das manifestações populares o uso de agrotóxicos, a criminalização e a violência contra a juventude, a tentativa de flexibilização do Código Florestal no Congresso, a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e a reforma política.



Em João Pessoa, o Grito dos excluídos levou às ruas mais de 2 mil pessoas, que se mobilizaram desde a tarde passada. Este ano movimentos sociais do campo e da cidade, pastorais sociais e diversas organizações populares saíram às ruas e a concentração ocorreu no Parque Solon de Lucena (lagoa), nas proximidades do no Cassino da Lagoa.
João Pessoa - PB


O manifesto do Grito está dividido em seis temas específicos que foram discutidos e elaborados pelos movimentos sociais organizadores do ato. São eles: Meio Ambiente, Trabalho, Políticas Públicas, Combate a criminalização da Juventude e dos Movimentos Sociais, Direitos das Mulheres e do Movimento LGBT, e o eixo Memória Mística e Utopia.

O Grito do Excluídos surgiu em 1995, ligado à Campanha da Fraternidade daquele ano. Criado pelo Setor Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a mobilização ganhou adesão de outras entidades e movimentos sociais aos longo dos anos.

Parte do texto: Correio do Brasil

17º Grito dos (as) Excluídos (as)


O Grito dos (as) Excluídos (as) chega a sua décima sétima edição com realização massiva – neste dia 7 de Setembro, data simbólica da Independência do Brasil. Consolidado como principal espaço de concentração, mobilização e afirmação dos movimentos sociais e suas demandas.

 O Grito deste ano tem como tema Pela Vida grita a terra...Por direitos todos nós!.Com este tema, o ato reforça a participação do povo que, através de suas inquietações e denúncias, se torna sujeito de transformações e de mudanças nas mais diferentes realidades brasileiras. Segundo Luis Bassegio, coordenador do Grito dos Excluídos Continental, a iniciativa do evento já está inserido no calendário popular. "[O Grito] tem se tornado um espaço de manifestação do povo que não tinha onde levantar a voz e encontrou nesse dia uma oportunidade para se manifestar”, disse.

 Contra as altas taxas de energia; pelo direito à moradia digna; pela participação cidadã no processo da Copa Mundial de 2014; contra o desemprego; pelo respeito às mulheres, aos povos indígenas, às crianças e adolescentes; contra os grandes projetos governamentais que afetam comunidades inteiras...Os motivos que levarão milhares de brasileiros e brasileiras às ruas amanhã (7) são muitos.

 Bassegio acredita que, ao longo desses dezessete anos, o Grito dos (as) Excluídos (as) se tornou um espaço de referência agendado do movimento popular, e relembra a trajetória da mobilização, que surgiu a partir do questionamento sobre o Dia da Independência e do apelo do povo pobre que não tinha espaço para manifestar suas dores.

 "É lá que a população faz suas reivindicações, e esse ano o sentido é diferente porque o Grito dará voz não só ao movimento, mas à Mãe Terra que geme em dores de parto”, acrescentou.

 A questão da vida no planeta, um dos temas em evidência nas lutas sociais de hoje, se somam a outras lutas e conquistas que o Grito tem alcançado ao longo de sua jornada. "Isso demonstra que o Grito não acontece somente na Semana da Pátria ou no próprio dia 7 de setembro, mas ao longo de todo ano. Está concentrado nas lutas locais e cotidianas dos e das militantes que lutam contra os megaeventos, despejos, agronegócio, baixo salário”, apontou Bassegio.

 Dentre as outras questões levantadas pelo Grito estão a desigualdade e a má distribuição de renda, problemáticas que têm sido grandes geradores da exclusão em que vive o povo brasileiro. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), o atual salário mínimo deveria ser de R$ 2.149,76 para atender as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas, conforme prescreve o art. 7 da Constituição. O atual salário mínimo no Brasil é de R$ 545,00, possui, hoje, metade do valor de compra de quando foi criado, em 1940.

 Dentre as lutas alcançadas pelos movimentos, Bassegio destaca o acesso à aposentadoria, resistência das comunidades às obras da Copa de 2014, para citar apenas algumas. Ainda muito há de ser feito. "Questões como código florestal, a Usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará região Norte, reforma agrária ainda estão na pauta dos grandes desafios do movimento”, relatou. 

