terça-feira, 9 de agosto de 2011

Encontro Nacional de Simpatizantes - Curitiba

Momento Orante com Santa Clara de Assis

No dia 11 de agosto celebramos a vida de Santa Clara de Assis, a primeira mulher franciscana e modelo tão importante para o mundo. Clara nasceu em 1193 – em Assis – Itália. Entusiasmada pelo ideal de São Francisco de Assis, com ele fundou a 2ª Ordem Franciscana, conhecida como as Clarissas. Clara movida pela fé, sempre se dirigia as irmãs com total doação e amor. Nosso objetivo como admiradoras/es desse carisma francisclareano é que o mundo de hoje conheça e viva esse ideal de vida. Neste ano em que celebramos os 800 anos da presença de Santa Clara no mundo, roguemos a Deus coragem para sermos a Clara de hoje.



Oração nos 800 anos do Carisma Clariano


Amantíssimo Pai, por vossa misericórdia e graça, iluminastes vossa serva Clara de Assis, com o esplendor do Cristo Ressuscitado, seu amado esposo, a fim de que, por uma vida vivida no amor, brilhasse como luz aos irmãos e irmãs de ontem e de hoje.


Ouvindo o vosso chamado, seguindo o exemplo de Francisco, Clara trocou a nobreza pela pobreza e, na penitência em São Damião, com jovial alegria, viveu no silêncio, na contemplação e na fraterna comunhão.


Bendito sejais, ó Pai, pelas mulheres e homens, que nestes oitocentos anos abraçaram o ideal de vida de Santa Clara. E por seu testemunho iluminaram os caminhos da missão e da paz, radiantes de alegria e de esperança.


Concedei, Senhor, à Família Franciscana do Brasil e do mundo, seguir o caminho da simplicidade, da humildade fraterna, da pobreza numa vida honesta e santa, solidária com os pobres e excluídos.

Iluminados pela luz do vosso Espírito que em Clara de Assis brilhou como o sol, jamais percamos de vista, o ponto de partida, da íntima unidade com Jesus Cristo, o irmão pobre do presépio, da Eucaristia e da cruz. Amém!


Nossa irmã e mãe Santa Clara e nosso irmão e pai São Francisco de Assis, rogai por nós!


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A revolução do Educar

No Brasil, a primeira semana de agosto é marcada pela volta das crianças e adolescentes às salas de aula. Enquanto nos países do hemisfério norte, as grandes férias se dão no meio do ano, para eles tempo de calor e repouso, no Brasil e outros países do sul, julho marca uma breve pausa. Agosto é o mês em que, na maioria das escolas de ensino básico, se retoma o segundo semestre letivo.

Pesquisas recentes revelam que, em vários aspectos, o Brasil está ocupando o lugar da sétima economia do mundo. Entretanto, um recente congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) denunciou: ao mesmo tempo, em termos de educação, o Brasil não passa do 88º lugar entre os países. Infelizmente, ainda temos 15% de analfabetos no país. Nos últimos dez anos, o acesso ao ensino básico melhorou muito, mas ainda é muito alto o índice de evasão escolar, principalmente por parte de crianças e jovens. Os governos criaram incentivos para que as famílias pobres mantenham as crianças e adolescentes na escola, mas não basta uma Bolsa Família, quando a realidade humana e social está deteriorada. É preciso um investimento mais de caráter pedagógico e comunitário. Seria necessário um verdadeiro mutirão de jovens para ajudar jovens e adolescentes a superarem o clima negativo nas famílias e permanecerem na escola. A educação é um processo mais amplo do que a escolarização, mas principalmente nos primeiros anos, precisa da instituição formal para se fortalecer.

Em vários países da América Latina, se consolida um processo social e político novo. Povos indígenas e comunidades afro-descendentes se reorganizam e se unem em torno de suas necessidades básicas e do fortalecimento de suas culturas. Novas constituições nacionais como a da Venezuela, do Equador e da Bolívia priorizam a educação como fator fundamental de construção da cidadania. Organismos internacionais da ONU já declararam a Venezuela como país livre do analfabetismo. E o bolivarianismo tem dado muita força à cultura popular e suas expressões.

Também o governo de Evo Morales, na Bolívia, realizou uma grande campanha de alfabetização em massa. No Equador, embora o governo compreenda que o fundamental é a justiça social, sabe também que nenhuma mudança profunda será possível sem passar pela educação de base, alfabetização de adultos e democratização do ensino e da universidade.

No Brasil, estamos atrasados. As elites brasileiras nunca se incomodaram em democratizar a educação. E as universidades continuam a ser ilhas de difícil acesso, sem pontes nem barcos que as liguem às ruas do país real e à vida do povo ao qual deveriam servir.

