quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Companheiras, amigas, irmãs:



Estamos juntas celebrando esse dia claro de CLARA... a-gosto, mês da varredura por aqui nessa terra Brasil: muito vento,

muitas folhas pelo chão, muitas sementes voando por aí afora, então, quer dizer, que haverá muitos nascimentos e re-nascimentos também por aí... o Espirito sopra onde quer!

Acreditemos.

Nosso desejo e nossa ternura hoje nos diz que o seguimento de Jesus de Nazaré feito por Clara de Assis, àquela época, também é um apelo para nossas vidas no meio do povo, com o povo, junt@s sempre em busca de JUSTIÇA para tod@s!

Então:


"Amando-vos umas às outras com caridade em Cristo, demonstrai por fora,
por meio das boas obras, o amor que tendes por dentro" (Testamento, 59).


E nós, cá na periferia de todos os mundos, também como Teresa Valler,Lúcia, Marlene, Beatriz, Alzira, Elza, Dora, Augusta e tantas outras queremos estar junt@s celebrando, e em comunhão, esta gente feliz e sempre pedindo e cantando... "ME MOSTRE TEU ESPELHO, CLARA IRMÃ!"


Meu coração, não sei por que, bate feliz quando te vê...



Abraço bem carinhoso de nós,


Augusto,Betânia,Beth,Cássio,Cleomar,Gisele, 
Lindalva,Maria Amélia e Márcia


Grupo FrancisClareano BH
Festa de Santa Clara, 2011

Celebração do dia de Santa Clara

CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS CATEQUISTAS FRANCISCANAS
CNPJ/CMF 82.602.533/0004-50
PROVÍNCIA SANTA CLARA DE ASSIS
                   
                                                                                                                      


Sugestão para o ambiente: frase - “Não quis sair pela porta costumeira, mas foi por uma outra saída”; símbolos das portas alternativas, das outras saídas que o povo vai encontrando...

1.    Canto: Há 800 anos atrás, uma jovem pelos pobres optou. Seguindo a Cristo humilde e pobre. Amando aqueles que o mundo não amou (bis)
  São Claras negras, são Claras brancas, são Claras índias
  São Claras hoje, com rosto de mulher, latino-americana (bis)

2. Hoje, são tantas Claras que sonham e lutam por um mundo de igualdade
    São índias, negras, brancas  que fazem gerar no seu ventre a fraternidade (bis)

Introdução: Celebramos Santa Clara com o mundo que celebra 800 anos de brilho da luz clariana, que trouxe luz nova para a sociedade, para a igreja, para a VRC. O testemunho de Clara irradiou e derramou-se sobre Assis, atravessou fronteiras e falou aos corações. Sua luz continua iluminando, sua vida continua inspirando, seu projeto continua atraindo.

Todas: Clara – claridade, clarão de novidade! Clareia nossas buscas de cósmica irmandade!

Leitora: Lua brilhante em densa noite / alumias caminhos novo/
   do palácio e catedral / sais pra junto do leproso!

Todas: Clara – claridade, clarão de novidade! Clareia nossas buscas de cósmica irmandade!

Leitora: A Igreja enclausurada, e a sociedade em ebulição,
    não têm lugar para o pobre,/ que abrigas no coração!

Todas: Clara – claridade, clarão de novidade! Clareia nossas buscas de cósmica irmandade!

Leitora: Da pobreza queres o privilégio / a irmandade vives sem rodeios /
   Deus revela à menor / o melhor de seus anseios!

Todas: Clara – claridade, clarão de novidade! Clareia nossas buscas de cósmica irmandade!

Leitora: Clara vê, andam no escuro, igreja e mundo hoje ainda,
   reconduze ao evangelho, com a luz de tua vida!

Todas: Clara – claridade, clarão de novidade!  Clareia nossas buscas de cósmica irmandade!

CANTO: Me mostra teu espelho Clara, irmã, preciso desta imagem cristalina
     Me ensina a cultivar hoje e amanhã, ternura paz e bem em cada esquina.

OLHAMOS NO ESPELHO DA VIDA DE CLARA

Animadora: Em toda sua vida, Clara foi tecendo um projeto alternativo. Desde a juventude, à vivência em São Damião, apresentou às mulheres uma alternativa de vida cristã e atraiu a muitas para a louca aventura de viver o Evangelho.

O contexto de Clara de Assis - Parte 3

Da nobreza a São Damião: itinerário e proposta de Clara de Assis.

3ª Parte

                                               Nova forma de vida

O nome “Irmãs Pobres”, escolhido por Clara para designar o grupo, indica que o eixo central de sua forma de vida está justamente na pobreza e na irmandade.

