segunda-feira, 18 de abril de 2011

Eucaristia: comungar com toda a vida


                                                                                                                             Frei Betto

     Eucaristia significa "ação de graças". É o sacramento central da vida cristã. Entre os fiéis, não se costuma dizer: "Fiz a primeira eucaristia". O habitual é: "Fiz a primeira comunhão". Quem vai à missa diz: "Vou comungar". Quase nunca fala: "Vou receber a eucaristia".
     Comunhão - eis uma palavra abençoada. Expressa bem o que a eucaristia significa. Comunhão vem da mesma raiz que a palavra comunicar.  Se comungo as mesmas ideias de uma pessoa é porque sinto profunda afinidade. Ela diz o que penso e exprime o que sinto. Na eucaristia comungamos: (1) com Jesus; (2) com os nossos semelhantes; (3) com a natureza; e (4) com a Criação divina.
     Jesus instituiu a eucaristia em vários momentos de sua vida. O mais significativo deles foi a Última Ceia, quando tomou o pão, repartiu entre seus discípulos e disse: "Tomai e comei, pois isto é o meu corpo". A partir daquele momento, todas as vezes que uma comunidade cristã reparte entre si o pão e o vinho, abençoados pelo sacerdote, é o corpo e o sangue de Jesus que ela está compartindo. A palavra "companheiro" significa "compartir o pão". Na eucaristia, compartimos mais do que o pão; é a própria vida de Jesus que nos é ofertada em alimento para a vida terna, deste lado, e eterna, do outro.
      Ao receber a hóstia consagrada - pão sem fermento - os cristãos comungam a presença viva de Jesus eucarístico. Nossa vida recebe a vida dele que nos revigora e fortalece. Tornamo-nos um com ele ("…que todos sejam um" (João 17,21).
      Ao instituir a eucaristia na Última Ceia, Jesus concluiu: "Fazei isto em minha memória". Fazer o quê? A missa? A consagração? Sim, mas não apenas isso. Fazer memória é sinônimo de comemorar, rememorar juntos. Ao comemorar os 500 anos da invasão portuguesa, o Brasil deveria ter feito memória do que, de fato, ocorreu: genocídio indígena, tráfico de escravos, exclusão dos sem-terra etc.
      Fazer algo em memória de Jesus não é, portanto, apenas recordar o que ele fez há dois mil anos. É reviver em nossas vidas o que ele viveu, assumindo os valores evangélicos, dispostos a dar o nosso sangue e a nossa carne para que outros tenham vida. Quem não se dispõe a dar a vida por aqueles que estão privados de acesso a ela, não deveria se sentir no direito de aproximar-se da mesa eucarística. Só há comunhão com Jesus se houver compromisso de justiça com os mais pobres, "pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê" (I João 4,20).
     A vida é o dom maior de Deus. "Vim para que todos tenham vida e vida em plenitude" (João 10,10). Não foi em vão que Jesus quis perpetuar-se entre nós naquilo que há de mais essencial à manutenção da vida humana: a comida e a bebida, o pão e o vinho. O pão é o mais elementar e universal de todos os alimentos. O vinho era bebida de festa e liturgia no tempo de Jesus. De certo modo, o pão simboliza a vida cotidiana e, o vinho, aqueles momentos de profunda felicidade que nos faz sentir que vale a pena estar vivos.
     No entanto, há milhões de pessoas que, ainda hoje, não têm acesso à comida e à bebida. O maior escândalo deste início de século e de milênio é a existência de pelo menos 1 bilhão de famintos entre os 6,5 bilhões de habitantes da Terra. Só no Brasil, 30 milhões estão excluídos dos bens essenciais à vida. E inúmeras pessoas trabalham de sol a sol para assegurar o pão de cada dia. Em toda a América Latina morrem de fome, a cada ano, cerca de 1 milhão de crianças com menos de 5 anos de idade.
     A fome mata mais que a aids. No entanto, a aids mobiliza campanhas milionárias e pesquisas científicas caríssimas. Por que não há o mesmo empenho no combate à fome? Por uma simples razão: a aids não faz distinção de classe social, contamina pobres e ricos. A fome, porém, só afeta os pobres.
      Não se pode comungar com Jesus sem comungar com os que foram criados à imagem e semelhança de Deus. Fazer memória de Jesus é fazer com que o pão (símbolo de todos os bens que trazem vida) seja repartido entre todos. Hoje, o pão é injustamente distribuído entre a população mundial. Basta dizer que 80% dos bens industrializados produzidos no mundo são absorvidos por apenas 20% de sua população. Ou seja, se toda a riqueza da terra fosse um bolo dividido em 100 fatias, 1 bilhão e 600 milhões de pessoas ficariam com 80 fatias. E as 20 fatias restantes teriam de ser repartidas para matar a fome de 4 bilhões e 900 milhões. Basta dizer que apenas 4 homens, todos dos EUA, possuem uma fortuna pessoal superior à riqueza somada de 42 nações subdesenvolvidas, que abrigam cerca de 600 milhões de pessoas!
      Jesus deixou claro que, comungar com ele, é comungar com o próximo, sobretudo com os mais pobres. No "Pai Nosso" ensinou-nos uma oração com dois refrões, "Pai Nosso" e "pão nosso".
     Não posso chamar Deus de "Pai" e de "nosso" se quero que o pão (os bens da vida) seja só meu. Portanto, quem acumula riquezas, arrancando o pão da boca do pobre, não deveria sentir-se no direito de se aproximar da eucaristia.
      No capítulo 25, 31-44 de Mateus, Jesus enfatiza que a salvação se sujeita ao serviço libertador aos excluídos, com quem ele se identifica. E na partilha dos pães e peixes, episódio conhecido como “multiplicação dos pães”, Jesus ressalta a socialização dos bens da vida como sinal da presença libertadora de Deus.
 Parte de outro texto do Frei Betto