Enquanto desde o século XVI, a Colômbia, o Peru, a Bolívia têm boas universidades públicas, no Brasil, somente no século XIX, tivemos o primeiro curso de direito em Olinda e São Paulo, fato comemorado no dia 11 de agosto de cada ano. "O próprio Ministério da Educação só existe no governo brasileiro a partir de 1930” (revista Fórum, junho 2009, p. 8).

No momento atual, o governo brasileiro parece continuar um bom trabalho no sentido de garantir a democratização do ensino de qualidade, a competência na gestão das escolas e do ensino, assim como a inclusão social dos mais pobres em todos os níveis da escolaridade.

Este caminho novo e democrático da educação deve clarear uma opção pelas crianças que têm mais dificuldade e não por aquelas que já merecem notas melhores. Devemos estimular os professores a optarem pelos pequenos e fracos e não pelos estudantes mais capazes, assim como o Estado não deve bonificar ou pagar mais professores que conseguem melhores notas para suas classes. Não se trata de um campeonato de excelências, nem de concurso de meritocracia e sim de educadores que se dedicam ao elo mais frágil da corrente e sabem que os problemas são mais complexos do que apenas um sistema de notas e conceitos.

Para quem tem fé e busca viver uma espiritualidade ecumênica, a educação é a tarefa que mais nos aproxima dos grandes líderes espirituais da humanidade. Todos foram educadores e, de certo modo, optaram pelos últimos. Jesus Cristo, por exemplo, se revelou como Sabedoria Divina oferecida a toda pessoa que aceita acolhê-lo. E mostrou que neste processo de educação o importante é conhecer e praticar a verdade. Como ele afirmou: "A Verdade vos libertará” (Jo 8, 33).

Por Marcelo Barros
(monge beneditino e escritor)

Fome na Somália leva Unicef a pedir ajuda Internacional


Informações divulgadas pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) mostram que a crise de fome na Somália se estendeu a três novas regiões do sul do país africano. No mês de julho, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que as regiões de Bakool e Baixa Shabelle já estavam em situação de fome. Nessa sexta-feira (05), a FAO recorreu à comunidade internacional e pediu que uma abordagem imediata seja tomada para reverter a situação.

Em comunicado oficial divulgado pela FAO, a organização afirma “A fome está o sul da Somália e as demais regiões da parte meridional do país vivem uma situação de emergência humanitária que provocou a morte de milhares de pessoas. A crise seguramente se propagará a todas as regiões do sul nas próximas quatro a seis semanas e, provavelmente, durará até dezembro de 2011.” No total, agora são cinco regiões que foram declaradas em crise de fome.

Para chegar à conclusão que determinada região está passando por uma situação de fome, o cálculo é feito de acordo com o número de mortes pela falta de alimentação. Quando um adulto, ou quatro crianças, morrem em um grupo de 10 mil pessoas por dia e quando o número de crianças seriamente subnutridas chega a 30%.

O motivo para que a situação da África tenha chegado a esse nível é por conta da seca que assolou o país de maneira que não havia acontecido há 50 anos. Com isso, as previsões de colheitas e produção de alimentos para abastecer as comunidades não foram atendidas.

Na Somália, existem 3,7 milhões de pessoas em situação de crise humanitária, das quais 3,2 milhões necessitam ajuda de forma imediata para se salvar (2,8 milhões de pessoas no sul).

domingo, 7 de agosto de 2011

Fome na Somália é "política" ,diz especialista

Mulheres aguardam por comida com seus filhos sob o sol



Há seca severa, mas este não é o principal motivo por trás da crise de fome que assola a Somália. A análise é de Abdi Ismail Samatar, professor da Universidade de Minessota, nos Estados Unidos.

Nascido na Somália, naturalizou-se americano e pesquisa a África há cerca de 30 anos. Falou à Folha, por telefone, de Pretória, na África do Sul, onde é professor visitante.


Mulher aguardando atendimento médico com seu filho

Na quarta-feira, a ONU declarou crise de fome em mais três regiões somalis, elevando o total a cinco áreas que enfrentam a emergência humanitária. Segundo estimativas do órgão 3,2 milhões somalis --cerca de um terço da população do país-- necessitam de assistência imediata para sobreviver.
Os EUA estima em 29 mil o número de crianças abaixo de cinco anos mortas por conta da fome nos últimos 90 dias no sul da Somália.