Pobreza

A pobreza é bem concreta, não é idealizada. Com a recusa à posse de bens rentáveis, as Damianitas compartilham a sorte dos menos favorecidos, aqueles que nem mesmo nas comunas livres eram contados como cidadãos e cidadãs. Mas essa mesma opção se desdobra em outros aspectos, no modo de viver e nas relações de trabalho.
A casa é simples, as vestes são rústicas, os alimentos apenas suficientes. As Damianitas trabalham com as próprias mãos para se manter. Mas não seguem os critérios econômicos da época, não vendem nem acumulam o fruto do trabalho. Não são as servas da sociedade feudal, nem as operárias da nascente indústria. Possuem os instrumentos de trabalho, mas ninguém faz o papel do patrão. Todas trabalham, inclusive a abadessa, “com fidelidade e devoção”. A fidelidade indica o compromisso e o senso de responsabilidade com que o trabalho deve ser feito; a devoção indica o espírito, as motivações que o acompanham. O sistema é democrático: decidem em capítulo o trabalho que compete a cada uma (RSC 7,1-3). Quando é necessário, completam o sustento com esmolas, como fazem os pobres.

Irmandade

A irmandade é cultivada com sabedoria, persistência e realismo e tem várias dimensões: entre aquelas que assumiram o mesmo projeto de vida; com os Frades Menores; na comunidade eclesial; com todas as criaturas.
Irmandade em São Damião. Todas são igualmente irmãs, sem distinção de classe social, idade ou serviço assumido. O amor deve ser concreto, demonstrado com atitudes e obras (Test 59-60; RSC 10,6-7). Pede-se atenção especial às doentes, frágeis e aflitas (RSC 3, 10; 4,11-12; 8,12-14).
Mas Clara sabe que não bastam exortações e bons propósitos para que a irmandade aconteça. Por isso, organiza de forma democrática a convivência: estabelece o capítulo semanal, onde são tomadas as principais decisões; cria o conselho das discretas, para que a abadessa não governe sozinha; prescreve a participação de todas na eleição para os diferentes serviços (RSC 4,15-18.22-24).
Clara sabe também que a unidade no mesmo projeto de vida não faz desaparecer as diferenças e desejos individuais, e não tem força suficiente para eliminar a fragilidade humana. Por isso, é necessário cultivar alguns gestos e atitudes, para que as tensões e conflitos não resultem em destruição, mas ajudem no crescimento da irmandade. Cada uma deve manifestar à outra, com simplicidade e sem medo, suas necessidades; todas, inclusive a abadessa, são convidadas a praticar a correção mútua com caridade, pedir perdão com humildade e concedê-lo com misericórdia; as que servem fora do mosteiro não devem espalhar o que acontece em casa, nem trazer para casa boatos que não edificam (RSC 4,15-16; 9,6-10.15-16).

O contexto de Clara de Assis - Parte 2

Da nobreza a São Damião: itinerário e proposta de Clara de Assis.

2ª Parte

A opção de Clara

A vocação de Clara nasceu no seio da família como fruto de um processo de busca bem cultivado. A família de Clara levava uma vida cristã “exemplar”, segundo os critérios da época. Apoiava a Igreja em suas ações e participava dos atos litúrgicos. A mãe Hortolana socorria os pobres e fazia longas peregrinações. Também Clara estendia a mão com prazer para os pobres (LSC 3).
Seguindo a tradição, a família pensava em casar Clara segundo a sua nobreza, magnificamente, com homens grandes e poderosos (PC 19,2), para ampliar e consolidar alianças familiares. Mas a jovem tinha outros projetos. Já conhecia o movimento dos penitentes, e ao ouvir que Francisco tinha escolhido o caminho da pobreza propôs em seu coração também ela fazer a mesma coisa (PC 20,6).


Clara saiu de casa aos 18 anos, no Domingo de Ramos de 1212. A Legenda diz que ela não saiu pela porta habitual, mas abriu com as próprias mãos uma porta não costumeira, fechada com pesados troncos e pedras. (LSC 7; PC 13,1). Esse fato tem um profundo sentido simbólico. O que essa jovem estava fazendo era algo novo na Igreja, e não habitual para as mulheres da nobreza.
Para o autor da Legenda, a vida de Clara dali para frente é uma grande celebração da “Semana Santa”, rumo à Páscoa definitiva. A primeira etapa, até chegar a São Damião, é bastante longa e cheia de obstáculos. A família sentiu-se humilhada e reagiu com violência não só pela fuga, mas pelas condições de Clara em São Paulo das Abadessas. Ela tinha vendido seu dote e foi acolhida como serva no rico mosteiro. Era necessário tirá-la à força daquela baixeza, indigna de sua linhagem e sem precedentes na região (LSC 8-9).
Nesse primeiro momento, o aspecto não costumeiro mais evidente é a ruptura com a classe social da nobreza e com seus privilégios, para viver a condição dos pobres, sem bens e sem os direitos de cidadania previstos na recente organização comunal. Mas na medida em que Clara e suas irmãs foram tornando concreta essa opção, outros aspectos se tornaram relevantes e deram corpo ao projeto de vida da nova comunidade.

Para refletir: O que é mais significativo na opção de Clara? Que rupturas são necessárias, hoje, para quem se propõe seguir Jesus Cristo pobre e crucificado?


São Damião como alternativa

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