" Trazemos em nosso corpo 15 bilhões de anos da história ou da evolução do Universo. Os átomos de nosso corpo já foram mares e vulcões, águias e serpentes, carvalhos e rosas (experimente olhar uma criança de rua consciente de que ela traz,em si, 15 bilhões de anos!). Toda a Criação está pois entrelaçada, formando uma única malha. Tudo que existe, préexiste e subsiste. Daí falarmos em Universo, e não em Pluriverso. Essa unidade faz o Cosmo - termo grego que significa " belo", e está na raiz da palavra cosmético, aquilo que traz beleza.

  Nosso corpo e a Terra têm a mesma proporção de água: 70%. Como a Terra,  nosso corpo possui as mesmas protuberâncias e grutas, ondulações e sistemas de irrigação, e até matas em forma de pêlos que protegem a fonte de vida. Somos filhos da Terra...

Já reparou que a nossa vida é uma respiração boca-a-boca com a natureza? Do nascimento à morte jamais deixamos de respirar. Morreríamos se não absorvessemos o oxigênio que nos é fornecido pelas plantas e algas dos oceanos. Contaminados estes a vida na Terra desaparecerá. E quando expiramos, soltamos ar pelas narinas e pela boca, devolvendo gás carbônico à natureza. As plantas e os planctons nutrem-se de gás carbônico. Eis a respiração boca-a-boca.

Viver é um movimento eucarístico

  Vejamos outra dimensão eucarística de nossa relação com a natureza. Impossível viver sem comida e bebida. Toda comida é uma vida que morreu para nos dar vida. O arroz que comemos no almoço é um cereal que morreu para nos dar vida... No ato de nutrição há um caráter eucarístico. Comer é comungar. Em suma viver é um movimento eucarístico.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A não violência e o amor aos inimigos - Por José Comblin


 (Reflexões com base em Mt 5,38-48 e  Lc 6,27-37)



“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam...”

 A não violência e o amor ao inimigo são, com certeza, as maiores características dos discípulos de Jesus e, também, as mais discutidas. Foram, muitas vezes, entendidas de forma errada ou negadas, com força, não somente por não-cristãos, mas também por cristãos que querem tornar a mensagem de Jesus mais aceitável. Nietzsche considerava essa doutrina uma moral de escravos e a entendia como uma reação de rancor e ressentimento de derrotados que não querem enfrentar a situação. Seria a expressão da covardia. Claro está que ela pode ser invocada por pessoas que realmente são covardes e querem legitimar a covardia. No entanto, quando se tomam os textos no seu sentido original, não se trata de covardia. Cabe a cada um de nós e a cada comunidade examinar como essa doutrina se aplica nos conflitos da vida cotidiana.