*
FOLHA - Por que a Somália enfrenta uma crise de fome?
ABDI ISMAIL SAMATAR - A cada dois anos ou três há uma seca, em um ano ou outro pode ser uma seca severa. Nos últimos 50 anos da história da Somália, houve várias secas, mas elas nunca chegaram a se tornar uma crise de fome, em que as pessoas morrem aos milhares. Isso porque haviam governos no país que tinham a capacidade de intervir e assistir as pessoas.
O que mudou nos últimos 20 anos, mas mais nos últimos 7 anos é uma série de intervenções internacionais: a ocupação da Etiópia [2006-2008], a intervenção americana em termos de apoio aos "warlordes", que criaram uma instabilidade que tornou quase impossível o estabelecimento de um governo local.
Agora, porque não há um governo efetivo quando as pessoas enfrentam a crise da seca, não tem a quem recorrer. Então é a falta de assistência que criou a fome e não a seca em si.




Soldados do governo somali tentam controlar multidão faminta
Mas a crítica da comunidade internacional agora é de que a milícia Al Shabab (em controle de parte da Somália) está impedindo a entrega de alimentos e ajuda humanitária. Isso é correto?
O que acontece é que o Al Shabab era um grupo muito, muito pequeno. A intervenção dos americanos e dos etíopes produziram o tipo de Al Shabab que temos hoje. O grupo é um dos culpados pela fome na Somália hoje, os outro são, a guerra americana ao terror, a UE (União Europeia) pela manipulação da produção de alimentos no país, o Governo Federal Transitório (TFG, na sigla em inglês) e a ONU. Essas são as organizações que produziram a fome na Somália.
Se a comunidade internacional quer ajudar a Somália, agora é preciso enviar alimentos para os lugares onde as pessoas vivem para que elas não precisem deixar suas cidades e se tornem refugiados, porque uma vez que você se torna um refugiado da fome em campos na fronteira com o Quênia ou a Etiópia é muito difícil retornar à Somália.
Mas o mais importante, é que você pode distribuir alimentos e permitir que as pessoas sobrevivam, mas reconstruir suas vidas requer o tipo de governo que pode agir em prol de seus cidadãos.
Tenho argumentado nos últimos dez anos que a comunidade internacional tem sido um dos maiores obstáculos para que os somalis possam se organizar para reconstruir seus governos. Então, o que a comunidade internacional pode fazer também é ajudar os somalis a reconstruir seus governos, que seja competente e legítimo, que se importe com seu próprio povo.
E você vê isso acontecendo nos próximos anos?
Não espero que os Estados Unidos se mova nesta direção, porque apesar de Obama ser um democrata e um afrodescendente, sua política é continuação da "Guerra ao Terror" de Bush. Se você comparar a política externa de Bush na África, com a de Obama, não verá nenhuma mudança positiva.
Hoje a Hillary Clinton fez um pronunciamento em que ficou o tempo todo falando 'Al Shabab deve fazer isso, deve fazer aquilo', ela nunca olhou para o espelho e admitiu o que os governos americanos têm feito para minar a Somália, apoiando a Etiópia, os warlordes.
Qual a situação política interna na Somália?
Al Shabab e os que hoje se autoproclamam TFG eram as mesmas pessoas, parte de um só grupo. Depois de uma reunião em Dijibuti, em 2008, mediada pela ONU e pelos EUA, promoveu esta separação. Eu me lembro de ter falado aos representantes do TFG, então, que eles só deveriam aceitar formar um governo, se a milícia estivesse junto.
Hoje o TFG é um dos regimes mais corruptos do mundo, mas pior são assustadoramente incompetentes. O povo somali aceita o Al Shabab e não respeita o TFG, estão buscando uma alternativa. Há algumas pequenas organizações políticas surgindo, como por exemplo, o partido Hiilqaran, mas ainda há muito a ser feito

Por Carolina Montenegro
Folha de São Paulo online


Haitianos: os novos imigrantes do Brasil




O ingresso massivo de haitianos na Amazônia demonstra que está ocorrendo um novo fenômeno no Brasil: a ascensão da imigração internacional. Para Duval Magalhães, doutor em Demogafia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC-Minas, a imigração atual é diferente daquela ocorrida no século XIX, quando imigrantes europeus vieram para suprimir a demanda por mão de obra na agricultura e na indústria. A imigração haitiana, explica, acontece em outro contexto internacional, e a participação do Brasil na missão de paz da ONU no Haiti pode ter favorecido a escolha dos estrangeiros.

Na avaliação de Sidney da Silva, pesquisador da Universidade Federal do Amazonas – UFAM, a razão do deslocamento “tem a ver com a situação histórica de injustiças e pobreza impostas à população haitiana durante séculos”. A atual situação econômica brasileira também contribui para o ingresso de imigrantes no país. Segundo ele, o Brasil apresenta-se “no imaginário deles” como um país próspero, onde é possível crescer e ganhar dinheiro. “As notícias de crescimento econômico no Brasil animam aqueles que se encontram numa situação de falta total de perspectivas”, assinala em entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail.