 As mobilizações contam com apoio e promoção do Setor de Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Comissão Pastoral da Terra, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil (Conic), além de diversos movimentos e instituições, que lutam pela igualdade, justiça e a vida.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sacudindo a Terra



Um dia, o cavalo de um camponês caiu num poço.
 Não chegou a se ferir, mas não podia sair dali por conta própria.
Por isso o animal chorou fortemente durante horas, enquanto o camponês pensava no que fazer.
Finalmente, o camponês tomou uma decisão cruel: concluiu que o cavalo já estava muito velho e não servia mais para nada, e também o poço já estava mesmo seco, precisaria ser tapado de alguma forma.
Portanto, não valia a pena se esforçar para tirar o cavalo de dentro do poço.
 Ao contrário, chamou seus vizinhos para ajudá-lo a enterrar vivo o cavalo.
Cada um deles pegou uma pá e começou a jogar terra dentro do poço.
O cavalo não tardou a se dar conta do que estavam fazendo com ele, e chorou desesperadamente.
Porém, para surpresa de todos, o cavalo quietou-se depois de umas quantas pás de terra que levou.
O camponês finalmente olhou para o fundo do poço e se surpreendeu com o que viu
. A cada pá de terra que caía sobre suas costas o cavalo a sacudia, dando um passo sobre esta mesma terra que caía ao chão.
Assim, em pouco tempo, todos viram como o cavalo conseguiu chegar até a boca do poço, passar por cima da borda e sair dali trotando.
A vida vai lhe jogar muita terra, todo o tipo de terra. Principalmente se você já estiver dentro de um poço.
O segredo para sair do poço é sacudir a terra
Cada um de nossos problemas é um degrau que nos conduz para cima.
 Podemos sair dos mais profundos buracos se não nos dermos por vencidos.
 Use a terra que te jogam para seguir adiante!

Autor desconhecido

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Corrupção no rol dos crimes hediondos - Vote

Prezados,

Tem uma enquete no site do senado  http://www.senado.gov.br/noticias/DataSenado/
(ta em cima, na direita, bem pequena) pesquisando a opiniao publica sobre um projeto de lei que vai
colocar corrupcao no rol dos crimes hediondos. ate agora 97% dos votos foram 'a favor', mas foram apenas 2600 votos.
A enquete termina dia 31/08/2011
Divulguem!

Por Lindalva Macedo

Reflexão do dia



“ Crie laços com as pessoas que lhe fazem bem, que lhe parecem verdadeiras. E desfaça os nós que lhe prendem àquelas que foram significativas na sua vida,mas  que infelizmente deixaram de ser….
Nó aperta, laço enfeita…
Simples assim. “

Por Lindalva Macedo


A Paz esteja no seu coração - Reflexão 2

Hoje, estou propondo para a nossa reflexão esta mensagem do livro “A Via de Chuang Tzu” de Tomaz Merton.



A Necessidade da vitória

Quando um arqueiro atira sem alvo nem mira
Está com toda a sua habilidade.
Se atira para ganhar uma fivela de metal
Já fica nervoso.
Se atira por um prêmio em ouro
Fica cego
Ou vê dois alvos-
Está louco!

Sua habilidade não mudou. Mas o prêmio
Cria nele divisões. Preocupa-se.
Pensa mais em ganhar
Do que em atirar--
E a necessidade de vencer
Esgota-lhe a força.

A milenar sabedoria oriental está alicerçada em valores essenciais para a boa qualidade da nossa travessia. É oportuno ler e re-ler esse texto de modo a degustar toda a riqueza dos seus ensinamentos. A vivência da sua mensagem nos faz perceber o quanto nos atrapalha a procura exacerbada do sucesso.

Preocupar-se com a qualidade do nosso agir é natural e pertinente. Entretanto, a inquietação interior na busca da vitória confunde a nossa mente. Vencer a qualquer custo torna-nos pessoas ansiosas e intranqüilas. Essa agitação mental prejudica a qualidade das nossas ações e nos leva a consumir muita energia com poucos resultados.

Trabalhar com dedicação, mas sem a preocupação exagerada com o sucesso, é o caminho mais curto para produzirmos frutos benfazejos. A natureza nos ensina que: a serenidade da terra é o lugar propício para a semente germinar com total vitalidade. A agitação mental é inimiga da perfeição... A palavra pacificação, no seu sentido original, revela-nos essa maneira de agir sem perder a paz interior. Pacificação quer dizer: “ação que cria paz”. (Mística e Espiritualidade - de Leonardo Boff e Frei Beto página 136). Portanto, é fundamental investir na qualidade do nosso trabalho, mas, sem colocar o sentido primordial do nosso comprometimento na busca intranqüila do sucesso. Esse virá naturalmente, através do empenho e da serena dedicação. Por isso, é importante conservar a mente tranqüila e harmonizada. Esse modo de ser nos faz muito bem, pois é gerador da lucidez e do equilíbrio interior indispensáveis para o êxito das nossas ações.