 O lugar social do amor ao inimigo e da renúncia à violência

 No texto de Mateus (Mt 5,38-48), o contexto mostra que o texto convém no quadro das comunidades depois da guerra da Judéia (66-70). A derrota dos judeus foi completa. Estava tudo arrasado, as comunidades de Mateus, ligadas ao judaísmo, podiam sentir-se totalmente esmagadas. O que fazer, o que pensar ou sentir nessa oportunidade? O inimigo está triunfando, e desapareceu toda esperança de resistência. “Nessa situação de opressão, o texto de Mateus expressa a consciência da possibilidade de agüentar a situação com amor ao inimigo e renúncia à violência e, assim, estar em superioridade quanto aos adversários, os gentios. Olhar para eles torna-se compreensível no seguinte raciocínio: Há uma diferença entre olhar [para baixo] para aqueles aos quais, de qualquer modo, se é superior e entre o fato de a pessoa subjugada preservar a sua honra, sabendo-se interiormente superior ao vencedor. A idéia de um Deus que está acima do bem e do mal permite suspeitar que essa postura seja um ressentimento”.

Como textos que constituem esse contexto de um povo subjugado, citamos Mt 5,41 que se refere às prestações de serviço obrigatório impostas pelos soldados como serviço ao estado; também Mt 5,39 com os quatro exemplos de reações não-violentas, o que se explica diante do desastre do ano 70; também a comparação entre Mt 5,44 e 5,9.

Há duas particularidades no texto de Lucas (Lc 6,27-37). A primeira é a representação de uma sociedade urbana em que as relações de reciprocidade são comuns e respondem a uma ética tradicional. É preciso tratar os outros sem ódio se queremos ser tratados sem ódio. Essa regra de ouro, a regra da reciprocidade, já era comum entre os filósofos gregos. Não é novidade cristã.

A segunda particularidade é a grande insistência de Lucas no dinheiro. O princípio geral é : “Dá a todo o que te pede”. Perdoar é perdoar a dívida, não cobrar a dívida (Lc 6,37-38). Aqui o inimigo é o devedor. Amar o inimigo é perdoar a dívida.

Dessa maneira, tanto Mateus como Lucas aplicam as palavras de Jesus a casos particulares, dando-lhes sentidos bem específicos. Eles não inventaram as palavras de Jesus. Receberam-nas de uma tradição comum. Essa mesma tradição deriva de Jesus. Como saber o que havia na tradição comum e o que o próprio Jesus pensava?


sexta-feira, 1 de abril de 2011

Fotos campanha e encontros

Agradecimento - Campanha Pró-Haiti

 “Lembrem-se de ser generosos/as, saibam repartir os bens com os pobres, porque são essas oferendas que louvam a Deus” (Hebreus  13,16).
“Recomendo-vos que vos lembreis dos pobres e necessitados; o que também procurei sempre fazer com grande diligência”
(Gálatas  2,10).


 Queridas/os simpatizantes do carisma francisclariano e demais pessoas amigas e colaboradoras.
No mês de dezembro de 2010, iniciamos uma campanha de advento solidário para ajudar a socorrer o povo haitiano em suas necessidades emergenciais. E agora voltamos, com o coração agradecido, para dizer: muito obrigada por sua generosa colaboração, que será traduzida em leite, água potável, grãos para semear..., que irão contribuir para saciar a fome e possibilitar vida mais digna ao povo haitiano. Nossa campanha em Minas Gerais rendeu o total de R$ 20.419,00.

 Essa experiência nos lembra que na história humana há edificantes testemunhos de solidariedade e compaixão com pessoas fragilizadas e empobrecidas. Os autores bíblicos falam com veemência da dádiva aos necessitados da partilha do pão e dos bens com os pobres, os órfãos, as viúvas, os migrantes. Diz Isaias:

Se abrires a tua alma ao faminto e o fartares, tua luz brilhará nas trevas... O Senhor estará sempre a teu lado, te fartará até em lugares áridos e fortificará os teus ossos” (Is 58,7-11).

Jesus não consegue anunciar o Reino de Deus e sua justiça sem dar preferência aos pobres, aos despossuídos de tudo. Ele se apresenta como o profeta da misericórdia de Deus, fazendo-se um com os últimos. Às pessoas sensíveis, que reagem com compaixão diante dos necessitados, Jesus fala:

 “Benditos sois vós, porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estava nu e me vestistes, era estrangeiro e me acolhestes, estava doente e me visitastes” (Mt 25,31-46).