O fluxo migratório não irá se extinguir e, por esta razão, o Brasil precisa ter consciência e buscar soluções que considerem os direitos humanos dos imigrantes. “Está no momento de darmos a prova de que aprendemos a lição e mostrar ao mundo que, apesar da nossa ainda jovem democracia, temos a possibilidade de colocar os direitos humanos de todos acima da mesquinhez e falta de solidariedade, que sempre foi a marca registrada dos países desenvolvidos quando se trata da migração internacional”, enfatiza Magalhães, na entrevista a seguir, concedida igualmente por e-mail.

Duval Magalhães Fernandes é graduado em Ciências Econômicas e mestre em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais, onde também cursou o doutorado em Demografia. É pós-doutorado pelo Instituto Univesitario de Investigación Ortega Y Gasset. Atualmente, leciona na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e é professor visitante da Universidade Peruana Cayetano Heredia.

Sidney Antônio da Silva é antropólogo, mestre e doutor em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo – USP e membro da Pastoral do Migrante e do Centro de Estudos Migratórios em São Paulo.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Em quais contextos socioeconômicos haitiano e brasileiro se dá a migração de haitianos para o Brasil?

Sidney Antônio da Silva – Se, por um lado, o contexto haitiano é catastrófico do ponto de vista socioeconômico e político, sobretudo, depois do terremoto de janeiro de 2010 – cuja situação só piorou depois com a epidemia do cólera –, por outro, o Brasil apresenta-se no imaginário deles como um país grande e próspero, onde é possível ganhar dinheiro rápido, o que nem sempre corresponde à expectativas deles. É preciso considerar também que, diante da dificuldade de emigrar para outros países, cujo controle tem aumentado, o Brasil aparece entre aqueles onde tal controle não é tão rigoroso, sobretudo, na fronteira amazônica.

IHU On-Line – Qual é o perfil dos imigrantes haitianos que chegam à Amazônia? Por que eles estão migrando para o Brasil?

Sidney Antônio da Silva – Em sua maioria, eles são do sexo masculino, entre 20 e 35 anos de idade. A escolaridade é de nível médio, alguns com qualificação de nível técnico e outros com curso superior completo e incompleto.

A razão da sua emigração tem a ver com a situação histórica de injustiças e pobreza impostas à população haitiana durante séculos. O terremoto de janeiro de 2010 agravou ainda mais a situação caótica já existente no país. Com a presença das forças de segurança brasileiras naquele país, a relação entre o Haiti e o Brasil se estreitou, abrindo, assim, uma possibilidade de ajuda àquele país.

Em geral, a imagem que se veicula pelas redes sociais é a de que, em primeiro lugar, é fácil entrar no país, sobretudo pela fronteira norte (Tabatinga-AM), onde inicialmente eles pleiteavam um visto de refugiado, porém, o governo brasileiro passou a lhes oferecer um de cunho humanitário, já que o primeiro lhes daria mais direitos. Esta via tornou-se a principal porque a entrada via aeroporto seria mais cara e mais controlada, já que o Brasil passou a exigir visto de entrada no país. Por aquela via (fronteira com o Peru), a rota é menos complicada, já que aquele país não exige visto de entrada em seu terrritório. Por outro lado, as notícias de crescimento econômico no Brasil animam aqueles que se encontram numa situação de falta total de perspectivas. Ao chegarem ao Brasil, eles recebem um visto humanitário que lhes dá o direito de tirar o CPF e a Carteira de Trabalho e também de terem acesso aos serviços de saúde publica. Porém, o grande problema da moradia e da alimentação no momento da chegada fica por conta da Igreja Católica, através da Pastoral do Migrante, a qual tem prestado um importante serviço de acolhida aos haitianos.

IHU On-Line – Que atividade essas pessoas vão desempenhar no Brasil? Qual é a perspectiva deles em relação à vivência no país?

Sidney Antônio da Silva – A inserção no mercado de trabalho é complicada, porque em geral eles não têm a qualificação exigida e os empregos disponíveis são aqueles relacionados à construção civil, serviços gerais no comércio, emprego doméstico, etc. Isto frusta a perspectiva inicial de conseguir um bom emprego e ganhar muito dinheiro para enviar às suas famílias que lá ficaram. Além da qualificação, a grande dificuldade para a inserção deles no mercado de trabalho é a barreira linguística, visto que todos falam o creole e a maioria o francês.