Contatos: cassiojoao@bol.com.br


A Paz esteja no seu coração



“Chamava-se Norma. Estava doente, muito doente. Na véspera de sua morte, arrastou-se até o banheiro e foi até a pia para lavar-se dos vômitos. Abriu a torneira e a água fria escorreu sobre suas mãos... Ela parou, como que encantada pelo líquido que acariciava. E de sua boca saíram estas palavras inesperadas: “A água... Como é bela! Sempre que a vejo penso em Deus. Acho que Deus é assim...”.
A Morte na pia. A água que escorre... Os olhos contemplam a eternidade...”
(De Rubem Alves – do livro O RETORNO E TERNO)

Achei esse breve texto de Rubem Alves de rara beleza e de grande profundidade. Por isso, pensei em socializá-lo com vocês.

Vivemos a vida de maneira muito desatenta. A realidade, tensa e agitada do nosso cotidiano, transforma-nos em pessoas dispersas diante da vida. É essencial, tecer dentro de nós, uma maneira diferente de debruçar-se, criticamente, sobre o nosso caminhar. Uma nova postura de maior ausculta do coração e um olhar mais aguçado sobre a nossa travessia. Filosofia, no pensamento original grego, começa sempre assim: no deixar-se tocar pelo fascínio e pelo questionamento do mistério das coisas e dos fatos que nos rodeiam.

É fundamental adquirir essa sensibilidade que nos faz acalentar, com maior ternura, a solidariedade do amigo, a beleza da água, o encantamento da flor, a sabedoria do idoso, o acolhimento dado ou recebido na gratuidade, o sorriso confortante da criança, o sabor benfazejo do alimento... Precisamos, mais do que nunca, de re-descobrir essa capacidade de “ler” a vida e os acontecimentos com a ternura do coração. Deus revela-se nas inúmeras situações da vida, principalmente através das coisas simples do dia-a-dia. Todavia, para que isso aconteça, é vital manter-se na ausculta amorosa da vida, mas, sem o sentimento de domínio e de apropriação da mesma.

O grande educador Paulo Freire, de varias maneiras, nos alertou acerca dessa capacidade adormecida dentro de nós de saber “ler” a realidade. Tal sabedoria vai sendo conquistada, paulatinamente, através do olhar sensível do coração sobre o próprio caminhar.

A pessoa que adquiriu essa maneira de ser alcançou um tesouro valioso... Na maioria das vezes, embora tenhamos uma visão perfeita, somos cegos diante das belezas que a vida nos oferece.

É importante, com serenidade e harmonia, apaixonar-se por essa ausculta. Tal maneira de ser transforma-nos em pessoas alegres e joviais, possibilitando que a nossa caminhada seja mais saudável e prazerosa. A vida não é feita somente de dores e sofrimentos. Ela, também, nos oferece momentos gratificantes e benfazejos que, geralmente, podem ser degustados nas coisas simples, mas, essenciais para o nosso viver.

João Bosco de Carvalho
Contatos: cassiojoao@bol.com.br

domingo, 28 de agosto de 2011

O cântico da Fraternidade Cósmica - "Oração pela Paz de São Francisco"



A “Oração pela paz de São Francisco” é, certamente, um dos textos mais conhecidos do santo de Assis. Entretanto, essa oração, apesar de expressar de maneira simples e, ao mesmo tempo, profunda, o espírito de São Francisco de Assis, não foi escrita por ele. A sua composição remonta ao início do século XX, no contexto da I Guerra Mundial. Pouco tempo depois da sua difusão, foi atribuída a São Francisco.

Se queremos conhecer em profundidade e autenticidade a vida, a mística e o espírito de São Francisco, precisamos recorrer a uma das suas mais belas composições: o “Cântico do Irmão Sol”, uma das primeiras obras primas escritas em língua italiana antiga.

São Francisco, antes da sua conversão, era o chefe de um grupo de jovens e barulhentos trovadores da sua cidade natal. O ambiente do século em que ele viveu era marcado pela poesia e pela música da cavalaria, que, mais tarde, resultarão na lenda do Rei Artur e seus cavaleiros. Esse espírito cavalheiresco e de trovador não foi abandonado por Francisco após a sua conversão. Pelas ruas de Assis e dos burgos da região, ele, juntamente com seus companheiros, cantava louvores a Deus, chamando os seus ouvintes à conversão.