Nesse relato, Jesus nem fala de justiça, mas das necessidades emergenciais: comida, água, roupa, teto... Fala de atitudes bem concretas: dar do que se tem, acolher, visitar, socorrer. Para Ele, o decisivo não é um amor teórico, mas a compaixão prática que socorre enquanto é tempo para recuperar a vida do povo fragilizado. É o amor compassivo que está na origem de toda a sua atuação no meio do povo. A compaixão não é para ele uma virtude entre as outras. Ele vive impregnado pela misericórdia: dói-lhe o sofrimento das pessoas. Nada o detém quando se trata de aproximar-se dos que sofrem e empenhar-se em favor deles.

Numa sociedade onde há multidões mergulhadas na fome e na miséria, como a do Haiti, abrem-se para nós duas alternativas: manter a frieza e a indiferença diante do sofrimento alheio ou despertar o coração, mexer as mãos e envolver-se para ajudar a mudar a sorte daquele país. Foi este o apelo de misericórdia que o povo haitiano nos fez no advento, ao qual muita gente respondeu com edificante empenho. Tanto por parte de irmãs e simpatizantes, quanto por parte de outras pessoas e comunidades, houve emocionantes provas de sensibilidade, solidariedade e partilha. Alguns depoimentos nos dão testemunho disso: “Fizemos muito mais do que uma campanha financeira para o Haiti”. “Conseguimos envolver centenas de pessoas através de grupos de economia solidária, grupos de reflexão, da rádio e do Informativo Paroquial”. “O conteúdo da carta nos permitiu dias de reflexão, de retiro, de contemplação de Jesus pobre e encarnado entre os mais pobres”. “Nesta campanha nos sentimos missionários/as, com as mãos na massa e os pés no chão”. “Para nossa confraternização de natal fizemos biscoitos de argila – para estar mais em comunhão com os haitianos. Foi uma experiência inesquecível...!”

Essas declarações nos deixam emocionadas e nos fazem entender melhor a postura de Jesus diante dos discípulos, quando estes lhe pediram para mandar para casa a multidão de gente faminta que o seguia. Ao invés de despedir o povo, Jesus comprometeu os apóstolos dizendo-lhes: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. E fez a multiplicação dos cinco pães e dos dois peixes. Nenhuma pessoa voltou para casa com fome e ainda sobraram doze cestos de alimento.

“Ver e ter compaixão é que faz a diferença
Um olhar compassivo muda tudo...
Aventurar-se a um olhar nascido nas entranhas da compaixão
é um caminho sem volta,
pois, quando nos deixamos tocar pela beleza humana machucada,
nunca mais seremos as mesmas pessoas.

Nunca mais poderemos chegar perto,
sem abrir o coração, a mente e as mãos
para acolher o invisível e,
com paixão, buscar juntas/os construir a esperança
compassiva e transformadora.

Ver e ter compaixão é deixar-se possuir
pela dor alheia, ser tomadas/os pelo "vírus" da solidariedade
e ir "contaminando" a humanidade, gota a gota,
acreditando que de "Nazaré" poderá sempre sair coisa boa.

Ver e ter compaixão
é ver a beleza da flor na casca dura da semente!!!
É sentir a ternura da irmandade dissolvendo a frieza do individualismo.
É reconhecer as "lepras" existentes e, num abraço
terno e comprometedor, curar mutuamente as feridas e
compartilhar a dignidade refeita”.
 (Irmã Carmelita Zanella).

A cada pessoa que se envolveu na campanha, que deu de seu tempo, seu pão, seu feijão e arroz, abdicou de um presente de natal... enfim, estendeu sua mão solidária em favor das crianças, das pessoas órfãs, mutiladas, famintas e desamparadas do Haiti, nossos sinceros agradecimentos. Que Deus os/as abençoe sempre! E que São Francisco e Santa Clara inspirem sempre a sua caminhada.
                                  
                                                                      
Irmã Carmela Panini
Irmã Alzira Munhoz
Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas

quinta-feira, 31 de março de 2011

Celebração de abertura dos 800 anos do carisma de Santa Clara

Nota: Esta Celebração é uma sugestão da Família Franciscana do Brasil para a Abertura do Ano Clariano, podendo ser adaptada à celebração eucarística da comunidade paroquial, celebração da palavra ou em outras celebrações da fraternidade e comunidades franciscanas.