IHU On-Line – O senhor afirmou recentemente que a imigração tende a crescer e ser necessária no país porque a população brasileira irá diminuir nos próximos anos em função da queda da fecundidade. Como se dará esse processo migratório?

Duval Magalhães – Segundo dados das projeções do IBGE, espera-se que o Brasil entre em um processo de redução do número de habitantes em 2040. Em 2050 projeta-se uma população total para o país de igual valor à que será observada em 2029, caso as atuais tendências de queda da fecundidade e redução da mortalidade se mantenham. Este fato, semelhante ao ocorrido em vários países da Europa, indica que para, no futuro, se manter a oferta de mão de obra será necessário contar com os imigrantes.

Ao final de 2010, o empresário Eike Batista, em entrevista ao Programa 60 minutos da rede CBS, informava que está contratando trabalhadores americanos para as suas empresas frente à escassez de mão de obra especializada em algumas áreas no Brasil. Mais recentemente, o presidente da Petrobrás, falando aos secretários estaduais da Fazenda, levantou as necessidades da Petrobrás na contratação de mão de obra e que a empresa vem sistematicamente recorrendo à contratação de especialistas estrangeiros, pois não há disponibilidade no mercado nacional.

Em resumo, a necessidade de “importação” de mão de obra já faz parte da preocupação de alguns empresários. No futuro, poderá ser uma demanda de vários setores, como aconteceu nos países do primeiro mundo.

Adital - A voz dos sem voz


Recomendamos

Desde 1981 visito a Itália, anualmente, para proferir uma semana de palestras a convite da associação de solidariedade internacional Rete Radié Resch, de perfil cristão.

Em 1999, numa pequena cidade do interior da Toscana, veio ao meu encontro um homem de avançada idade, trajes simples, barba por fazer, interessado em conversar sobre Teologia da Libertação. Este senhor, um rico empresário, havia se reconvertido à fé cristã por leituras dessa corrente teológica progressista. Entusiasmado com a visão evangélica da Teologia da Libertação, insistia em difundi-la pelo mundo a partir de seu local de origem – a América Latina.

Expus a ele as dificuldades com as quais lidamos em nosso Continente para realizar tal proeza. Foi então que ele propôs fundarmos uma agência de notícias, cuja ótica predominante fosse inspirada na Teologia da Libertação. Com que recursos? indaguei. Ele não titubeou: sugeriu que eu me dedicasse a tal empreitada. Ele se encarregaria de providenciar os recursos.

Falei de minhas múltiplas atividades, mas logo pensei em um amigo, o padre Ermanno Allegri que, na época, dirigia uma pequena agência noticiosa vinculada à pastoral da arquidiocese de Fortaleza. Quem sabe ele aceitaria assumir o projeto? Com a vantagem de morar numa importante capital do Nordeste brasileiro, o que significaria descentralizar esse tipo de veículo, pois quase todas as agências noticiosas do Brasil se situam no Sudeste do país.

Ermanno aceitou o desafio, e ainda teve a brilhante ideia de dar à agência o nome de Frei Tito de Alencar Lima, frade dominicano nascido em Fortaleza e falecido, aos 28 anos, em 1974, em decorrência de torturas sofridas sob a ditadura militar brasileira (1964-1985), pela qual foi preso, barbaramente seviciado e, posteriormente, banido do país (suicidou-se em decorrência dos sofrimentos no cárcere, quando vivia próximo a Lyon, na França).

Objetivos e raio de alcance

Em 2000 nasceu a ADITAL – Agência de Informação Frei Tito para América Latina. Seu surgimento coincidiu com a realização do I Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, o que facilitou sua divulgação entre os participantes oriundos de diversos países do Continente.

A ADITAL funciona graças a uma pequena e eficiente equipe: seu presidente, o filósofo Manfredo Araújo de Oliveira; seu diretor executivo, Ermanno Allegri; cinco jornalistas e três estagiários. Juridicamente é uma entidade sem fins econômicos, autônoma, sem vínculos institucionais com setores econômicos, religiosos, políticos ou sindicais. Ocupa uma página Web: http://www.adital.com.br/

A ADITAL é um instrumento ético e profissional, que tem por objetivos favorecer a democratização da informação; expressar tudo que interessa como notícia do universo dos oprimidos (pensamento e práticas de movimentos sociais, universidades, igrejas, ONGs e formadores de opinião da América Latina e Caribe); divulgar iniciativas de políticas públicas de governos progressistas; noticiar e analisar os processos sociais que criaram o atual momento da América Latina, hoje majoritariamente sob governos progressistas.