O Cântico do Irmão Sol carrega esse espírito trovador de Francisco. Entretanto, para conhecermos em profundidade o espírito presente nos versos desse cântico, é importante conhecermos o contexto em que ele foi gestado.

O Cântico do Sol é um cântico à luz. Mas esse cântico jorrou da noite mais escura e profunda. O período em que o Cântico do Irmão Sol começou a ser redigido foi um tempo particularmente difícil para Francisco. Dois anos antes de sua morte, após receber os estigmas do crucificado no monte Alverne, Francisco fez-se transportar até São Damião, local de moradia de Clara e suas irmãs. A própria Clara preparou-lhe uma palhoça com caniços e ramagem para protegê-lo da luz do dia. Uma doença dos olhos contraída durante sua estadia no oriente já o havia feito perder praticamente toda a visão. Nessa palhoça, Francisco passou mais de cinqüenta dias sem poder suportar a luz do sol ou do fogo à noite, com muito sofrimento causado pela sua doença. Nos raros momentos em que a dor lhe dava descanso e que ele conseguia dormir um pouco, eram tantos os ratos que corriam sobre ele que não conseguia descansar. Mesmo durante o dia e nos momentos de oração, os ratos não lhe davam descanso.

Foi nesse ambiente que Francisco começou a compor o seu Cântico do Irmão Sol, depois de receber a certeza de que participaria do reino celeste. Compôs os versos e a melodia para os mesmos, que ensinou aos seus irmãos. Instruiu esses mesmos irmãos a cantarem o cântico quando fossem pelo mundo e que o cantassem depois das pregações. Dizia que “Ao nascer do sol, deviam todos louvar a Deus por ter criado este astro, que durante o dia fornece luz aos nossos olhos; assim também, quando anoitece, todos deviam louvar a Deus por essa criatura, o nosso irmão fogo, que nos alumia os nossos olhos. Por isso nós devíamos, por estas e pelas outras criaturas que usamos todos os dias, louvar sempre o seu glorioso Criador”. Nos momentos em que estava mais atormentado pelas suas enfermidades, ele começava a entoar o cântico e pedia aos irmãos que prosseguissem. E assim foi até a hora da sua morte.

Essa capacidade de louvar o sol, a luz e as demais criaturas, mesmo sem poder contemplá-las, resulta da pacificação que foi sendo operada na vida de Francisco desde a sua conversão. Francisco é uma pessoa reconciliada com a sua própria humanidade, com os seus limites, com os seus medos. E porque há essa reconciliação interior, todas as demais criaturas são vistas como irmãs, fráteres, sorelas. Por isso Francisco pode cantar: amo irmã Clara, amo o irmão sol, amo o irmão fogo, amo o irmão verme. E foi dessa fraternidade ecológica que nasceu um dos mais belos escritos místico-ecológico do ocidente: o Cântico do Irmão Sol.

A versão que se segue é a do cantor e compositor Zé Vicente, que guarda a poesia e a estrutura do cântico original.

Onipotente e bom Senhor, a ti a honra, glória e louvor;
Todas as bênçãos de ti nos vêm e todo o povo te diz: Amém!

Louvado sejas nas criaturas, primeiro o sol lá nas alturas.
Clareia o dia, grande esplendor, radiante imagem de ti, Senhor.

Louvado sejas pela irmã lua, no céu criaste, é obra tua.
Pelas estrelas claras e belas Tu és a fonte do brilho delas.

Louvado sejas pelo irmão vento e pelas nuvens, o ar e o tempo,
E pela chuva que cai no chão nos dás sustento, Deus da Criação.

Louvado sejas, meu bom Senhor, pela irmã água e seu valor.
Preciosa e casta, humilde e boa, se corre, um canto a ti entoa.

Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão fogo e seu calor.
Clareia a noite, robusto e forte belo e alegre, bendita sorte.

Sejas louvado pela irmã terra, mãe que sustenta e nos governa
Produz os frutos, nos dá o pão com flores e ervas sorri o chão.

Louvado sejas, meu bom Senhor, pelas pessoas que em teu amor,
Perdoam e sofrem tribulação, felicidade em ti encontrarão.

Louvado sejas pela irmã morte que vem a todos, ao fraco e ao forte.
Feliz aquele que te amar, a morte eterna não o matará.

Bem-aventurado quem guarda a paz pois o Altíssimo o satisfaz.

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