Ambiente: preparar o local da celebração, de forma discreta (é tempo quaresmal), uma Cruz de São Damião, imagem de Santa Clara e ramos de oliveira ou de palmas.

Acolhida:
* Os irmãos e irmãs vão chegando;
*Animador do grupo acolhe com carinho a todos

Canta-se refrão meditativo:
“Não perca de vista, seu ponto de partida”.

- Enquanto se canta: uma pessoa com calma acende a vela colocada diante da imagem de santa Clara.

- Em seguida, um momento de oração silenciosa em vista do clima orante, rezando logo após

Todos: “Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, aqui e em todas as vossas igrejas que há em todo o mundo, e vos bendizemos, porque, pela vossa santa cruz remistes o mundo” (Test. 5).

Motivação inicial
:

Irmãos e irmãs, reunidos (as) em nome do Senhor e em grande comunhão enquanto Família Fanciscanaclariana, iniciamos o Ano Clariano (17/04/2011 a 11/08/2012) = 800 anos do Carisma de Santa Clara. Em sintonia com a Igreja que faz memória da entrada messiânica de Jesus em Jerusalém e o aclama com ramos nas mãos, a família Franciscana recorda o nascimento do Carisma Clariano evocando o gesto do Bispo Dom Guido ao entregar à jovem Clara um raminho de oliveira bento.

Era o sinal de Deus confirmando sua decisão de seguir os passos de Cristo pela vida consagrada.
Canto: (um canto apropriado ao domingo de Ramos)
Quem preside:
Recordando hoje a fidelidade de Cristo ao projeto de salvação do Pai, façamos o sinal da cruz.
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo
Todos: Amém!
Quem preside:
A graça e a paz de Deus, nosso Pai, o amor de Jesus Cristo, nosso Salvador, e a força do Espírito Santo estejam conosco.
Todos: Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!
BÊNÇÃO E PROCISSÃO DOS RAMOS
Quem preside:
O caminho que Jesus percorre é marcado pelo júbilo, louvação e aclamação do Messias. Os ramos que serão abençoados nos levam da festa da entrada de Jesus em Jerusalém ao desfecho doloroso da cruz. O ramo abençoado transformou-se para Santa Clara no sinal de Deus que confirmava seu compromisso no seguimento radical de Jesus Cristo.
Aclamação do Evangelho
Canto: SALVE, Ó CRISTO OBEDIENTE! SALVE AMOR ONIPOTENTE, QUE SE ENTREGOU À CRUZ E TE RECEBEU NA LUZ!
Proclamação do Evangelho Mt 21, 1-11.
Oração de bênção dos ramos
Altíssimo e Bom Senhor, pela Arca simbolizastes o povo unido no tempo de vosso servo, o justo Noé e sua família; e pela pomba trazendo o ramo de oliveira, anunciastes a vinda do Espírito Santo. Os filhos dos hebreus cumpriram estes símbolos acolhendo vosso Filho com palmas e ramos de oliveira e aclamando: HOSANA!
Assim também nós bradamos: HOSANA! Bendito o que vem em nome do Senhor!
Abençoai, Senhor, estes ramos para que, seguindo com alegria o Cristo, nosso Redentor, cheguemos por Ele à Jerusalém eterna. Por Cristo, nosso Senhor. AMÉM. (Oração do Rito Ortodoxo)
(Uma pessoa coloca um ramo grande e bonito de oliveira ou uma palma na cruz de São Damião à vista de todos).
Quem preside: asperge os ramos que as pessoas trazem nas mãos. Enquanto se canta:
* Os filhos dos hebreus, com ramos de oliveiras, correram ao encontro do Senhor,
Cantando: Hosana ao Filho de Davi...
Se a memória do acontecimento de Clara de Assis, acontecer na celebração de Ramos da comunidade paroquial franciscana, o ministro que preside, concluída a oração de bênção, toma um pequeno ramo e o entrega a uma jovem vocacionada à vida Francisclariana.
Recordação de Santa Clara