Seu público-alvo são profissionais da grande mídia, líderes de movimentos sociais, parlamentares, ONGs, religiosos, professores e estudantes de universidades, entidades institucionais (ministérios e secretarias de governos, FAO, UNESCO, OIT, empresas etc.) e seus veículos de comunicação: jornais, revistas, boletins, sites, blogs, rádios etc.

Ao longo de seus 10 anos de atividade, a

ADITAL criou uma excepcional rede de fontes graças a milhares de entidades e pessoas comprometidas com a cidadania para um "jornalismo social”.

Até julho de 2011, a ADITAL publicou cerca de 57.000 matérias e divulgou-as através de 62.000 endereços eletrônicos (matérias reproduzidas por sites, blogs, Twitter e Facebook).

Êxitos jornalísticos

Nos últimos dois anos a ADITAL priorizou, em sites especiais, temas como Economia Solidária, Igrejas e Religiões, e Tráfico de Pessoas (que poderá se tornar site das "Questões de Gênero”, incluindo, além do tráfico, o feminicídio, LGBTT e exploração sexual de crianças e adolescentes).

Criou-se agora a ADITAL/Jovem, dirigida aos jovens da América Latina e Caribe.

A ADITAL conta com mais de 400 articulistas e produz informações em forma de notícias diárias, análises políticas, sociais, econômicas, religiosas etc; documentos (textos de estudo ou pronunciamentos de grupos, movimentos, conferências episcopais, fóruns etc.); reportagens (Plano Colômbia, Igreja da Libertação na América Latina, Base de Manta (Equador), Los Embalses (Panamá), Madres de la Plaza de Mayo (Argentina), ECOPETROL (Colômbia), V Conferência do CELAM etc.); entrevistas exclusivas (Evo Morales (Bolívia), Nora Cortiñas (Argentina), Rigoberta Menchu (Guatemala), personalidades do Programa Fome Zero (Brasil), Jon Sobrino (El Salvador), Camille Chalmers (Haiti), teólogos/as e bispos); e coberturas especiais de eventos.

A ADITAL atua em parcerias com rádios (uma dezena de rádios de Peru, Espanha, Equador, Venezuela etc.); participa de campanhas, como o referendo pela suspensão da venda de armas, a concessão do Prêmio Nobel da Paz às mulheres Africanas, e denúncias da Anistia Internacional.

Para o Programa Fome Zero (2003-2004) do governo Lula, a ADITAL divulgou cerca de 500 matérias, patrocinou a impressão de seis mil cópias de uma cartilha sobre o programa e produziu o vídeo "Vozes contra a Fome”, com duração de 20 minutos.

O conteúdo da ADITAL é divulgado em português e espanhol, e traduzido para os principais idiomas da Europa, incluindo os do Leste Europeu.

Entre as atividades que ADITAL participou, destaca-se a 1ª Conferência Nacional de Comunicação que, pela primeira vez no Brasil, reuniu, em 2009, os meios de comunicação chamados alternativos.

Prêmios

Pela qualidade de seu trabalho, a ADITAL já mereceu os seguintes prêmios:

Boas ideias e melhores práticas, concedido pela UNESCO, "pelo êxito comprovado da iniciativa, o aspecto inovador do projeto, a qualidade do conteúdo produzido, a capacidade de chegar às comunidades marginais” (Junho/2005).

Prêmio Dom Helder Camara de Comunicação, concedido pela CNBB, referente ao tema "Os meios de comunicação a serviço do entendimento entre os povos” e por sua cobertura do Fórum Social Brasileiro, considerada uma "prática exemplar de jornalismo cidadão" (Maio/2005).

Selo Direito nota 10 DHNET: "Um dos melhores sites de direitos humanos em língua portuguesa na categoria Mídia”, concedido pela Rede de Direitos Humanos & Cultura - Dhnet (Dezembro/2005).[

Por: Frei Betto. Escritor, fundador e colaborador da ADITAL, autor de "Um homem chamado Jesus” (Rocco), entre outros livros].

Romaria dos Mártires - Por D.Pedro Casaldáliga



Transcrição livre da mensagem de dom Pedro Casaldáliga ao final da celebração de 17 de julho de 2011, na Romaria dos Mártires da Caminhada, cidade de Ribeirão Cascalheira, MT, Prelazia de São Félix do Araguaia.


“Possivelmente seja essa, para mim, a última romaria pé no chão. A outra já seria contando estrelas no seio do Pai. De todo modo, seja a última seja a penúltima, eu quero dar uns conselhos. Velho caduco tem direito de dar conselhos... E a memória dos mártires, o sangue dos mártires, mais do que um conselho, [é] compromisso que conjuntamente assumimos, ou reassumimos. São Paulo, depois de tantos dogmas que anuncia, tantas brigas teológicas, tantas intrigas por cultura, dá um conselho único: ‘o que eu peço de vocês [é] que não esqueçam dos pobres; o que eu peço de vocês [é] que não esqueçam a opção pelos pobres, essencial ao Evangelho, à Igreja de Jesus’. A opção pelos pobres.

E esses pobres se concretizam nos povos indígenas, no povo negro, na mulher marginalizada, nos sem-terra, nos prisioneiros..., nos muitos filhos e filhas de Deus proibidos de viver com dignidade e com liberdade. Eu peço também para vocês que não esqueçam do sangue dos mártires. Tem gente, na própria Igreja, que acha que chega de falar de mártires. O dia que chegar de falar de mártires deveríamos apagar o Novo Testamento, fechar o rosto de Jesus. Assumam a Romaria dos Mártires, multipliquem a Romaria dos Mártires, sempre, recordemos bem, assumindo as causas dos mártires. Pelas causas pelas quais morreram, nós vamos dedicar, vamos doar, e se for preciso morrer, a nossa própria vida também...

E ainda uma palavra: há muita amargura, há muita decepção, há muito cansaço... Isso é heresia! Isso é pecado! Nós somos o povo da esperança, o povo da Páscoa. O outro mundo possível somos nós! A outra Igreja possível somos nós! Devemos fazer questão de vivermos todos cutucando, agitando, comprometendo. Como se cada um de nós fosse uma célula-mãe espalhando vida, provocando vida. A Igreja da libertação está viva ressuscitada porque é a Igreja de Jesus. A teologia da libertação, a espiritualidade da libertação, a liturgia da libertação, a vida eclesial da libertação não é nada de fora, é algo mui de dentro, do próprio mistério pascal, que é o mistério da vida de Jesus, que é o mistério das nossas vidas.

Para todos vocês, todas vocês, um abraço imenso, de muito carinho, de muita ternura, de um grito de esperança, esse cantar viva a esperança que seja uma razão... Podem nos tirar tudo, menos a via da esperança. Vamos repetir: ‘Podem nos tirar tudo, menos a via da esperança!’. Um grande abraço para vocês, para as suas comunidades, e a caminhada continua! Amém, Axé, Awere, Saúde, Aleluia!”


"QUERO ENTOAR UM CANTO NOVO DE ALEGRIA,
AO CHEGAR AQUELE DIA E PISAR O NOSSO CHÃO.
COM MEU POVO CELEBRAR A ALVORADA,
MINHA GENTE LIBERTADA, LUTAR NÃO FOI EM VÃO......:
...ARROZAIS FLORECERÃO E NA LUTA LIBERDADE COLHEREI!!!" (Dom Pedro casaldáliga)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

cArTa aBeRtA. sObRe O rEtIrO dE RoDeIo - SC por Lindalva Macedo e Beth Resende






Queridas Irmãs Lúcia, Marlene e Alzira:

Abraçamos cada uma de vocês, com imenso carinho, pela abertura e acolhida em todas as CASAS, cujas histórias confundem-se com a de Betânia de Jesus, Maria e Marta. Sentimo-nos em casa, tal a irmandade em cada gesto de carinho e convivência.

Nosso agradecimento.

Certamente, a escuta mais contida não nos permitiu a falas mais demoradas: um pouco de mineirice, outro tanto mais reflexivas, para vivenciar a oferta e "provocações" de Ivone Gebara, assessora, o que louvamos a escolha para o retiro, como também, as luzes de um tempo novo que continua como clamor à Fé, à Esperança e ao Amor, junto do nosso povo empobrecido.

Pudemos constatar: herdamos culturalmente uma formação religiosa/familiar patriarcal, burguesa e elitista que nos pede conversão diária, constantemente, e misericórdia da Divina Sabedoria para que não continuemos pertenças dos "guetos do bem," tão pouco "especialistas do bem"!

Foram momentos que contribuíram, também, na reflexão do(s) sentido(s) e dos caminhos a construir com os grupos de “simpatizantes” e as possibilidades de realizarmos projetos mais comuns e articulados de formação.

Sermos protagonistas de nossa história e da construção da espiritualidade francisclariana, focando os holofotes, com luzes inspiradoras, para as presenças/ausências das mulheres e suas lutas: eis alguns dos bons desafios que Ivone Gebara nos provocou.