terça-feira, 22 de março de 2011

Carta do povo Kaiowá e Guarani á presidenta DilmaRousseff

Várias organizações
Adital


Que bom que a senhora assumiu a presidência do Brasil. É a primeira mãe que assume essa responsabilidade e poder. Mas nós Guarani Kaiowá queremos lembrar que para nós a primeira mãe é a mãe terra, da qual fazemos parte e que nos sustentou há milhares de anos. Presidenta Dilma, roubaram nossa mãe. A maltrataram, sangraram suas veias, rasgaram sua pele, quebraram seus ossos... rios, peixes, arvores, animais e aves... Tudo foi sacrificado em nome do que chamam de progresso. Para nós isso é destruição, é matança, é crueldade. Sem nossa mãe terra sagrada, nós também estamos morrendo aos poucos. Por isso estamos fazendo esse apelo no começo de seu governo. Devolvam nossas condições de vida que são nossos tekohá, nossos terras tradicionais. Não estamos pedindo nada demais, apenas os nossos direitos que estão nas leis do Brasil e internacionais.

No final do ano passado nossa organização Aty Guasu recebeu um premio. Um premio de reconhecimento de nossa luta. Agora, estamos repassando esse premio para as comunidades do nosso povo. Esperamos que não seja um premio de consolação, com o sabor amargo de uma cesta básica, sem a qual hoje não conseguimos sobreviver. O Premio de Direitos Humanos para nós significa uma força para continuarmos nossa luta, especialmente na reconquista de nossas terras. Vamos carregar a estatueta para todas as comunidades, para os acampamentos, para os confinamentos, para os refúgios, para as retomadas... Vamos fazer dela o símbolo de nossa luta e de nossos direitos.

Presidente Dilma, a questão das nossas terras já era para ter sido resolvido há décadas. Mas todos os governos lavaram as mãos e foram deixando a situação se agravar. Por último o ex-presidente Lula, prometeu, se comprometeu, mas não resolveu. Reconheceu que ficou com essa dívida para com nosso povo Guarani Kaiowá e passou a solução para suas mãos. E nós não podemos mais esperar. Não nos deixe sofrer e ficar chorando nossos mortos quase todos os dias. Não deixe que nossos filhos continuem enchendo as cadeias ou se suicidem por falta de esperança de futuro. Precisamos nossas terras para começar a resolver a situação que é tão grave que a procuradora Deborah Duprat, considerou que Dourados talvez seja a situação mais grave de uma comunidade indígena no mundo.

Sem as nossas terras sagradas estamos condenados. Sem nossos tekohá, a violência vai aumentar, vamos ficar ainda mais dependentes e fracos. Será que a senhora como mãe e presidente quer que nosso povo vai morrendo à míngua?. Acreditamos que não. Por isso, lhe dirigimos esse apelo exigindo nosso direito.

Conselho da Aty Guasu Kaiowá Guarani
Dourados, 31 janeiro de 2011.

sábado, 19 de março de 2011

Ano Clariano - 800 anos de Santa Clara



Prezados Irmãos e Irmãs,

Paz e Bem!

É com muita alegria que me dirijo a todos e todas Superiores e Superioras Maiores das Ordens e Congregações Religiosas, bem como os movimentos e simpatizantes de Santa Clara e Francisco de Assis, para convocá-los para a um envolvimento afetivo e efetivo nas Celebrações do VIII CENTENÁRIO DO CARISMA DE SANTA CLARA DE ASSIS, em 2012.

É a Família Franciscana do Mundo inteiro que está envolvida ou se envolvendo nas preparações dessa grande, histórica e significativa celebração.

Em junho passado, realizamos em Brasília, uma reunião com os coordenadores e representantes dos Regionais e um dos assuntos em pauta foi: o que e como celebrar os 800 Anos do Carisma de Santa Clara como Família Franciscana no Brasil. Tivemos o privilégio de contar com a valiosa assessoria de Frei Vitório Mazzuco que nos proporcionou uma reflexão enriquecedora baseada na espiritualidade de Santa Clara, e dando prosseguimento o grupo planejou o seguinte:

Ø CELEBRAÇÃO DO ANO CLARIANO de 17 de abril de 2011 a 11 de agosto de 2012.

Fundamentos na simbologia do RAMO que Santa Clara recebeu das mãos do bispo como um sinal de Deus sobre a sua vocação, por esse motivo, vamos dar início às celebrações do Ano Clariano no Domingo de Ramos, dia 17 de abril de 2011.

Ø TEMA: Santa Clara de Assis e de hoje: Caminho de unidade

Ø LEMA: Vida vivida em função do Amor

* Acreditamos que esse tema vai nos oferecer muitas possibilidades para aprofundar o Carisma de Santa Clara e revigorar nossa espiritualidade, e para isso, queremos contamos com a colaboração de todos os filhos e filhas de Santa Clara no enriquecimento mútuo como Família Francisclariana.

* Sintam-se convidados e convocados a enviarem seus textos para a sede da FFB que teremos a alegria de publicá-los e ou enviá-los para os membros da Família. Na realidade, essa tarefa ficará sob a responsabilidade da Comissão do Ano Clariano.

Ø ESTUDOS E REFLEXÕES sobre o Carisma de Santa Clara objetivando aprofundar o tema serão feitos pelos Regionais, Ordens, Congregações, Movimentos e Fraternidades.

Ø CONGRESSO CLARIANO para culminar as Celebrações:

* Local: Canindé

* Data: nos dias 9, 10 e 11 de agosto de 2012.

Nós, do Conselho Diretor, estamos agradecidas ao Frei Éderson Ofm Cap. que aceitou coordenar a Comissão do Ano Clariano ( CAC ) e nosso muito obrigada às Congregações que já liberaram as Irmãs Neves e Cidinha para compor a equipe.

A Comissão já fez sua primeira reunião e Frei Éderson apresentou o plano geral que eles fizeram ao Conselho Diretor e este já iniciou os encaminhamentos que lhe compete.

Na sede da FFB, em Brasília, já reservamos uma sala para os trabalhos da Comissão do Ano Clariano e para melhor interagir com a coordenação pedimos que acessem o nosso SITE, porque é um excelente instrumento de comunicação ou motivo é porque poucas ou pouquíssimas são as comunicações via ECT, normalmente são via internet.

Com esta carta sintam-se todos convocados, convidados e comprometidos com as celebrações que serão realizadas nos vários recantos do Brasil e do mundo em aprofundamento do Carisma e da espiritualidade de Santa Clara de Assis.

Com as bênçãos de Santa Clara.

Fraternalmente,

Irmã Maria Petronila de Sousa Soares, smic

Presidente

http://http://ffb.org.br/dinamico.php?id=802&categoria=800

quinta-feira, 17 de março de 2011

Morre Madre Maurina - Única freira torturada e exilada no regime militar


Madre Maurina Borges da Silveira (1926-2011), da Ordem Terceira de São Francisco, mineira de Perdizes, atuou no México, em Santa Catarina e em São Paulo. Foi torturada durante a ditadura militar no Brasil e morreu no último sábado (5 de março de 2011) em Araraquara, São Paulo, aos 87 anos, devido a falência múltipla dos órgãos.

Em outubro de 1969, a religiosa fora presa no Lar Santana, orfanato que ela cuidava em Ribeirão Preto, acusada de envolvimento com militantes das FALN (Forças Armadas de Libertação Nacional). No local onde atualmente funciona a Delegacia Seccional, madre Maurina foi torturada com choque elétrico por pelo menos duas horas seguidas. A irmã permaneceu um ano presa em São Paulo, até ser libertada do cárcere e levada para o exílio no México por força da ação revolucionária de um grupo guerrilheiro da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), que sequestrou o cônsul japonês em São Paulo, Nobuo Okuchi, trocando-o pela religiosa e outros presos políicos.

Dos seus torturadores, dois foram excomungados: os delegados Renato Ribeiro Soares e Miguel Lamano, ambos a serviço da então OBAN (Operação Bandeirantes). "Foi o arcebispo d. Felício da Cunha quem excomungou os dois, por causa das torturas contra presos políticos e das maldades feitas contra madre Maurina. Foi com o caso de Ribeirão que comecei a minha luta pela justiça social", declarou d. Paulo Evaristo Arns.

Numa entrevista de junho de 1998 ao Jornal do Comercio de Recife, Madre Maurina levanta suspeitas de que tenha sido vítima de vingança de famílias abastadas de Ribeirão Preto:
"Agora, tem uma coisa que eu nunca disse a ninguém. É sobre os ricos de Ribeirão Preto. No Lar Santana, orfanato que eu dirigia, tinha muita criança filha de mãe solteira e rica, o que era um escândalo social para a época (1969). Então, as crianças ficavam lá, mas o lugar era para os pobres. Eram cerca de cem crianças, e pelo menos 15 eram filhas de mães solteiras e ricas. Elas estavam tomando o lugar de outras, pobres, que precisavam de fato ficar no orfanato Lar Santana. As famílias davam cheques para nós e tudo o mais, mas o correto era que as crianças vivessem em suas casas. O que eu fiz? Devolvi as 15 crianças. Fui à casa de cada uma delas e as devolvi. E eram mansões, casas enormes. Eu dizia para as famílias: 'O orfanato é lugar de criança necessitada que precisa de um lugar para viver, que não tem pai nem mãe'. Acho que isso acabou influenciando de algum jeito no que me ocorreu depois. Não sei quem eram as famílias, mas isso deve ter tido ligação com a minha prisão."