Por isso, pedimos: "Nos mostre teu espelho, Clara irmã"!...
Para que não percamos a ternura jamais, queremos repetir como o poeta Carlos Drummond de Andrade, este sentimento:
"Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos muito, VAMOS DE MÃOS DADAS.
(...) O tempo é a minha matéria, o tempo presente,
os homens presentes, a vida presente."
Ficou para nós re-começar sempre, de novo, diferentemente, sabendo e revendo que
"É o amor que mora dentro de cada pessoa,
que está presente
na flor, no canto, no sorriso, num abraço...
esse amor é reflexo da FONTE DA VIDA em nós".
(Ivone Gebara)
Paz e Bem!
Beth e Lindalva

Anistia critica projetos de desenvolvimento e pede mais atenção a direitos indígenas


Com vistas ao Dia Internacional dos Povos Indígenas, comemorado em nove de agosto, a Anistia Internacional lançou ontem (4) o relatório Sacrificar os direitos em nome do desenvolvimento: os povos indígenas da América sob ameaça, em que expõe violações sofridas em consequência dos grandes projetos de "desenvolvimento” em países de todo o continente americano.

Desrespeito ao direito de consultas prévias e consentimento livre, desalojamentos forçados, construção de megaempreendimentos em territórios indígenas, criminalização das lideranças, violência contra as mulheres e até assassinatos compõem o triste quadro a que estão expostos os indígenas da região – estimados em 40 milhões.

De acordo com o relatório da Anistia, baseado em casos e testemunhos dos indígenas concedidos à organização, na base das violações recorrentes está uma "arraigada atitude discriminatória contra os povos indígenas da América".

Isso aparece claramente nos projetos desenvolvimentistas, ligados à mineração, energia elétrica, infraestrutura e turismo, quando os indígenas são identificados como "estorvo” ao progresso.

"A falsa e perigosa dicotomia entre desenvolvimento e direitos dos povos indígenas é habitual no continente. Se trata de uma crença baseada na falsa premissa de que os projetos da indústria extrativa ou de outro tipo, que multiplicam a riqueza e são, portanto, favoráveis aos interesses nacionais, não devem ser ‘obstruídos' pelos povos indígenas, que são ‘apenas' uma pequena parte da população”, critica.

Como resultado dessa visão, governos nacionais e atores privados não respeitam o direito à consulta e consentimento livre, prévio e informado em todos os países da região, como Argentina, Brasil, Canadá, Colômbia, Equador, Guatemala, México, Panamá e Peru.

No Brasil, por exemplo, as comunidades indígenas do rio Xingu, no estado do Pará, região amazônica, estão em luta contra o projeto da hidrelétrica de Belo Monte, que implicará em deslocamentos forçados e intensos impactos sócio-ambientais. Mesmo com a ordem da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) de suspender o projeto devido a imprecisões no estudo de impacto ambiental, as obras prosseguem.

Batalha semelhante é travada pelos indígenas mexicanos, contra a hidrelétrica La Parota, no estado de Guerrero, e pelos guatemaltecos, contra a mina de ouro e prata Marlin, localizada no departamento de San Marcos.

Em meio a tudo isso, os indígenas enfrentam processos penais que, segundo o relatório, são "desproporcionais e parecem atender a motivações políticas”. No Chile, quatro líderes mapuche, em luta pela permanência em seu território, foram julgados sob a Lei Antiterrorista e decidiram fazer greve de fome durante três meses deste ano para pedir justiça e o fim da estigmatização ao seu povo. No dia 3 de junho, a Suprema Corte de Justiça do Chile reduziu as penas dos mapuche, porém, rejeitou o pedido de anulação do julgamento.

Também as meninas e mulheres indígenas sofrem muitas violações. No Canadá, elas têm entre três e cinco vezes mais chances de morrer vítimas de violência. Já nos Estados Unidos, o relatório compara a situação a uma epidemia. "Mais de uma de cada três mulheres indígenas será violada ao longo de sua vida, e quase 86% dos violadores são homens não indígenas”, informa.

Apesar da conjuntura de desrespeito aos direitos, a Anistia celebra a resistência que as comunidades ousam construir. "Os povos indígenas têm se organizado cada vez mais para defender seus direitos, e na atualidade estão liderando uma luta por seus direitos e a igualdade. (...) A Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas é reconhecida já em toda a região, desde que Canadá e Estados Unidos, que votaram inicialmente contra, subscreveram-na em 2010”, diz.

Demandas

Para garantir os direitos indígenas, a Anistia Internacional cobra que os governos estabeleçam aliança com os povos indígenas para promulgar leis que efetivam o direito à consulta e consentimento livre. Além disso, não devem apoiar projetos de desenvolvimento que possam afetar as comunidades sem antes realizar consulta; precisam agir para resolver os conflitos de terra existentes e proteger as mulheres indígenas, julgando e castigando violadores.

O relatório, na íntegra, está disponível no linkhttp://www.amnistia.org.pe/descargar/Sacrificar_derechos.pdf

Por Camila Queiroz
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