Transcrevo a seguir o depoimento de uma companheira de cárcere da irmã Maurina.
Rose Nogueira



Madre Maurina era clarinha, tão branquinha e sua pele tão rosada que, mesmo naquela situação, a gente prestava atenção.

Ocupei sua cela, a 4 do Fundão do corredor do Dops. Levaram-na para o presídio Tiradentes naquele mesmo dia para que a cela fosse ocupada por mim, pela Ana Vilma Penafiel e por Tiana, uma professora que gritava ter sido presa por engano. À noite trouxeram Makiko Kishi, presa por ter fotografado o grande Carlos Marighella logo depois de ter sido assassinado pelo Esquadrão da Morte.

domingo, 13 de março de 2011

Envio missionário para Itaobim - Resposta


Vai, vai missionária do Senhor, vai trabalhar na messe com ardor...

Foi com grande alegria que no dia 26 de fevereiro recebemos em nossa fraternidade os grupos de simpatizantes, como acontece todos os meses. Só que... pra minha surpresa... vieram para celebrar o meu envio missionário para Itaobim.

Senti, por parte de todos e todas, muita dedicação, carinho e gratidão pelo tempo de convivência com eles e elas. Cada uma, cada um, foi expressando e rezando nossa convivência durante estes cinco anos em Camargos. Foi uma tarde muito agradável e fortalecedora.

Cada simpatizante trouxe um objeto com significado especial, para ajudar no enxoval da nova fraternidade. Diante de tamanha sensibilidade e sintonia com nosso carisma e missão, fiquei muito emocionada.

No decorrer da celebração eles e elas expressaram muitas orações e palavras de incentivo e encorajamento. Fui ungida com óleos bíblicos e enviada para ser o “bom perfume” na realidade de Itaobim, como recomendou Santa Clara.

Ungiram meus pés para que eu possa ser instrumento de Paz e Bem. As minhas mãos, para abençoar e acarinhar as pessoas que eu encontrar em meu caminho. O meu coração, para que esteja sempre aberto para acolher as diferentes pessoas, realidades e culturas que irei encontrar na nova missão. E a minha cabeça, para que eu possa agir com sabedoria e discernimento.

E para maior sintonia com nossa vida e carisma, já estão programando visitas para conhecer e somar conosco na missão de Itaobim.

Diante destes gestos feitos com muita devoção, ternura e carinho, senti forte a presença do Deus da Vida, que caminha e faz história comigo e com seu povo, que me fortalece e me anima para esta nova missão.

Sou muito agradecida ao Deus Pai-Mãe porque continua me chamando para ser “irmã do povo” em outras realidades, e também de ter convivido, partilhado e celebrado muitas vezes com estes grupos de simpatizantes, onde tive a oportunidade de ajudar e aprender muito.

Às minhas Irmãs Alzira e Perciliana, agradeço sensibilizada pelos lindos momentos de partilha, aprendizado e agora pelo apoio e força que são para mim neste momento.

Na sintonia e na prece grande abraço com carinho e gratidão,
Ir.Elsa Rossi

Á Elsa

Lança-se ao mundo
Abraça os sonhos
Abdica-se da facilidade das situações estabelecidas

Rema rumo ao desconhecido
Rumo aos desejos e necessidades alheias
-Não ás nossas necessidades-
Porque as nossas já são as suas há muito.

O Vale do Jequitinhonha nem sempre é o sonho de moradia e trabalho
Mas seus horizontes são grandes
Quando vislumbram-se o bem querer
A ajuda, a mão que ampara...

Com seu jeito meigo e forte
Seu sorriso cativante e acolhedor
Nos despedimos: Ir.Elsa

Nosso grande abraço
que Itaobim lhe traga alegrias e realizações!!!

Grupo de Camargos, por Gisele Portes
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